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14/10/2022 14h29m   14/10/2022 14h38m   | A+ A- |   283 visualizações

Dica: ver a mais recente versão sobre o rei do rock

Professor Amarildo Trevisan destaca pontos fortes de ‘Elvis’

Austin Butler interpreta Elvis Presley
Austin Butler interpreta Elvis Presley

Sextou! Nesta sexta, 14 de outubro, a dica cultural é do professor Amarildo Trevisan, do departamento de Fundamentos da Educação da UFSM. A sugestão é assistir o filme mais recente que conta parte da vida de um dos maiores astros de rock da história, Elvis Presley. A cinebiografia ‘Elvis’, estrelada por Austin Butler, com quase três horas de duração, chegou às salas de cinema do Brasil em julho deste ano. Contudo, para quem não viu no cinema, o longa já está à disposição em várias plataformas de streaming, entre elas, na HBO MAX e na Amazon Prime Vídeo. Confira a dica abaixo.

Elvis vive

O filme Elvis (Estados Unidos, 2022), com roteiro e direção de Baz Luhrmann, é um testemunho apropriado de nosso tempo. Adorno e Horkheimer diziam em seu livro “Dialética do Esclarecimento” que a indústria cultural é uma caricatura da vida. Ou seja, ao fabricar um produto cultural, como cinema ou literatura, do mesmo modo como se fabrica um automóvel em série, ela imita a vida banalizando-a.

Hoje em dia, a indústria cultural não só caricatura a existência, mas ela consegue ir além do que aí está.  O padrão de vida decaiu tanto que ele próprio virou uma caricatura da arte pop. Por isso, na contramão dos valores do conservadorismo social e político ainda vigentes, o filme sobre Elvis Presley apresenta um tom antiviolência e antirracista. E, ao mesmo tempo, tem um apelo religioso difícil de não incomodar.

Elvis se inspirou, ainda na sua infância, no transe vivido nas religiões afrodescentes do sul dos Estados Unidos para criar os seus trejeitos ao dançar. Ao se apropriar do jazz, do gospel e procurar fazer um “branqueamento” do rock, Elvis deu visibilidade ao que era reprimido pela sociedade conservadora norte-americana da época.  E quando o seu empresário, coronel Tom Parker, maravilhosamente interpretado por Tom Hanks, o “descobre” e o “fabrica” para o grande público, ele o procura como a um “escolhido”. Porém, diferente da religião, que exige renúncias aos valores do mundo, Elvis diz sim aos apelos da indústria do consumo, desde quando desejou dar um Rolls-Royce para sua mãe.

Diferente do gesto que gera a religião cristã (a rejeição à adoração do bezerro no deserto, ou a negação da tentação do diabo por Cristo), Elvis se entrega de corpo e alma ao poder e à glória. E isso até o ponto de ser imolado e consumido pela adrenalina que ela provoca. Pode-se dizer que deu a própria vida - como um cordeirinho imolado - no altar da indústria cultural.

E na sua dedicação exclusiva à carreira artística, o filme mostra como perdeu não apenas a si, mas a sua antiga e também a nova família. Ao final, o mesmo hotel internacional que Elvis fazia seus últimos shows já anuncia o espetáculo do grupo Jackson Five. Desse grupo iria emergir o futuro super star Michael Jackson, que não só casou com a filha de Elvis, mas acabou tendo um mesmo destino. Ao negar a sua humanidade para viver como um “semideus”, o mito Elvis ainda vive e inspira o nosso tempo.


Amarildo Luiz Trevisan

Professor Titular de Filosofia da Educação. Docente do departamento de Fundamentos da Educação.

 

Imagens: Divulgação e arquivo pessoal
Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)

Fotos da Notícia

Austin Butler interpreta Elvis Presley Professor Amarildo Trevisan

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