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23/11/2021   23/11/2021 20h30m   | A+ A- |   90 visualizações

Educação deve promover letramento racial de crianças e adultos, diz entrevistado

Victor De Carli Lopes é o convidado da 50ª edição do ‘Ponto de Pauta’


A educação tem um papel fundamental na construção de uma sociedade antirracista. Esse é o principal eixo da entrevista concedida por Victor De Carli Lopes, militante do movimento negro e coordenador do Observatório de Direitos Humanos da UFSM (órgão vinculado à Pró-Reitoria de Extensão), à 50ª edição do ‘Ponto de Pauta’, programa de entrevistas da Sedufsm. Durante todo o novembro, em alusão ao Mês da Consciência Negra, o programa ouviu homens e mulheres que dominam o debate racial e lançaram luz sobre aspectos diversos ligados à negritude e às lutas travadas por ela dentro e fora da universidade.

Para Lopes, a universidade, sendo parte de uma sociedade racista, expressa, em suas estruturas e dinâmicas, uma série de opressões raciais. E, em que pese as ações afirmativas de inegável importância, o ensino superior público ainda é um espaço acessado majoritariamente por brancos e brancas. Isso não quer dizer que não possamos ou devamos formular estratégias para dirimir as desigualdades raciais dentro das instituições.

“Nosso ensino superior é muito excludente. Temos um número muito pequeno de pessoas que conseguem concluir o Ensino Médio e chegar às universidades públicas federais. Só com esse afunilamento de pessoas que conseguem estar participando da universidade, já vamos ter um espaço que é estruturalmente branco, pensado para as pessoas brancas. Os currículos de todos os cursos de graduação acabam contemplando aquela estrutura ocidental, sempre tendo aquele eurocentrismo em toda a nossa maneira de pensar”, reflete o militante.

E, no caso da UFSM, a presença diminuta de negros e negras também se expressa de forma escandalosa na docência. Lopes comenta que, se são os professores aqueles responsáveis por estipularem as grades curriculares dos cursos, darem as aulas e coordenarem a maior parte dos projetos de ensino, pesquisa e extensão, a porcentagem ínfima (menos de 1% do total de docentes da UFSM) de docentes negros e negras reverbera, também, na dificuldade de que a formação rompa com o eurocentrismo e se volte mais às temáticas étnico-raciais. “Se a UFSM carece de professores negros e negras, acabamos carecendo também de pessoas que vão orientar trabalhos voltados à população negra”, complementa.

Então, para além de ofensas raciais explícitas, como os escritos racistas observados nas paredes de alguns diretórios acadêmicos na UFSM há não muito tempo, Lopes ressalta que há, na universidade, um silenciamento e um esvaziamento das pautas negras. E tal silenciamento também adoece e faz com que a população negra não se sinta, muitas vezes, convidada a adentrar o ambiente acadêmico.

Círculo de desinformação

O Brasil possui, desde 2003, a lei nº 10.679, que prevê a oferta de disciplinas relativas à história e à cultura afro-brasileira e indígena em toda a rede de ensino. Ainda que não seja uma lei recente, muitos colégios têm, até hoje, dificuldades em trabalhar esses temas em sala de aula.

“Se conseguíssemos executar essa lei efetivamente, esse silenciamento e desconhecimento sobre as pautas étnico-raciais ia diminuir. Porque se temos isso desde o ensino básico, passando por todo o ensino médio, quando chegamos na faculdade e vamos exercer nossas profissões, já temos letramento racial e um conhecimento maior sobre essas pautas”, perspectiva Lopes.

Ocorre que os professores e professoras responsáveis por lecionar nas escolas são formados nas universidades. E, se as universidades ainda são espaços pensados e acessados primordialmente por pessoas brancas – contendo um baixíssimo quantitativo de docentes negros e negras, a formação que elas oferecem também não contempla tais questões.

Assim, acaba-se criando um círculo de desinformação, onde a universidade não consegue inserir as temáticas raciais de forma orgânica em seus currículos, e os professores e professoras que se formam nas licenciaturas e rumam às escolas também não possuem as ferramentas necessárias para trabalhar tais assuntos com as crianças, jovens e adultos.

Universidade e escola estão, dessa forma, umbilicalmente ligadas quando o assunto é promover ações visando à ampliação do debate e da reflexão sobre as temáticas raciais.

Assista a entrevista na íntegra abaixo ou em nosso canal de Youtube:

Texto: Bruna Homrich

Arte: Rafael Balbueno

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

 

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