Dica: ver ‘Ilusões perdidas’, adaptação da obra de Balzac SVG: calendario Publicada em 05/08/22 11h29m
SVG: atualizacao Atualizada em 05/08/22 11h41m
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Premiado filme francês é indicação da professora Bia Oliveira, da UFSM

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Sextou! Nesta sexta, 5 de agosto, a dica cultural é da professora Bia Oliveira, do departamento de Direito da UFSM. A sugestão é assistir ao filme que recebeu o maior prêmio do cinema francês (César), cujo título é “Ilusões perdidas”. O longa-metragem, lançado em 2021, é uma adaptação da obra do renomado escritor Honoré de Balzac, tem 2 horas e meia de duração e, ao menos por enquanto, pode ser visto apenas em plataformas de streaming. Apesar de lançado em algumas salas de cinema do Brasil no mês de junho deste ano, ainda não apareceu por Santa Maria. Confira a dica a seguir.

 

“Ilusões perdidas, filme que ganhou o César 2022 (mais importante prêmio do cinema francês) é uma adaptação para o cinema do romance de Honoré de Balzac. Normalmente, quando se trata de adaptações, as pessoas costumam dizer “o livro é muito melhor”. Não sou dada a este tipo de comparação, pois são linguagens diferentes. Para mim, conta muito a escolha dos aspectos da obra a serem abordados pelo filme, o que será posto em relevo – sem trair a obra adaptada – e isso, no meu entendimento, o diretor Xavier Gianno soube fazer muito bem. Some-se ao fato, o grande desempenho dos atores e atrizes.

O filme conta a história do jovem, belo e desafortunado Lucien De Rubempré, poeta desconhecido, mas com aspirações ambiciosas que deixa a tipografia em que trabalha na sua cidade natal (Angoulême - pequena cidade no sudoeste da França) para tentar a sorte em Paris sob tutela da sua mecenas – uma mulher casada da pequena nobreza local.  

Chegando à capital Lucien vai, aos poucos, descobrindo uma Paris trepidante e cruel ao mesmo tempo em que descobre que a vida literária, intelectual e artística não é mais do que a fachada de um sistema econômico no qual “tudo se compra e se vende: a literatura como a imprensa; a política como os sentimentos; a reputação como as almas” e, apesar dos espaços que conseguiu galgar, este sistema acaba se voltando contra ele.

O caminho no qual o jovem poeta vai perdendo suas ilusões inicia com o exercício do jornalismo – e é no que tange à imprensa que, no meu entendimento, mais profundamente podemos estabelecer um paralelo da obra e do filme em questão com a nossa época. É o debut da imprensa (e da publicidade) no formato capitalista que já nasce sustentada por interesses escusos, hipocrisia e, sobretudo, pelas “fake news”.

O filme também serve para mostrar que, mesmo que Ilusões Perdidas (volume 7 de “A Comédia Humana”) tenha sido escrito em meados do século XIX, é de uma atualidade impactante. É atual porque o capitalismo se “metamorfoseia”, mas não deixa de ser capitalismo. Não é à toa que Balzac era um dos romancistas preferidos de Marx.

Como estava em Paris na estreia do filme, depois de assisti-lo, deu-me vontade de visitar a Casa de Balzac e de reler as Ilusões perdidas. A casa, transformada em Museu, é a única morada parisiense do romancista que subsiste aos dias atuais. Nela estão, entre outras coisas, os originais e está exposta a genealogia da monumental “La Comédie Humaine” título pelo qual o autor francês nomeia todo o conjunto de sua obra – contos, romances, novelas (com exceção de alguns textos iniciais) – e que conta com mais de cento e trinta títulos. Quem tiver interesse em visitar virtualmente o museu o site é https://www.maisondebalzac.paris.fr
 

Bia Oliveira

Professora aposentada do departamento de Direito da UFSM.

 

Imagem: Divulgação e Arquivo
Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)

 

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