O que eu aprendi com o sindicato SVG: calendario Publicada em 05/08/2026 SVG: views 85 Visualizações

Entrei na UFSM em junho de 2017 e pouco mais de um ano depois estava inserida em diversas instâncias políticas da instituição ou ligadas a ela e da cidade. Participei da coordenação do meu curso, assumi como conselheira no CEPE, atuando intensamente na pandemia, me integrei às setoriais da educação,  cultura e mulheres do Partido ao qual sou filiada, fui conselheira municipal de cultura e delegada estadual da setorial da Dança.  E, ao mesmo tempo,  me filiei à Sedufsm.

Como filiada da base, frequentava as assembleias e as atividades sindicais. E, assim, diante da minha atuação política dentro e fora do arco,. acabei sendo convidada a integrar a chapa Renova, em 2020, mantendo-me na diretoria por três gestões.  Agora, me desfilio da Sedufsm, pois deixei a UFSM. Volto para minha terra natal, desejo acalentado nos últimos anos...

Quando olho para trás, para os últimos cinco anos, vejo o quanto aprendi com o sindicato.  Cheguei à direção sem experiência anterior no sindicalismo, mas bastante em gestão e atuação política. E aprendi muito.

Integrei quatro Grupos de Trabalho da Sedufsm/Andes, ligados a temas diversos: educação (GTPE), carreira, gênero e raça (GTPCEGDS) e comunicação e arte. Foi nesta última área que, como diretora,  atuei fortemente, em nível local, ajudando a dar a “cara” da nossa comunicação sindical e das ações culturais da nossa gestão. Os GTs me deram a oportunidade de conhecer mais a política sindical, de aprender sobre algumas temáticas, e de pensar sobre como criamos condições de trabalho melhores para todos/as.

Reforcei, com o sindicato, a necessidade da coerência da qual sempre Paulo Freire nos dizia, da nossa vida com nossa prática. Se, como dirigentes, defendemos trabalhadores/as, tem que ser todos/as - inclusive quem trabalha no sindicato. E nossa gestão investiu muito em pessoal e aprendi muito com nossa equipe, da Comunicação, a qual tinha mais contato, mas também a Administrativa. Sem eles/as o sindicato não anda.

Apesar de, na UFSM, ser professora da Dança, vivi anos nos bastidores antes da atuação universitária, como jornalista. E me vi, no sindicato, tendo de ser protagonista, dar a cara à tapa. No início,  me apoiava na escrita, e desenvolvi muito material para o sindicato, ajudando a dar diretrizes políticas para nossas ações; depois fui conseguindo dar entrevistas e falar em atos políticos.  É um aprendizado pessoal muito valioso. Apesar de sempre viver a política, não só a partidária, mas da classe artística – em conselhos municipais ou estaduais -, nunca havia me imaginado sindicalista, muito menos discursando em carro de som.

Nesses anos de direção sindical, acho que o mais importante foi a escuta e o olhar atento. Uma qualidade que, como professora de Artes, já exercia, mas foi aprofundada na Sedufsm. Criamos, em todo início de semestre, o acolhimento, ocasião em que íamos às unidades conversar com os e as docentes. Para além destas atividades pontuais, percebi que, como líder sindical, preciso estar atenta ao entorno, identificando quais são as problemáticas que afligem à classe. E que política se faz coletivamente. Foi muito bom conversar com colegas, tanto em visitas, quanto em corredores ou receber demandas a serem discutidas coletivamente.

Foi assim que derrotamos a minuta da progressão, que lutamos contra a volta do vestibular,  que fizemos discussões importantes quanto ao assédio na instituição e a necessidade de melhorar nossa política de gênero, de modo que seja mais efetiva, com ações que protejam servidoras mães, com ações que estimulem o exercício de cargos de chefia para mulheres, entre outras questões. Inclusive, em 2024, na discussão nacional sobre carreira docente, a Sedufsm foi a única seção sindical do Andes que levou um Texto de Resolução (TR) que discutia as questões de gênero na carreira e solicitou que houvesse reuniões conjuntas dos dois GTs (Carreira e GTPCEGDS). Do mesmo modo que, mais recentemente, iniciarmos uma discussão no GTPCEGDS sobre a lei de cotas e a necessidade (ou não) de cotas reparadoras.

Dos meus nove anos de UFSM, cinco deles foram também dedicados à gestão sindical e agradeço imensamente não apenas aos/às colegas diretores/as e trabalhadores/as da Sedufsm, mas aos/às colegas da base que me abriram percepções e problemáticas do fazer docente cotidiano. Minha vida foi transformada pela Sedufsm e desejo que, para quem fica, Seja Sedufsm, transforme o mundo!

Sobre o(a) autor(a)

SVG: autor Por Neila Cristina Baldi
Ex-professora do curso de Dança-Licenciatura da UFSM; ex-diretora da Sedufsm