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O último levante dos gaúchos: 60 anos da Legalidade

01/09/2021

Leonardo da Rocha Botega
Professor de História do Colégio Politécnico da UFSM

Era 28 de agosto de 1961, pelo país inteiro imperava um clima de tensão e incerteza, os traumas de um outro agosto, o de 1954, ainda não estavam curados. As feridas produzidas pelo suicídio do presidente Getúlio Vargas seguiam abertas. Os fantasmas golpistas e as forças (nem tão) ocultas, mais uma vez, vagavam entre os quarteis, procurando personagens dispostos a interromper o experimento democrático iniciado em 1945.

Eram 11 horas da manhã, as ruas de Porto Alegre, sobretudo, o entorno do Palácio Piratini, haviam se transformado em um campo de uma batalha por três palavras: liberdade, democracia e legalidade. Em algumas horas, em um tabuleiro político tomado por atores fardados, uma jogada encaminharia o desfecho do movimento. Enquanto isso, um dos principais “jogadores” tomaria em suas mãos o microfone da então encapada Rádio Guaíba e proclamaria que o Palácio Piratini estava transformado em uma cidadela que haveria “de ser heroica”. Uma “cidadela da liberdade, dos direitos humanos, uma cidadela de civilização, da ordem jurídica, uma cidadela contra a violência, contra o absolutismo, contra os atos dos senhores, dos prepotentes”.

Na Praça da Matriz, cerca de 100 mil pessoas, vindas dos mais variados locais da cidade, do Estado e do Brasil, ouviam em silêncio, aguardando o encontro definitivo entre dois personagens: o governador Leonel de Moura Brizola, o locutor da cadeia da Legalidade, e o General Machado Lopes, Comandante do III Exército. Ambos estiveram juntos três dias antes, no dia 25 de agosto, em um palanque militar montado para as comemorações do Dia do Soldado. Naquela ocasião, a cerimonia acabou sendo encurtada pelo clima de preocupação que se formou a partir da informação de que o presidente Jânio Quadros havia renunciado.

Político de ascensão meteórica, Jânio, que pertencia ao pequeno PTN, se elegeu presidente com apoio da antigetulista UDN. Sua campanha teve uma grande adesão popular, seu jingle e seu símbolo de campanha, a Vassoura, remetiam a ideia de combate à corrupção e à política tradicional. Obteve 48% dos votos! Para o cargo de vice-presidente foi eleito o herdeiro político de Getúlio, João Goulart.

Diante da renúncia de Jânio Quadros, a Constituição determinava a posse do vice-presidente. Porém, os setores antigetulistas, tanto civis, como militares, viam Jango como um grande inimigo, sobretudo, por suas relações com o sindicalismo. Para piorar a situação, no fatídico dia da renúncia, Jango se encontrava em missão internacional na China comunista, seguindo a nova orientação dada a política externa brasileira, mais aberta, realista e pragmática, e menos atrelada aos interesses dos EUA.

Os sinais de que tais setores não aceitariam a posse de João Goulart eram evidentes. Os golpistas da UDN, representados por Carlos Lacerda, montaram acampamento junto ao Comando do Exército, certos de que desta vez não haveria uma reação popular com em 1954 ou uma reação militar como a que garantiu a posse de Juscelino Kubitschek, em 1955. Ledo engano!

Brizola transformou a capital do Rio Grande do Sul em uma grande trincheira pela democracia. Uma trincheira que na manhã daquele 28 de agosto se via ameaçada, na dependência dos resultados do novo encontro entre o governador e o general. Desde o dia 25, Machado Lopes estava vacilante, espremido entre a posição do comando nacional do exército e a da multidão que, com a Constituição na mão, exigia legalidade. Porém, momentos após o pronunciamento do governador, o general conservador literalmente foi ao encontro do jacobino gaúcho anunciando a adesão do III Exército à defesa da Constituição.

O que se seguiu foi uma verdadeira apoteose popular. Uma apoteose que, alguns dias depois, se dividiria entre o alívio e a frustração diante do acordo costurado por Jango (através de Tancredo Neves) com os golpistas. Segundo a História vista de cima, foi o Acordo do Parlamentarismo que impediu o golpe. Porém, para a visão daqueles que olham de baixo, foi o último levante dos gaúchos que garantiu mais um respiro para a democracia. Foi o povo, liderado por Brizola, que convenceu, 60 anos atrás, um general conservador a não atacar a própria nação e a defender a liberdade, a democracia e a legalidade.

(Artigo publicado originalmente no site do jornalista Claudemir Pereira em 26.08.2021)




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