Proposta de código disciplinar discente causa preocupação na UFSM SVG: calendario Publicada em 13/12/17
SVG: atualizacao Atualizada em 14/12/17 14h58m
SVG: views 3253 Visualizações

Entidade estudantil rejeita texto; PRAE diz estar aberta a diálogo

Alt da imagem

A elaboração do Código Disciplinar Discente tem dividido opiniões na UFSM. Se, por um lado, a reitoria diz que o documento não infringirá direitos dos(as) estudantes; por outro, o movimento estudantil alerta para possíveis perseguições políticas advindas de um caráter punitivo do texto.

Tamara Juriatti, do Diretório Central dos Estudantes (DCE), explica que o projeto de minuta vinha tramitando desde 2016, porém só recentemente as entidades estudantis foram chamadas ao debate. Mesmo avaliando ser curto o tempo reservado ao debate sobre a minuta com a comunidade acadêmica, o DCE pautou essa discussão em reunião do Conselho de Entidades de Base (CEB), composto por Diretórios Acadêmicos, que promoveram assembleias estudantis nos cursos tendo por temática a minuta.

Posteriormente, os estudantes, reunidos em assembleia geral, apontaram que o projeto de minuta não contemplava o segmento, sendo necessário, então, recomeçar do zero as discussões sobre um código disciplinar discente.

O objetivo da minuta à qual os estudantes contrapuseram-se seria normatizar direitos e deveres dos estudantes da UFSM, estabelecendo diferentes punições a depender das infrações cometidas por estudantes. Está prevista, ainda, a conformação de uma comissão geral, formada por 48 membros indicados pelos Conselhos dos Centros de Ensino e instâncias equivalentes que existam nos campi descentralizados, além do Colégio Técnico, Politécnico, Ipê Amarelo e Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE).

A proposta é que a comissão geral seja constituída por subcomissões, compostas por 2 servidores(as) e um(a) estudante, responsáveis por avaliar as denúncias e, quando necessário, aplicar sanções – que podem ser de repreensão, de suspensão ou definitivas (desligamento da instituição).

Contrapontos

Nas unidades de ensino, as pessoas – sejam estudantes, docentes ou técnico-administrativos em educação – tendem a se conhecer, ainda que minimamente. Para Tamara, essa realidade pode facilitar a prática da perseguição, fazendo-se necessário, para que assim não ocorra, que a comissão avaliadora seja paritária e formada por pessoas que não tenham relação com o(a) estudante investigado(a). “Na universidade, temos uma hierarquia de professores e técnicos para com os estudantes”, ressalta a estudante.

Um dos pontos mais criticados pelo DCE acerca da minuta é a verticalização que marcou o processo de tramitação até então. “O projeto veio de cima para baixo. Nós não sabíamos que esse debate se desenrolava desde o ano passado”, afirma Tamara.

Em entrevista à Assessoria de Imprensa da Sedufsm, o pró-reitor de Assuntos Estudantis, professor Clayton Hillig, explicou que a minuta originou-se na Comissão Permanente de Sindicância e Inquérito Administrativo (COPSIA), tendo tramitado na Coordenadoria de Planejamento Administrativo (COPLAD) da Pró-reitoria de Planejamento (PROPLAN) e, apenas em outubro deste ano, chegado à PRAE.

“No momento em que chegou à PRAE, abrimos discussão com estudantes. Estamos conversando com o DCE como representante dos estudantes e todas as sugestões que foram encaminhadas pelo DCE até agora foram incorporadas à minuta, e essa é a única que será encaminhada aos conselhos superiores”, diz Hillig.

Ele esclarece que o texto da minuta ainda tramitará na Pró-reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP) e, posteriormente, passa para avaliação nos conselhos superiores. “No plenário do CONSU, os estudantes têm os seus representantes. Então é um diálogo que está aberto, pois o código visa a proteger e não a reprimir”, acrescenta o pró-reitor.

Contudo, o setor estudantil carrega receios, sendo um deles o de criminalização, através das punições, dos(as) estudantes que se incorporarem a processos de mobilização. Tamara diz que o texto da minuta disciplinar pode ser usado para repreender até mesmo estudantes que se posicionem contrariamente à visão ideológica do(a) professor(a) em sala de aula.

Hillig ressaltou que a proposta de código disciplinar expressa preocupação com as agressões, a violência, o assédio e o racismo, “que não existe só entre servidores e estudantes, mas também entre os próprios estudantes”, pondera.

O DCE, contudo, alicerçado por decisão da assembleia geral estudantil, considera o processo de construção da minuta problemático em sua totalidade, desde o método até o conteúdo, fazendo a defesa de uma nova construção, que comece da base e por ela seja diretamente permeado. A entidade, inclusive, publicou, em sua página de Facebook, nota de repúdio ao código. 

“A gente entende a importância de ter um código que regulamente o assédio contra estudantes, o racismo, a lgbtfobiaa a violência contra a mulher”, conclui Tamara.

 

Texto: Bruna Homrich

Fotos: DCE-UFSM e Arquivo/Sedufsm

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

 

 

 

 

SVG: camera Galeria de fotos na notícia

Carregando...

SVG: jornal Notícias Relacionadas

Aplicativo ‘MEC Livros’ disponibiliza gratuitamente milhares de obras literárias

SVG: calendario 09/04/2026
SVG: tag Sedufsm
Biblioteca pública online traz livros de autores como Clarice Lispector, Ariano Suassuna e Gabriel García Márquez

Lei amplia licença-paternidade para 20 dias e cria salário-paternidade

SVG: calendario 08/04/2026
SVG: tag Sedufsm
Diretor da Sedufsm elogia importância da medida, mas defende que licença devia ter sido estendida até 30 dias

Brasil já tem seu Plano Nacional de Educação para os próximos 10 anos

SVG: calendario 02/04/2026
SVG: tag Sedufsm
Docentes fazem reflexões sobre o PNE que deve vigorar de 2026 a 2036

Veja todas as notícias