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14/04/2022   14/04/2022 14h41m   | A+ A- |   264 visualizações

Dica para o feriado: assistir “Somos todos iguais”

Sugestão do filme é da professora de Filosofia, Cecilia Pires


Nesta quinta, 14 de abril, véspera do feriado de sexta-feira santa, a dica cultural é da professora aposentada do curso de Filosofia da UFSM, Cecilia Pires. E a sugestão é um filme chamado “Somos todos iguais”, de 2017, com direção do norte-americano, Michael Carney. O enredo procura, segundo Cecilia,  traçar um cotidiano diverso em que personagens, os quais se fica sabendo serem pessoas reais, além do imaginário, produzem situaçōes de grande relevância ética, mostrando que muitos dos valores, que preenchem oratórias políticas e religiosas, não fazem parte do cotidiano das diferentes subjetividades.

A produção da Netflix, inspirada em uma história real, tem 2h de duração e possui em seu elenco atores e atrizes já bastante conhecidos e respeitados, tais como: Jon Voight, Renée Zelwegger,  Djimon Hounsou e Greg Kinnear. Leia a dica abaixo e, se possível, assista o filme.

"Somos todos iguais

O filme baseia-se numa história real, enredo vivido por três personagens principais Ron, negociante de artes bem sucedido, Denver, mendigo com as experiências de exclusão, próprias de moradores de rua e Deborah, mulher de Ron, dedicada a colaborar em uma Instituição de caridade, que atende especialmente os mendigos, oferecendo-lhes alimentação. Este aparecer não é estranho às pessoas habituadas com a contingência da pobreza.
O diretor Michael Carney trabalha o enredo com vários cortes de tempo, procurando inserir os personagens em diferentes lugares da narrativa que é densa, conflituosa, irônica e, sobretudo crítica em face de açōes discriminatórias, de fundo racial, econômico, nos ambientes sociais e familiares. Os elementos de inclusão e exclusão social aparecem bem destacados na ideia de igualdade a ser passada ao público.
As gradativas descobertas que os personagens têm acerca de si mesmos e dos outros intensifica o que se poderia entender como a fragilidade do laço social, especialmente, advindo de pessoas oriundas de ambientes e histórias diferentes, que acabam por se encontrarem nos caminhos da vida, por escolhas ou não escolhas. Em seus relatos, os nós, que os impedem de se sentirem felizes, são mais fortes do que os laços, que podem libertá-los e aproximá-los.
Interessante a cena inicial, em que o diretor destaca a ida de Ron para a casa de um amigo, em um lugar distante, pois ele pretende escrever um livro sobre tudo o que viveu para tentar entender os acontecimentos. Essa espécie de retrato da memória, com todas as filigranas do vivido, enseja ao espectador uma reflexão sobre o que os humanos fazem com os humanos, nos limites do bom e do ruim.

Há um cuidado do diretor para não cair num pieguismo fácil, próprio de uma caridade restrita, nem numa denúncia estreita e administrada, capaz de produzir barulhos, mas ineficaz. "Todos fizemos coisas das quais não nos orgulhamos". Quando se ouve esse diálogo entre os personagens, cujo teor invoca a dimensão mesma do comum entre as pessoas, retém-se o vigor de tal afirmação, na medida em que ninguém é capaz de fazer uma afirmação absoluta a respeito de si mesmo. 
A dialética do filme traz a imprevisibilidade dos atos humanos, especialmente, quando a escrita do livro é concluída e realizada a publicação.

Por que a dica do filme? Pelo fato da condução do enredo procurar traçar um cotidiano diverso, tratado com realismo crítico, em que personagens, os quais se fica sabendo serem pessoas reais, além do imaginário, produzem situaçōes de grande relevância ética, mostrando que muitos dos valores, que preenchem oratórias políticas e religiosas, não fazem parte do cotidiano das diferentes subjetividades. A importância de uma amizade construída, sem os cânones de doutrinas estabelecidas, é capaz de trazer ao palco da vida a compreensão de que 'Somos todos iguais'."

Cecilia Pires

Professora aposentada do departamento de Filosofia da UFSM.

 

Imagens: Technews Brasil e arquivo pessoal
Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)

Fotos da Notícia

Capa do filme Professora Cecilia Pires

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