Adiada a votação sobre a volta do vestibular na UFSM SVG: calendario Publicada em 30/03/23 18h06m
SVG: atualizacao Atualizada em 30/03/23 19h15m
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Movimentos dizem que reitoria não dialogou o suficiente com a comunidade e que SiSU ainda é o método mais democrático

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O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) não votou, nesta quinta-feira, 30, a minuta que modifica a forma de ingresso na UFSM. A reunião, que começou às 8h30, foi suspensa pelo reitor Luciano Schuch, depois que estudantes, técnicos/as e docentes adentraram a Sala dos Conselhos e reforçaram, com alto falante, cartazes e gritos de ordem, a posição de que o SiSU é atualmente o método mais democrático de ingresso no ensino superior público brasileiro. E que, sem debate, não poderia haver votação. Frente à mobilização, o gestor suspendeu a reunião, que será retomada em data ainda a ser definida.

Contudo, um próximo capítulo desta pauta já está agendado para esta segunda-feira, 3 de abril, às 15h30, no Gabinete do Reitor, onde ocorrerá uma audiência com estudantes, docentes e técnico-administrativos em educação para discutir o tema. A falta de debate da reitoria tanto com a comunidade interna quanto com a comunidade externa tem sido uma crítica forte dos movimentos sociais e das entidades representativas sindicais e estudantis, que alegam falta de dados concretos capazes de demonstrar uma ligação incontestável entre o fenômeno da evasão e o SiSU.

Na análise dos movimentos sindical e estudantil, a principal explicação para os índices de evasão estarem aumentando na Ufsm é a escassez orçamentária responsável por diminuir consideravelmente os recursos destinados à assistência estudantil. Durante a pandemia e a crise social e econômica que a acompanhou, estudantes tiveram de retornar às suas cidades e assumir o papel de provedores do lar, ou, ainda, trancar seus cursos porque os auxílios ofertados não eram suficientes para garantir que continuassem estudando.

“Não houve debate e isso é muito grave”

Neila Baldi, diretora da Sedufsm, acompanhou toda a mobilização da manhã no CEPE. Ao destacar que a Constituição brasileira traz a necessidade de participação social, ela comenta que, no debate sobre retorno do vestibular e processo seriado, o que imperou foi a democracia representativa, com as e os representantes não ouvindo o que a comunidade pensava e sugeria sobre a questão.

“Quando a gente discute SiSU, vestibular e processo seriado, o que está em jogo é que tipo de universidade nós queremos. Nós da Sedufsm acreditamos em uma universidade democrática e plural, mas o processo de escolha de como vai ser o ingresso na Ufsm não foi nem democrático, nem plural. A minuta de resolução sobre o ingresso foi construída pela gestão e apresentada uma única vez no final de novembro do ano passado. Nesse dia, nós, assim como outras entidades representativas, nos posicionamos contra. No entanto, não houve mudança na minuta e ela foi levada ao CEPE em janeiro, ou seja, no final do semestre, sem debate. Com o pedido de vista ficou para o início do semestre. Mas como poderia haver debate durante as férias? Não houve. E isso é muito grave para uma universidade que se quer democrática e plural”, preocupa-se a dirigente da Sedufsm, argumentando ser necessário promover uma discussão efetiva sobre a questão nos centros de ensino e em audiências públicas amplas, tal qual foi feito na adesão ao SiSU em 2014.

“O dia de hoje foi importante para a reitoria saber que nós não vamos aceitar imposições sem debate”, complementa Neila.

Havia uma alternativa

Ao ler seu parecer na reunião do CEPE desta quinta, o relator do pedido de vista, Daniel Ballin, defendeu que se retirasse da minuta o retorno do vestibular e do processo seriado e se deixasse os processos seletivos específicos, a exemplo do vestibular indígena e da reserva de vagas para pessoas trans, atletas de alto rendimento, dentre outros. Ou seja, havia um caminho para que se votassem os outros pontos da minuta agora, e se adiasse a deliberação sobre o ingresso, propiciando maior tempo para organização de debates.

“Seria uma forma de, retirando agora, a gente poder parar e discutir, com dados de fato, e então em um outro momento poder avaliar se voltaria ou não o vestibular, mas entendendo, na nossa posição de diretoria, que o SiSU é a forma de acesso mais democrática à universidade. Acreditamos que a volta do vestibular significa que a elite, e não mais a classe trabalhadora, ocupará a Ufsm. Então o que está em jogo é uma visão de universidade, e eu sinto muito que a atual reitoria esteja alinhada ao governo anterior. Não é o momento de destruir ou enfraquecer o SiSU. Pelo contrário, nós passamos os últimos seis anos com desinvestimento em educação, e agora temos um governo que quer investir em educação e está aberto ao diálogo. Então agora é o momento de reerguermos o SiSU e o melhorarmos, ao invés de enfraquecê-lo”, pondera Neila.

Manifestações das e dos conselheiros

Durante a reunião do CEPE, vários conselheiros e conselheiras manifestaram-se favoráveis à manutenção do SiSU. É o caso do professor Gihad Mohamad, do departamento de Estruturas e Construção Civil, que, ao refletir sobre as causas da evasão, questiona se não seria momento de a Ufsm rever sua oferta de cursos, estudando melhor a realidade de cada região para planejar formações em maior consonância com as demandas e potencialidades das e dos estudantes.

A insuficiência de políticas de assistência estudantil também é ressaltada pelo docente e conselheiro. “A universidade é brasileira, e essa é a grande questão que o SiSU trouxe: permitiu que pessoas vindas de diferentes estados participassem nas suas regiões desse processo e disputassem vagas em qualquer instituição. Uma das coisas que me chama a atenção é realmente a evasão [...] Está na hora de repensarmos e não jogarmos toda a culpa em um processo seletivo como o SiSU. Em 2026, apenas 30% do ingresso será pelo SiSU. Estamos mudando radicalmente em um curto espaço de tempo, em apenas três anos. Temos que pensar a respeito do papel da universidade. O SiSU foi uma conquista de todos os brasileiros e brasileiras e voltar atrás é um retrocesso”, posiciona-se Mohamad.

Gléce Cóser, conselheira, técnica-administrativa em educação e diretora da Atens, salientou que o problema da educação brasileira é muito anterior ao ingresso no ensino superior, com dados do último censo do IBGE apontando para mais de um milhão de estudantes que não concluíram o ensino médio.

“Temos uma dificuldade que não é de ingresso no ensino superior. Nós passamos por um atentado que foi o COVID, que destruiu as pessoas no nosso Brasil, e isso fez com que nossos jovens que estavam na universidade saíssem e largassem o que estavam fazendo, porque tiveram que assumir papéis de sustentar a sua família. Eu vivenciei o Peies enquanto estudante. Não tinha um aluno negro na minha turma. A diversidade que essa universidade construiu ao longo do tempo não pode sofrer um retrocesso. Nesse momento retomar o vestibular e processo seletivo seriado não vai melhorar a situação, porque não basta colocar o estudante aqui dentro, precisamos manter esse estudante aqui dentro”, defende Glece.

Já Karla Essy, estudante de jornalismo na Ufsm, integrante do DCE e conselheira do CEPE, trouxe seu relato pessoal acerca da importância do Enem e do SiSU. Ela, que nunca teve condições financeiras de pagar um cursinho privado, ingressou na universidade graças ao trabalho das e dos educadores populares – concentrados nos cursinhos gratuitos Práxis e Alternativa.

“Vim do Maria Rocha e muitas vezes tínhamos que soltar mais cedo da aula porque não tínhamos o que comer, não tinha dinheiro para o lanche”, relata, questionando quais condições de igualdade estudantes de escolas públicas e privadas terão no momento de prestar vestibular à Ufsm.

“Em assembleia estudantil deliberamos que somos 100% SiSU. Fizemos agendas de mobilização. Conversamos muito com os estudantes, e em coro os estudantes gritam pra gente "somos SiSU". Queremos uma universidade plural, e se queremos universidade plural temos que ter ingresso universal”, defende Karla.

Mobilização permanente

A necessidade de debate ampliado com a comunidade e a defesa da democratização do acesso à universidade vem sendo pauta das mobilizações estudantis e sindicais desde o ano passado. Recentemente, a Sedufsm, junto ao Sinasefe, Atens, Assufsm, DCE e APG Ufsm, assinou carta em que defende o fortalecimento do SiSU e a recomposição orçamentária para garantir recursos de assistência estudantil. Tal carta foi enviada previamente às e aos conselheiros e panfletada na manhã desta quinta, no início da reunião.

 

Texto: Bruna Homrich

Fotos: Fritz Nunes

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

 

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