Nunca duvidem do povo brasileiro! Virada histórica e lições SVG: calendario Publicada em 29/10/2026 SVG: views 61 Visualizações

A vitória das forças democráticas no segundo turno das eleições brasileiras não representou apenas o encerramento de um ciclo eleitoral, mas um marco histórico global. Diante do avanço do extremismo de direita e da desinformação nas redes digitais, a resposta popular demonstrou a força da resistência democrática por meio do engajamento de pessoas comuns e de movimentos sociais.

O cenário enfrentado exigiu uma mobilização popular sem precedentes para derrotar uma aliança poderosa: o fascismo, os bolsonaristas, as milícias, o poder econômico, as big techs e a influência direta de Donald Trump.

Nas cidades, a extrema-direita avançou sobre as periferias e centros urbanos usando o peso do poder econômico, a desinformação, as igrejas e o controle territorial das milícias. Na internet, a disputa foi totalmente assimétrica, com as redes sociais servindo de amplificador para um projeto internacional liderado por Trump que tenta desestabilizar a América Latina e interferir nas nossas eleições, a exemplo do que já ocorreu em países vizinhos.

Diante dessa assimetria, numa verdadeira luta de Davi contra Golias, a resistência se organizou em todo o país a partir de uma ampla frente de protagonistas: estudantes, universidades públicas, artistas, intelectuais, influencers, sindicatos e movimentos sociais. Juntas, essas forças assumiram centralidade na defesa da educação, da ciência, da soberania nacional e das liberdades democráticas. Além disso, foram decisivas na mobilização cultural, no eco das pautas sociais e ambientais, na proteção dos salários, da previdência e dos direitos trabalhistas, bem como na luta pelo fim da escala 6x1 e das bets.

No campo da comunicação e do ativismo digital, a resposta ganhou contornos inéditos de contraofensiva. A atuação do chamado "Exército do Lula" — com mais de 10 milhões de pessoas organizadas em um canal digital sob a liderança do deputado André Janones — somou-se à força de outros canais digitais para conquistar vitórias históricas para a esquerda nas redes sociais e impulsionar a retomada das ruas.

A esse movimento juntaram-se comunidades acadêmicas de todo o país, a exemplo da UFSM, onde estudantes, docentes e TAEs se engajaram ativamente. Esse conjunto desempenhou um papel relevante ao enfrentar a máquina de desinformação, criando e difundindo pautas, furando bolhas informacionais e mobilizando votos em momentos decisivos.

A articulação entre movimentos sociais, sindicatos, estudantes, periferias e partidos superou o grande poder do adversário. Pesquisas do Datafolha e do Ipec indicam que a presença das periferias das grandes metrópoles, da população do Nordeste, dos idosos e dos jovens foi decisiva para conter a onda extremista, demonstrando que a atuação política direta e a consciência do que estava em jogo na eleição prevaleceram no segundo turno.

O resultado brasileiro ecoa internacionalmente como uma das demonstrações mais contundentes de contenção do fascismo contemporâneo. Em um mundo onde democracias tradicionais fraquejam, o Brasil provou que a extrema-direita não é invencível quando encontra um povo organizado e consciente de suas pautas prioritárias: justiça social, soberania e combate às desigualdades.

O desafio que se abre agora é transformar essa vitória nas urnas em uma reconstrução profunda e estruturante. É preciso avançar com urgência em temas centrais: garantir a recuperação integral do orçamento e a expansão das universidades e institutos federais, valorizar os trabalhadores da educação em todos os níveis e incluir o povo nas decisões e no orçamento público.

Para este novo mandato, a expectativa é impulsionar a reindustrialização sustentável, a transição ecológica, o controle público das big techs, a erradicação definitiva da fome, o reforço da segurança pública e no SUS e a garantia de uma escala de trabalho justa. Afinal, as evidências do nosso desenvolvimento demonstram uma premissa fundamental: um país só avança de fato quando o seu povo avança junto.