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Cemitério de fracassados

27/10/2021

José Renato da Silveira
Professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais

Dizia um cientista inglês que as teorias só podem ser uma de duas coisas: ou são verdadeiras ou são falsas. Em relação aos modelos, há uma terceira alternativa: podem ser certos, mas irrelevantes. Em matéria social, as teorias, mesmo corretas, são abstratas demais. Daí a necessidade de que as pessoas precisam ver a teoria realizada na prática, isto é, precisam de um modelo. E não importa se os modelos decepcionam. Isso não diminui a fé cega na moda do momento.

O século XX foi um cemitério de modelos. Do lado das utopias totalitárias, o fascismo capaz de fazer os trens cumprirem horário, o nazismo construtor de autoestradas e vencedor do desemprego, o stalinismo da “edificação do socialismo num só país”, o comunismo de Khruschov que prometia enterrar os capitalistas, o maoísmo das comunas e da Revolução Cultural.

No campo das economias mais ou menos de mercado, o New Deal de Roosevelt, o “desafio japonês”, “milagre italiano”, da “economia social de mercado” alemã, da “social democracia” sueca, da “economia de oferta” de Reagan, da revolução thatcheriana, dos “milagres” espanhol, mexicano e até brasileiro.

Como afirma Rubens Ricupero, “os modelos devem ser consumidos no local, como peixe fresco e as jabuticabas. Quando se tenta exportá-los, quase sempre se estragam. É difícil transportá-los a outros solos, ou porque faltam os elementos responsáveis pelo êxito original – tamanho de mercado, recursos naturais, infraestrutura – ou porque as instituições, a história, a cultura são completamente diferentes”.

O caso americano é exemplar nessa perspectiva. Os Estados Unidos são, ao mesmo tempo, o país mais imitado e mais inimitável do mundo. Dotado de superlativas vantagens materiais em riquezas extraordinárias e da escala gigantesca do mercado. Poucos países dispõem de tamanho e recursos.

No excelente livro “A excepcionalidade americana” de Seymour Lipset, o sociólogo estadunidense aponta que o que torna os americanos especiais é  “a existência de um credo partilhado por quase todos os cidadãos, um conjunto de crenças e valores sobre a natureza de uma boa sociedade, em grande parte derivados da Revolução da Independência, que inclui o culto da liberdade, a igualdade de oportunidades (não de resultado), o individualismo, a hostilidade à economia estatal, a aceitação de competição externa, a ação afirmativa para promover a mudança social e etc”.

Lipset demonstra em uma pesquisa singular como as atitudes dos americanos diferem das de outros povos. “Consultados sobre se o governo deveria reduzir a diferença de renda entre ricos e pobres, apenas 38% dos americanos concordaram, contra 65% dos ingleses, 66% dos alemães e 80% dos italianos”. Vê-se que há aí uma clara escolha de alguns valores, de preferência a outros. Nos Estados Unidos, a concorrência exacerbada ou a insegurança do emprego, são mais toleráveis do que demais países.

Em razão de condições culturais ou históricas distintas, outros povos optaram por valores alternativos. Os escandinavos privilegiam o igualitarismo; Os japoneses, o interesse comunitário e o emprego vitalício; os alemães, o consenso social e a estabilidade monetária; os franceses, o Estado forte de Colbert e Napoleão e os valores da Revolução de 1789.

Ricupero assinala: “o desafio de cada povo é, portanto conciliar seus valores e problemas com as exigências globais válidas para todos: equilíbrio macroeconômico, eficiência, competitividade. Depende de cada sociedade dar peso maior ou menos a um ou outro desses elementos, consciente de que toda escolha envolve benefícios e custos”.

O Brasil precisa aprender rápido que a introdução de modelos importados só aumentam o cemitério dos fracassados.




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