Assédio moral é uma das causas de adoecimento docente na UFSM SVG: calendario Publicada em
SVG: atualizacao Atualizada em 15/09/23 19h06m
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Três professores da instituição relatam como o sofrimento no trabalho deflagrou ou intensificou quadros depressivos e ansiosos

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No decorrer deste Setembro Amarelo, iremos, a cada semana, publicar uma reportagem que dialogue com alguma das temáticas relacionadas à saúde mental. Como sindicato docente, não poderíamos, portanto, deixar de tocar em uma discussão que vem, já há alguns anos, ganhando mais espaço e assumindo contornos de extrema relevância no interior do ANDES-SN e da SEDUFSM. Trata-se do adoecimento psíquico docente, motivo da procura de cada vez mais professores pelo sindicato, como confirmado pelo assessor jurídico da seção sindical, Heverton Padilha.

“É cada vez mais comum nos depararmos com situações envolvendo afastamentos de professores, pedidos de remoção ou até mesmo redistribuição envolvendo distúrbios causados por traumas emocionais relacionados ao trabalho”, comenta.

Esse é o caso das e dos docentes C., J. e R., da UFSM, que dividiram um pouco de suas histórias com a Assessoria de Imprensa da SEDUFSM e, nesta matéria, não serão identificados. Em comum, todos vivenciaram situações de assédio em seus locais de trabalho, que ou foram a motivação principal de seus adoecimentos, ou acionaram o gatilho que faltava para abrir a porta do sofrimento psíquico. Todas as fontes seguem sob tratamento medicamentoso e orientação psicológica.

C., por exemplo, relata já ter sentido os primeiros sintomas de sua depressão em 2019, com perda de apetite, tristeza e apatia. Mas foi em março de 2020 que a situação se agravou, levando-a a requerer licença médica junto à instituição. Embora a primeira perícia da universidade tenha sido acolhedora e sensível, na segunda faltou paciência e sobrou frieza, segundo a docente.

À época de seu adoecimento, trabalhava em um laboratório de pesquisa, exercendo atividades desgastantes que escapavam ao escopo de sua formação. A sobrecarga de trabalho, aliada ao viés machista e produtivista de seu departamento, contribuíram, na avaliação de C., em grande parte para seu adoecimento.

“Em fevereiro de 2021, poucos meses após meu retorno às atividades, fiquei sabendo, por terceiros, que o mesmo chefe havia aberto uma sindicância investigativa sem sequer ter conversado comigo antes. Quando descobri sobre a sindicância tive uma piora no quadro e precisei voltar a tomar medicação para dormir e ansiolítico. Apesar da sindicância investigativa não ter a obrigatoriedade de ser avisada ao docente, a atitude do chefe foi de extrema falta de empatia e, até por que não dizer, incompetência. O motivo não justificava a abertura da sindicância (posso provar, caso necessário)”, conta a professora.

‘Passei a encarar as reuniões como flagelo’

Há dez anos, J. teve uma crise de pânico e, como é usual às pessoas que são apresentadas pela primeira vez a essa sensação, achou que fosse morrer. Sua pressão, por diversas vezes, subia para algo em torno de 21/14, e a taquicardia aumentava a aflição e a angústia. Após consulta com psiquiatra, recebeu o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade.

O professor ingressou em um departamento da universidade via remoção. Ainda que amparado pela legislação e já tendo cumprido o período probatório, ouviu em uma reunião que seria necessário mais um tempo para que seu trabalho fosse avaliado e sua vinda fosse aprovada em definitivo.

“Posteriormente, estava lecionando uma disciplina que sou especialista, tendo sido avaliado pelos alunos com nota acima de nove, mesmo com reprovações discentes. Comecei a receber homenagens de formandos e, de repente, a chefia retira essa disciplina dos meus encargos de maneira unilateral e me atribui outra, totalmente diferente”, relata J.

À época de seu adoecimento, diz, as relações departamentais eram péssimas e práticas de perseguição e retaliação eram observadas, fazendo com que as divergências fossem um tanto sufocadas.

Mesmo diante desse cenário e já tendo um diagnóstico psiquiátrico, o professor não solicitou afastamento de suas atividades laborais. Mas o preço a pagar foi alto.

“Trabalhei e todas as vezes que ia para o departamento ficava deprimido. A partir de determinado momento, passei a encarar as reuniões como uma forma de flagelo. Demorei muito tempo para superar esse sentimento e ressignificar meu trabalho na UFSM”, conta J., que, hoje, após oito anos de terapia, conseguiu recuperar o prazer em suas atividades docentes. O remédio para controle da pressão arterial, contudo, terá de ser tomado até o fim da vida.

“O ambiente de trabalho não é nada sadio”

Em 2020, R. teve de se afastar da UFSM por 60 dias para cuidar de sua mãe, que havia sido diagnosticada com câncer de ovário grau 4/4. Após seu retorno, relata, a chefia departamental o obrigou a recuperar todas as aulas não ministradas no período da licença.

“Fui acusado de estar prejudicando o curso com o pleito da licença, bem como a chefia departamental me acusou de ter feito concurso na UFSM já pensando em pleitear remoção para UFRGS, mesmo sabendo que havia financiado um apartamento em Santa Maria no ano que ingressei na instituição”, partilha.

Em seu depoimento, o docente diz que sua chefia sempre atribuía a ele mais carga horária que a outros professores. Neste ano de 2023, baseado na Instrução Normativa (IN) n. 04/2022 da UFSM, ele solicitou lecionar suas aulas de forma remota até dezembro, contudo o pedido foi negado.

Frente à negativa, pediu licença médica, tendo passado por perícias na UFRGS, dada sua impossibilidade de deslocamento até Santa Maria.

O adoecimento psíquico de R. teve início em 2020, em meio a toda essa situação. Durante os últimos três anos, tem sido acompanhando por um médico psiquiatra que nele identificou, além de depressão, também sintomas da Síndrome de Burnout.

“O ambiente de trabalho não é nada sadio na UFSM. Os professores são tratados de forma desigual, ou são amigos da chefia ou não. Não se preocupam com as pessoas, com o seu bem-estar. Não são acolhedores”, conclui.

“Que a universidade não produza sofrimento”

A secretária-geral da SEDUFSM e professora do departamento de Enfermagem da UFSM, Teresinha Weiller, lembra que o sofrimento mental tem sido apontado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde como um dos eventos que mais tem se manifestado e gerado demandas aos serviços.

E, quando é feito um recorte por categoria profissional, diz a docente, vê-se que as e os trabalhadores da Educação estão dentre as categorias com maior incidência deste tipo de adoecimento.

“Este sofrimento mental é decorrente da alteração do processo de trabalho. Aumenta a sobrecarga, aumentam as atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão, aumenta o número de alunos. E, ainda, há pouca participação desses docentes nas camadas de decisão da universidade. Vamos nos alienando do nosso trabalho”, analisa Teresinha.

Para ela, as discussões que vêm sendo feitas atualmente na UFSM a respeito das minutas dos encargos didáticos docentes e das progressões e promoções expressam um pouco do porquê o adoecimento mental tem tanta prevalência entre professores e professoras.

“Há falta de reposição de vagas para docentes. Nos departamentos e cursos observa-se uma sobrecarga de trabalho, e essa sobrecarga se manifesta no adoecimento físico e psíquico. É importante pautarmos, como categoria, o tema do trabalho, da sobrecarga de trabalho e de todos os mecanismos de controle e acompanhamento desse trabalho, muitas vezes invisibilizado”, complementa a dirigente da SEDUFSM.

Outro fator salientado por ela é a inserção crescente das tecnologias no processo de ensino e aprendizado, levando a que muitos docentes não consigam acompanhar as inovações no tempo em que elas acontecem, ou sobrecarreguem-se de atividades online que, ao fim, não são mensuradas.

“Que a universidade não seja um lugar de produção de sofrimento, e sim de prazer e satisfação. Que possamos criar condições saudáveis de trabalho”, finaliza.

Assédio moral no trabalho motiva busca crescente por atendimentos jurídicos

Heverton Padilha oferta plantões jurídicos gratuitos às e aos filiados à SEDUFSM todas as terças-feiras pela manhã, na sede do sindicato. Quando questionado por nossa Assessoria sobre a incidência de casos de assédio moral no trabalho, ele assegura que o fenômeno vem aumentando e suscitando tanto demandas judiciais quanto administrativas.

“Geralmente tais situações levam à necessidade de afastamento do Servidor para tratamento da própria saúde, o que deve ocorrer sem maiores dificuldades em face da comprovação médica quanto ao caso. Porém as consequências e as causas desse tipo de distúrbio podem sim levar à proposição de demandas tanto judiciais como administrativas”, diz o assessor.

E segue: “Destaco, por exemplo, a eventual ocorrência de assédio moral no trabalho, situação cada vez mais corriqueira nos atendimentos jurídicos, ou ainda [...] a busca pela saída ou remoção do local de trabalho, que muitas vezes é a causa dos transtornos emocionais, a ponto de deteriorar o próprio ambiente laboral, levando o servidor a buscar sua saída do setor ou até mesmo da instituição. É claro que comprovação dos fatos é necessária, mas tem sido perceptível o aumento desse tipo de ocorrência nos atendimentos dos servidores da UFSM”, atesta Padilha.

Por fim, o assessor ainda explica que há casos de assédio com traumas tão severos que podem levar o servidor a reivindicar aposentadoria precoce – tratada na lei como incapacidade laboral.

Nossa Assessoria buscou o setor de Perícia da UFSM e solicitou dados referentes a afastamentos de docentes por transtornos psíquicos no período de 2020 a 2023. Contudo, até o fechamento desta matéria, não obtivemos retorno. 

Leia, abaixo, as entrevistas de C., J. e R. na íntegra:

Depoimento C.

S – Professor(a), o(a) senhor(a) já enfrentou ou vem enfrentando um processo de adoecimento psíquico? Se sim, em que período isso ocorreu? E quais os sintomas sentidos por você?

C - Sim, enfrentei uma depressão que teve início em março de 2020. Na verdade, os sintomas foram se apresentando, sutilmente, já no ano de 2019, com perda de apetite, tristeza, apatia, etc. Continuo sob tratamento medicamentoso e com atendimento psicológico.

S – Algum(a) profissional da Psicologia ou Psiquiatria fechou um diagnóstico sobre seu problema?

C - Sim. Tenho laudo psiquiátrico e psicológico.

S – À época do seu adoecimento, como estavam as relações de trabalho e a própria demanda de trabalho em seu departamento?

C - Na época eu era responsável por uma atividade no laboratório de pesquisa onde atuava há mais de 10 anos, e tratava-se de uma atividade extremamente desgastante e fora do escopo de minha formação. O laboratório oferecia prestação de serviços e não contávamos com ajuda de TAE, ao contrário dos demais laboratórios do departamento. Erámos eu e outra colega somente, extremamente sobrecarregadas, com orientação de alunos e as demais atividades advindas da pós-graduação.

S – Você credita seu adoecimento (se não todo, ao menos parte dele) a questões de trabalho? Se sim, quais? Ex: sobrecarga, assédio...

C - Com certeza o péssimo ambiente de trabalho no meu departamento, extremamente machista e produtivista, contribuiu em grande parte para meu adoecimento. Meu chefe, na época, acompanhou todo o processo de licença saúde e meu período de afastamento sem sequer enviar alguma mensagem perguntando como estava minha recuperação.

Em fevereiro de 2021, poucos meses após meu retorno às atividades, fiquei sabendo, por terceiros, que o mesmo chefe havia aberto uma sindicância investigativa sem sequer ter conversado comigo antes. Quando descobri sobre a sindicância tive uma piora no quadro e precisei voltar a tomar medicação para dormir e ansiolítico.

Apesar da sindicância investigativa não ter a obrigatoriedade de ser avisada ao docente, a atitude do chefe foi de extrema falta de empatia e, até por que não dizer, incompetência. O motivo não justificava a abertura da sindicância (posso provar, caso necessário).

O que percebo, de um modo geral, é um total despreparo por parte dos colegas que ocupam cargos de gestão no Departamento e Centro ao qual sou lotada. Ainda, trata-se de um departamento em que as decisões são tomadas por um pequeno grupo colegiado, sem que os demais servidores tenham acesso.

S – Você solicitou licença médica à universidade? Se sim, foi acatada?

C - Sim, tive licença médica. Na primeira avaliação (perícia) a médica que me atendeu foi extremamente acolhedora e sensível à situação. Após os quatro meses, quando passei por nova perícia, para mais um período de licença (indicado pelo psiquiatra), fui avaliada por uma banca em que um dos médicos tratou-me com frieza e falta de paciência, como se eu não precisasse daquele novo período de licença.  

Depoimento J.

S – Professor(a), o(a) senhor(a) já enfrentou ou vem enfrentando um processo de adoecimento psíquico? Se sim, em que período isso ocorreu? E quais os sintomas sentidos por você?

J - Há dez anos tive uma crise de pânico. No começo eu não sabia o que era e pensei que fosse morrer porque tinha taquicardia, minha pressão subia para algo em torno de 21 / 14 diversas vezes.

S – Algum(a) profissional da Psicologia ou Psiquiatria fechou um diagnóstico sobre seu problema?

J - Sim, consultei um psiquiatra e fui diagnosticado com ansiedade. Passei a tomar medicação para controle da pressão arterial, o que deverei fazer até o final da vida. Também fiz terapia por oito anos.

S – À época do seu adoecimento, como estavam as relações de trabalho e a própria demanda de trabalho em seu departamento?

J - As relações no departamento eram péssimas. Havia perseguição e retaliação. Sofri vários tipos de arbitrariedades. No meu caso, um grupo de professores se alterna nos cargos e os demais não se envolvem em discussões. A participação é meramente uma formalidade e, em geral, acatam o que as chefias propõem sem muita reflexão. O que é proposto é tido como certo e quem diverge sofre as consequências.

S – Você credita seu adoecimento (se não todo, ao menos parte dele) a questões de trabalho? Se sim, quais? Ex: sobrecarga, assédio...

J - Certamente. O assédio se manifesta de várias formas e vai tornando o ambiente de trabalho tóxico. Quando ingressei nesse departamento por remoção, foi dito em uma reunião que precisariam de um tempo para avaliar o meu trabalho para aprovar em definitivo a minha vinda. Eu vim amparado pela legislação e já havia passado pelo período probatório. Posteriormente, estava trabalhando lecionando uma disciplina que sou especialista, tendo sido avaliado pelos alunos com nota acima de nove, mesmo com reprovações discentes. Comecei a receber homenagens de formandos e, de repente, a chefia retira essa disciplina dos meus encargos de maneira unilateral e me atribui outra, totalmente diferente.

S – Você solicitou licença médica à universidade? Se sim, foi acatada?

J - Não, não solicitei. Trabalhei e todas as vezes que ia para o departamento ficava deprimido. A partir de determinado momento, passei a encarar as reuniões como uma forma de flagelo. Demorei muito tempo para superar esse sentimento e a ressignificar meu trabalho na UFSM. Hoje, felizmente, consegui dar a volta por cima. Voltei a publicar e a sentir alegria. A convivência com os colegas é um ponto no qual estou me esforçando para tornar a minha vida profissional mais feliz.

Depoimento R.

S – Professor(a), o(a) senhor(a) já enfrentou ou vem enfrentando um processo de adoecimento psíquico? Se sim, em que período isso ocorreu? E quais os sintomas sentidos por você?

R - Venho enfrentando um processo de adoecimento psíquico desde 2020, quando tive que me afastar da universidade federal de Santa Maria por 60 dias para cuidar de minha mãe, que na época havia sido diagnosticada com câncer de ovário grau 4/4, e quando retornei a chefia departamental me obrigou a recuperar todas as aulas não ministradas no período da minha licença, sem compaixão alguma pelo que estava passando (em plena pandemia e ainda em estágio probatório).

S – Algum(a) profissional da Psicologia ou Psiquiatria fechou um diagnóstico sobre seu problema?

R - Sim, venho sendo acompanhado por um médico psiquiatra há mais de três anos, que identificou além de depressão, síndrome de burnout, entre outros problemas de saúde, por toda a pressão que passei no ambiente de trabalho da UFSM.

S – À época do seu adoecimento, como estavam as relações de trabalho e a própria demanda de trabalho em seu departamento?

R - As relações de trabalho começaram a estremecer quando me licenciei para cuidar de minha mãe doente, minha dependente. Fui acusado de estar prejudicando o curso com o pleito da licença, bem como a chefia departamental me acusou de ter feito concurso na UFSM já pensando em pleitear remoção para UFRGS, mesmo sabendo que havia financiado um apartamento em Santa Maria no ano que ingressei na instituição.

S – Você credita seu adoecimento (se não todo, ao menos parte dele) a questões de trabalho? Se sim, quais? Ex: sobrecarga, assédio...

R - Sim, a chefia sempre me colocava mais carga horária que em comparação com os demais professores, além de todo o assédio moral que enfrentei. Inclusive denunciei a questão ao sindicato. Esse ano, com todos os problemas de saúde, pleiteei ficar em ead até o fim do ano, conforme autoriza a IN 4/2022, da UFSM, mas não me deixaram. Fui obrigado a pedir licença médica em março deste ano. O ambiente de trabalho não é nada sadio na UFSM. Os professores são tratados de forma desigual, ou são amigos da chefia ou não. Não se preocupam com as pessoas, com o seu bem-estar. Não são acolhedores.

S – Você solicitou licença médica à universidade? Se sim, foi acatada?

R - Sim, passei por perícias na UFRGS, porque estou impossibilitado no momento de me deslocar até Santa Maria.

 

 

Texto: Bruna Homrich

Imagens: Banco de Imagens

Assessoria de Imprensa da SEDUFSM

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