Os sindicatos pulsam e são referências de lutas e conquistas
Publicada em
19/12/2025
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Os sindicatos foram formados nas sociedades capitalistas para um propósito fundamental: a defesa dos/as trabalhadores/as e o reequilíbrio da balança de poder nas relações de trabalho. Historicamente, o poder patronal é vasto, e o/a trabalhadora, individualmente, possui poucas chances de contrapô-lo. A organização sindical transforma essa dinâmica, permitindo a negociação coletiva em nome de toda uma categoria, o que confere a capacidade de obter conquistas para todos/as.
O ano que se encerra foi marcado por desafios intensos, mas também por vitórias significativas que atestam a vitalidade da organização sindical. A atuação da Sedufsm, neste período, concentrou-se na defesa intransigente da educação pública, dos direitos dos e das docentes e na construção de uma sociedade mais justa. A campanha “Seja Sedufsm, transforme o mundo”, mote adotado nos últimos anos, não é apenas um convite aos colegas, mas uma clara indicação da capacidade transformadora que reside na organização e na luta coletiva.
Essa percepção encontra respaldo na opinião pública brasileira. Apesar de anos de ataques e da disseminação do clichê de "sindicato que não representa ninguém", a realidade factual desmente o mito. Uma pesquisa de opinião recente, realizada pelo Vox Populi, revela que 68% dos brasileiros consideram os sindicatos importantes para defender direitos e melhorar as condições de trabalho.
Adicionalmente, mais de 70% da população defende o direito de greve, e, o que é notável, até mesmo entre autônomos e empreendedores (setores historicamente mais distantes), quase metade manifesta o desejo de ter uma representação sindical. Este cenário demonstra que, em momentos de ameaça constante aos direitos, a classe trabalhadora compreende a necessidade vital da organização coletiva para articular as lutas e defender seus interesses.
Em 2025, as organizações sindicais, em união com outros movimentos sociais, protagonizaram importantes lutas e alcançaram vitórias expressivas. Dentre elas, destacamos a conquista da isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil, um alívio fundamental para milhões de trabalhadores. Igualmente relevantes são as mobilizações atuais contra a escala de trabalho 6x1, que pressionam o Congresso Nacional por jornadas mais dignas. Em Santa Maria, a greve vitoriosa dos professores e de outros trabalhadores municipais demonstrou, com eficácia, o poder do movimento paredista como ferramenta legítima de luta.
No entanto, o serviço público, pilar essencial para a garantia dos direitos de cidadania e para o desenvolvimento nacional, permanece sob ataque de propostas como a PEC 38/2025 (a chamada Reforma Administrativa). Essa proposta visa precarizar e desmantelar a estrutura estatal. O conjunto dos servidores públicos tem se mobilizado com firmeza, expressando sua indignação, como na grande marcha realizada no final de outubro em Brasília e nas diversas atividades em Santa Maria. A união tem sido forjada na defesa dos direitos dos/as servidores/as e na proteção e extensão do serviço público de qualidade para todos/as. A Sedufsm é protagonista neste movimento, reconhecendo que a defesa da categoria docente é, intrinsecamente, a defesa de uma universidade pública, gratuita, diversa e de qualidade.
A luta futura exige a organização presente. A relevância da sindicalização, atestada por pesquisas e pelas vitórias conquistadas, reforça a máxima: a força reside na união. O próximo ano demandará uma mobilização ainda maior para defender a universidade pública, os direitos e o futuro do serviço público brasileiro.
A Sedufsm constitui o espaço de ação e representação da categoria docente na UFSM.
Sobre o(a) autor(a)
Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFSM, atual presidente da Sedufsm