Homenagem a Affonso Romano de Sant’Anna, poeta que nos deixou recentemente SVG: calendario Publicada em 11/04/25
SVG: atualizacao Atualizada em 11/04/25 15h58m
SVG: views 683 Visualizações

Professor Pedro Brum indica leitura da obra “Que país é este?” para pensar com clareza as urgências do nosso tempo

Alt da imagem

Nesta sexta, 11, a dica cultural vem do professor Pedro Brum Santos, do departamento de Letras Vernáculas da UFSM. Ele destaca a importância da obra de Affonso Romano de Sant’Anna, mineiro de Belo Horizonte, falecido no início do mês de março. Além de ressaltar a consistente trajetória, tanto acadêmica quanto poética do escritor, Santos pinça o poema “Que país é este?”, que traduz a ansiedade que marca o período da abertura política no Brasil. Confira abaixo.

Que país é este?

Morto há pouco mais de um mês (exatamente, no dia 04 de março de 2025), Affonso Romano de Sant’Anna deixa uma obra assinalada por mais de duas dezenas de livros entre poesia e narrativas curtas. Nos jornais, assinou crônicas em grandes veículos como O Globo, Jornal do Brasil, Estado de Minas e Correio Braziliense. A incontornável referência a seus escritos chama-se “Que país é este?” – poema manifesto publicado originalmente com destaque no Jornal do Brasil, um dos marcos corajosos da ansiada abertura política, e, posteriormente, ainda em 1980, consagrado em livro ao qual empresta o título e a ênfase dos conhecidos versos:

Há 500 anos caçamos índios e operários,
há 500 anos queimamos árvores e hereges,
há 500 anos estupramos livros e mulheres,
há 500 anos sugamos negras e aluguéis.

Há 500 anos dizemos:
que o futuro a Deus pertence,

(.................................)

que do amanhã ninguém sabe,
que conosco ninguém pode,
que quem não pode sacode.

No poema inteiro, ressoa o apelo de ler tudo de uma sentada, tamanhas são suas contundências semânticas e ordenações oratórias. A um tal andamento vigoroso, ressoa o olhar do poeta, situado a meio caminho entre mazelas sopradas de um passado remoto (o atraso da vida colonial, a escravidão cruel dos negros, o abandono renitente dos pobres, a violência contra as mulheres) e os entraves de um presente incerto frente a um futuro carregado de incógnitas (a morosa abertura política, a insegura volta de exilados e fugitivos da ditadura, o cauteloso debate da ordem institucional).

A oportunidade de indagações dessa monta prova-o a canção de Renato Russo, composta mais ou menos na mesma época e com o mesmo título inquiridor – Que país é este? – convergência temática que ampliou corações e mentes depois que o próprio Renato Russo incluiu a canção em uma das faixas gravadas pelo Legião Urbana em 1997 - à altura da nova constituição e, pois, uma década e meia após o poema-evento de Affonso. Daí para cá, o que temos é a atualidade do dístico indagador: que país é este? Eis, pois, a oportunidade para uma releitura do poeta mineiro que acaba de nos deixar – em nome de reconhecer-lhe o alcance e de pensarmos com clareza frente às urgências de nosso tempo.

SANT’ANNA, Affonso Romano de. Que país é este? Rio de Janeiro: Rocco, 2010.”

Pedro Brum Santos
Professor do departamento de Letras Vernáculas da UFSM

 

Texto: Paola Matos (Estagiária de Jornalismo)

Edição: Fritz R. Nunes

Imagens: Clarissa Barçante; Divulgação

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

SVG: camera Galeria de fotos na notícia

Carregando...

SVG: jornal Notícias Relacionadas

Obra analisa a relação entre democracia e capitalismo

SVG: calendario 30/04/2026
SVG: tag Cultura
Livro de Ellen Wood é sugestão da professora Liliana Ferreira e do pós-doutorando Demétrio Cherobini

Cursos da UFSM apresentam espetáculo em celebração ao Dia Internacional da Dança, 29 de abril

SVG: calendario 24/04/2026
SVG: tag Cultura
Professor do curso de Dança, Jesse da Cruz, convida para apresentações na próxima quarta no Centro de Convenções da universidade

A voz da jornalista silenciada em “A Mulher que Virou Bode”

SVG: calendario 17/04/2026
SVG: tag Cultura
Peça teatral reconstrói e conta a história da primeira presa política do Rio Grande do Sul durante a ditadura militar; espetáculo terá duas apresentações (21 e 22) no Teatro Caixa Preta

Veja todas as notícias