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25/10/2021   25/10/2021 17h53m   | A+ A- |   141 visualizações

Historiador comenta acenos de Bolsonaro a grupelhos fascistas

Odilon Caldeira Neto é o entrevistado da 47ª edição do programa Ponto de Pauta


Quando representantes do governo Bolsonaro, ou mesmo o próprio presidente, lançam mão de símbolos, slogans e outros elementos constitutivos do imaginário fascista, fazem-no por duas razões. A primeira seria para promover a tão comentada “cortina de fumaça”, utilizada em momentos de crise econômica, política, sanitária ou moral, por exemplo.

“Os temas típicos do fascismo são utilizados como elementos de dispersão em momentos mais centrais de crise do governo Bolsonaro. Há, então, o uso político do passado fascista pelo governo Bolsonaro”, explica o professor de História da Universidade Federal de Juiz de Fora, coordenador do Observatório da Extrema Direita e autor de dois livros sobre o integralismo, Odilon Caldeira Neto. Ele foi o entrevistado da 47ª edição do Ponto de Pauta, programa de entrevistas da Sedufsm, que, desta vez, trouxe como tema “A história e a atualidade do fascismo”.

A segunda razão pela qual o bolsonarismo utilizaria referências à estrutura mental, política e imagética do fascismo seria para incorporar os setores mais radicais e extremados da direita. “A extrema direita não se reduz ao bolsonarismo, então o bolsonarismo tem de neutralizar esse campo. Esses acenos são estabelecidos como processo de chamamento e assimilação de pautas da extrema direita que não é necessariamente bolsonarista [...] É também um momento de fidelização de suas bases mais radicais”, complementa Neto.

Ao utilizar a simbologia fascista como um arsenal ao qual recorre, com maior ou menor grau, a depender do momento político, o governo Bolsonaro acumula vantagens de duas ordens: ao mesmo tempo em que suscita polêmicas em momentos de crise, possivelmente desviando o foco central dos problemas, também se fortalece como uma referência para os setores mais extremistas da direita.

Fascismo como ideologia política

Na concepção de Neto, o fascismo deve ser encarado como uma ideologia política. Isso quer dizer que, embora tenha seu marco fundacional na Itália da primeira metade do século XX, trata-se de um fenômeno global – logo, não condicionado à Itália ou mesmo à Europa – e observado em diversos momentos históricos – não apenas no período entre guerras.

“O fascismo passa a ser um quórum ideológico mais ou menos bem estruturado que será e é apropriado mesmo após o fim da Segunda Guerra e da chamada era dos fascismos. O fascismo passa a ser um ponto de inspiração para a extrema direita global”, assegura o historiador. Como princípios constitutivos de tal ideologia estariam a ideia de regeneração da nacionalidade, militarização da sociedade, crítica à democracia liberal e aniquilamento de adversários políticos, sobretudo vinculados à esquerda.

Em 1945, o fascismo, como articulação política estruturada, teve seu fim e passou a ser combatido pelo campo político institucional. Contudo, os referenciais basilares dessa ideologia passaram a ser assumidos como inspiração para grupos de extrema direita em todo o mundo. De forma geral, tais grupos não possuem grande capacidade de mobilização social, mas se tornam um problema maior quando conseguem fazer penetrar suas ideias em organizações políticas institucionais de direita. Dessa comunhão pode ter surgido inclusive a força social que alçou Bolsonaro à presidência em 2018.

“Então o neofascismo não é apenas esse movimento dos grupelhos afastados do campo político majoritário, mas é um movimento de reemergência e rearticulação dos ideários fascistas em partidos políticos que não reivindicam necessariamente o estatuto fascista. É importante buscarmos entender como as organizações neofascistas que muitas vezes não se transformam em partidos, não participam de processos eleitorais, passam a desempenhar um papel de inspiração ou mesmo de certa penetração mais ampla [...]”, sugere.

“E aqui tomo como exemplo o atual governo brasileiro, que não reivindica o estatuto própria e exclusivamente fascista, mas é um porto seguro para organizações neofacistas. O neofascismo pode ser entendido não apenas do ponto de vista das organizações que continuam muitas vezes ilegais e utilizam métodos terroristas, mas também em uma ponte de ligação com essas novas direitas”, esclarece Neto.

O Ponto de Pauta na íntegra pode ser assistido abaixo ou em nosso canal de Youtube:

Texto: Bruna Homrich

Imagem: Rafael Balbueno

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

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