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30/11/2022 18h23m   30/11/2022 18h26m   | A+ A- |   301 visualizações

Reitoria apresenta proposta que enfraquece SiSU e retoma processos seletivos anteriores

UFSM alega índices de evasão para necessitar fazer a mudança, sem apresentar soluções para a efetiva permanência

Ascísio Pereira, presidente da Sedufsm: estudantes são a razão de existir da universidade, e há de se ter políticas de permanência voltadas a eles e elas
Ascísio Pereira, presidente da Sedufsm: estudantes são a razão de existir da universidade, e há de se ter políticas de permanência voltadas a eles e elas

A UFSM, que desde 2014 decidiu adotar o Sistema de Seleção Unificada (SiSU) como forma exclusiva de ingresso de novos estudantes na instituição, este ano rediscute o modelo e a possibilidade de retorno de processos seletivos até então superados localmente, como o vestibular e o processo seriado. Se a medida for aprovada, o SiSU terá menor participação percentual na entrada dos e das estudantes.

Na manhã desta quarta-feira, 30 de novembro, a gestão da universidade promoveu uma reunião aberta, em formato híbrido (presencial e com transmissão via Youtube), para discutir alterações na resolução 002, que regula as formas de ingresso aos cursos de Graduação e Ações Afirmativas correlatadas da UFSM. Tais alterações, contudo, têm de ser aprovadas primeiramente pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE). A previsão da UFSM é de que isso ocorra até fevereiro de 2023.

A mudança proposta se deve aos índices de evasão. No entanto, entidades sindicais, como a Sedufsm, e estudantes argumentam que é preciso discutir a permanência na Universidade e não o ingresso.  

Segundo Jerônimo Tybusch, pró-reitor de Graduação, se aprovada, a nova resolução de ingresso terá início em julho de 2023, de forma gradual, sendo plenamente efetivada em janeiro de 2026, no seguinte modelo:

- No primeiro semestre de 2023, as vagas ainda serão 100% via SiSU. Já no segundo semestre será feito um processo reduzido, em que 30% das vagas serão reservadas para o vestibular e 70% das vagas para o SiSU;

- Em 2024, a proporção de 70% das vagas para o SiSU e de 30% das vagas para o vestibular se mantém, e a primeira prova do processo seletivo seriado (PSS1, referente ao primeiro ano do Ensino Médio) é realizada;

- Em 2025, ocorre a segunda prova do processo seletivo seriado (PSS2, referente ao segundo ano do Ensino Médio), e a proporção de vagas segue 70% para SiSU e 30% para vestibular;

- Já em 2026, ano de realização da terceira prova do processo seletivo seriado (PSS3, referente ao terceiro ano do Ensino Médio), as proporções finalmente se modificam: 30% das vagas seriam para o SiSU, 30% para o vestibular e 40% para o processo seletivo seriado.

Tais alterações não representam prejuízo, ressalta Tybusch, às vagas suplementares, voltadas, por exemplo, ao processo seletivo indígena, a refugiados e imigrantes em situação de vulnerabilidade e a outras modalidades que vêm sendo discutidas na instituição, como o ingresso de medalhistas em olimpíadas de conhecimento, de idosos, de atletas de alto rendimento, de pessoas trans, de quilombolas e de pessoas com deficiência que não estejam abrangidas pela lei nº 12.711 (por terem estudado como bolsistas em instituições privadas).

Tal lei, aprovada em 2012 pelo governo da presidenta Dilma Rousseff, instituiu a implementação gradativa das cotas nas universidades públicas, até chegar à metade das vagas para estudantes cotistas. O processo era para ser concluído em 2016, mas a UFSM, em 2015, já alcançou os 50% de cotas.

Argumentos para a alteração nas formas de ingresso

Ao colocarem os argumentos para a aprovação da nova resolução referente às formas de ingresso nos cursos de graduação da UFSM, o reitor, Luciano Schuch, a vice-reitora, Martha Adaime, e o pró-reitor de Graduação, Jerônimo Tybusch, destacaram que o objetivo é diminuir a evasão nos cursos e gerar uma identificação maior dos estudantes com o curso de sua escolha e com a instituição. “Estamos revendo o sistema de ingresso pois queremos alunos vocacionados com seu curso. Que escolham seu curso e depois façam uma prova para ingressar nesse curso. Não o contrário: hoje o aluno tem uma nota e depois decide em que curso entrar [a partir daquela nota]”, disse Schuch.

Tybusch explicou que as evasões das instituições brasileiras orbitam entre 20 e 30%. "Tínhamos na Ufsm, em 2011, uma evasão de 12,8%. A evasão é conjuntural, tem vários aspectos que a explicam", diz o gestor. 

O contraponto de sindicatos e entidades estudantis

O problema da evasão na universidade, contudo, não pode ser resumido a uma questão de ingresso. Tanto Ascísio Pereira, presidente da Sedufsm, quanto Luiz Eduardo Bonetti, coordenador geral do DCE UFSM, destacaram que a principal demanda a ser discutida pela universidade agora deveria ser o desafio da permanência.

Ao lembrar as disputas travadas dentro de Santa Maria em 2014, quando da discussão sobre a adesão ao SiSU, Pereira alerta para o fato de que aquele movimento entrou em choque com o interesse de setores da cidade. “Em 2014 participamos do movimento pelo SiSU. Foi de muita luta interna e externa. Tivemos audiência pública inclusive na Câmara Municipal de Santa Maria. E depois de aprovado [o SiSU como método de entrada], ainda tivemos uma ação na justiça e, em função dela, adiamos de 2015 pra 2016 o processo de entrada”, retomou o dirigente da Sedufsm.

Para ele, todas as alterações que forem feitas nas formas de ingresso devem ser baseadas em dados científicos. Mais que discutir o acesso, porém, o momento seria de viabilizar maneiras para que as e os estudantes tenham condições de concluir seus cursos.

“Nosso problema está na forma de ingresso ou na garantia de permanência dentro da instituição? Tudo em uma instituição de ensino só faz sentido se tivermos a garantia da presença dos estudantes. Não existe universidade sem estudante. E, para que o corpo discente permaneça, as políticas públicas de permanência são fundamentais”, complementou Pereira, argumentando, também, que os índices de regionalização da UFSM aumentaram com o SiSU.

Bonetti, dirigente do DCE UFSM, questiona a Administração Central sobre se há dados específicos acerca da evasão de estudantes cotistas, e problematiza: “se tem estudante cotista evadindo, isso já vai para questões de racismo, problemas econômicos e políticas de saúde mental”. Outra preocupação apresentada pelo estudante é com relação aos cursos que são tradicionalmente secundarizados por não terem um retorno financeiro validado pelo setor privado. “O vestibular vai garantir que os cursos secundarizados se mantenham? Porque a tendência é prevalecer os interesses do estado e da região”, projetou.

Xainã Pitaguary, estudante indígena da UFSM, reforçou a perspectiva de que o foco da discussão neste momento deveria ser a permanência estudantil.  “Estamos fortalecendo a pilastra, mas deixando o teto da oca cheio de buraco. Colocamos estudantes dentro da universidade e não conseguimos que esses estudantes permaneçam”, complementou.

 

 

Texto e prints: Bruna Homrich

Assessoria de Imprensa da Sedufsm 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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