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21/06/2022   21/06/2022 18h57m   | A+ A- |   73 visualizações

Na Câmara Municipal, comunidade denuncia cortes e indica mobilização de rua

Reunião pública lotou plenário da Câmara de Vereadores de Santa Maria na noite da segunda, 20

Reunião na Câmara destacou importância da UFSM para o desenvolvimento da região
Reunião na Câmara destacou importância da UFSM para o desenvolvimento da região

A Sedufsm participou, na noite da última segunda-feira, 20 de junho, de uma reunião pública na Câmara de Vereadores de Santa Maria para discutir os impactos dos cortes decretados pelo governo federal no orçamento das universidades públicas, em especial da UFSM. Impactos que afetam não apenas quem estuda e trabalha na instituição, mas todas as pessoas que dependem, de alguma forma, dos serviços prestados pela universidade e por seu time de voluntários. Afetam, também, o próprio empresariado local – do micro ao macro -, visto que demissões, cortes de bolsas e não reposição de funcionários significa menos dinheiro movimentando a economia local.

Apenas em 2022, a UFSM já teve de cortar 4,5 milhões de reais em serviços terceirizados, o que resultou na demissão de 98 trabalhadores e trabalhadoras. E não foram apenas as e os terceirizados a serem penalizados: de 2016 a 2022, 225 técnico-administrativos em educação (TAEs) da UFSM aposentaram-se e não foram repostos, devido à extinção de cargos levada a cabo pelo Executivo Federal.

Tais dados foram trazidos pelo reitor da UFSM, Luciano Schuch, que compôs a mesa da reunião pública ao lado de sua vice, Martha Adaime, e de representações de sindicatos e do poder político.

Sendo uma das pessoas a integrarem a mesa, o presidente da Sedufsm, Ascísio Pereira, ponderou que os cortes orçamentários acirraram-se a partir do golpe de 2016, sendo parte integrante de um projeto intencional de desmonte da coisa pública. “Quem vem governando esse país considera a universidade pública como inimiga. Mas esse projeto não passará deste ano”, diz o dirigente, referindo-se à importância de derrotar Jair Bolsonaro e seus tentáculos nas eleições de outubro.

Os mais penalizados

Além das famílias de trabalhadores/as terceirizados/as demitidos/as, outro grupo que sofre imensamente com os impactos dos cortes são as e os estudantes. Schuch comentou que o orçamento da assistência estudantil para o ano de 2022 é inquestionavelmente insuficiente para dar conta das demandas apresentadas.

“Qualquer um de nós que vai ao mercado sabe a diferença de valores dos alimentos nos últimos anos”, comenta o dirigente, ressaltando que, segundo o Dieese, desde 2015 a inflação cresceu 129%, ao passo que o orçamento reservado à assistência estudantil segue o mesmo. Tudo isso interfere na qualidade e no valor das refeições ofertadas pelo Restaurante Universitário, nas vagas disponíveis para abrigar estudantes que necessitam de moradia estudantil e nas bolsas de permanência, cujos valores, para muitas e muitos estudantes, são os únicos com os quais podem contar para suprirem suas necessidades básicas.

É o caso, por exemplo, de Glece Coser, hoje servidora técnico-administrativa na UFSM e integrante da Atens. No plenário da Câmara, ela contou que, há alguns anos, apenas conseguiu vir de Cruz Alta para estudar em Santa Maria porque a universidade ofertava uma bolsa de permanência estudantil. “Nós já cortamos tudo o que podíamos. Somos uma instituição de excelência. Precisamos do apoio da comunidade e do povo na rua”, defendeu a servidora.

Paula Ponciano, integrante da Associação de Pós-Graduandos (APG), é outro exemplo de pessoa que chegou de fora da cidade para estudar na UFSM, contou com a assistência estudantil e ingressou via SiSu.

Assim como elas, diversas outras pessoas ocuparam o plenário para contarem suas experiências com a UFSM, a centralidade que a instituição tem em suas vidas e a importância de defender, ao invés do cortes, uma democratização cada vez maior. Democratização que, nos últimos anos, tem sido responsável por permitir o ingresso de negras e negros, indígenas, imigrantes e refugiados, filhas e filhos da classe trabalhadora no ensino superior público.

Maria Rita Py Dutra, vereadora presente à atividade, contou que, em 1969, quando era estudante da UFSM, existiam na instituição apenas três discentes negros. “Hoje nós estamos em maior número lá dentro, mas, sem bolsa, não conseguimos nos manter”, denuncia a parlamentar e professora.

Educação Popular

Se os cortes afetam as condições de permanência das e dos estudantes, também prejudicam o acesso. Isso ficou perceptível no relato de dois educadores do Práxis Educação Popular, coletivo de estudantes da UFSM que se dedica a ajudar pessoas de baixa renda que queiram ingressar na universidade e não têm condições de pagar cursinho particular.

Zípora Rosauro, estudante de Ciências Sociais e educadora do Práxis, denunciou a situação de precariedade vivenciada por quem se dedica ao cursinho popular, e por quem o frequente. Não há água potável no prédio da Antiga Reitoria onde eles estão agora hospedados, nem papel higiênico, ou mesmo café. Todas as ações desenvolvidas pelo projeto são bancadas com recursos obtidos de ações voluntárias, a exemplo de rifas.

Sofia, estudante de Artes Cênicas da UFSM, utilizou o espaço da Casa para explicitar o sucateamento do prédio do Centro de Artes e Letras (CAL), a transformação de corredores em depósitos e o fechamento do Teatro Caixa Preta.

Denúncia ao Executivo

Ao fim da plenária, o presidente da Câmara Municipal, Valdir Oliveira, informou que será elaborada uma moção de protesto aos cortes na UFSM. A peça será disponibilizada para todas e todos os vereadores de Santa Maria que queiram assinar e fortalecer o movimento em defesa da universidade pública. O documento vai à votação na sessão plenária da Câmara no próximo dia 28 de junho. 

Além das pessoas e entidades já citadas, participaram da reunião pública na noite da segunda Assufsm, Sinasefe, DCE, União Estadual dos Estudantes, Sindiágua, prefeitura municipal (representada pelo chefe de gabinete do prefeito Jorge Pozzobom, Alexandre Lima). Valdeci Oliveira, presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul; Helen Cabral, representando do deputado federal Paulo Pimenta; Paulo Burman, ex-reitor da UFSM; e os vereadores locais Ricardo Blattes, Maria Rita Py Dutra, Luci Duartes, Werner Rempel, Jivago Ribeiro e Manoel Badke também se fizeram presentes. A atividade foi transmitida ao vivo pelo canal de Youtube da TV Câmara SM.

A mobilização contra os cortes teve início em 9 de junho, com uma audiência pública realizada na UFSM.

Texto: Bruna Homrich

Fotos: Rafael Balbueno

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

 

 

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