Famílias Guarani Mbya iniciam retomada na reserva do Ibicuí-Mirim
Publicada em
12/12/25
Atualizada em
12/12/25 11h39m
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Sedufsm e NEABI/UFSM apoiam luta indígena por Terra e Território
Desde o último dia 7 de dezembro, famílias Guarani Mbya ocupam a Reserva Biológica do Ibicuí-Mirim, Unidade de Conservação Estadual (UC) localizada no município de Itaara, em uma ação de luta por Terra e Território. Tal como o fez na retomada Kaingang Ven Ga, a Sedufsm tem apoiado a mobilização, em uma postura de solidariedade ativa aos povos que reivindicam seus espaços e direitos. Na última quarta-feira, 10 de dezembro, a seção sindical, acompanhada do professor Anderson Machado, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI/UFSM), esteve na retomada levando doações e conversando com a comunidade guarani. Anteriormente, a Sedufsm já havia ajudado as famílias com o transporte para se locomoverem até a Reserva e levarem seus pertences.
“Manifestamos todo o nosso apoio à retomada Guarani Mbya e também à seção sindical docente por ter auxiliado com a infraestrutura e com os alimentos que pudemos levar à comunidade nesta quarta-feira. É muito importante esse processo de apoio, pois as condições materiais são bastante precárias. A comunidade se encontra em uma zona no interior da Unidade de Conservação, portanto o deslocamento até lá é bastante longo, é necessária uma infraestrutura logística, é necessário que haja o apoio para que eles tenham condições básicas de se manter nesse território em processo de retomada”, diz Anderson, que é docente do departamento de Geociências da UFSM.
Segundo escrevem em Carta Aberta à sociedade, os Guarani já se fazem presentes na região central do estado há pelo menos dois mil anos, informação que pode ser atestada, por exemplo, pela existência de plantas da erva-mate e do guaimbé, ou, ainda, pelas iniciativas europeias de catequização expressas na criação, na década de 1630, da redução de São Cosme e São Damião, localizada no território que hoje abrange as cidades de Santa Maria, São Martinho da Serra e Itaara. Após terem se dispersado para fugir das perseguições, doenças e coerção, as e os indígenas agora retornam para as áreas ocupadas por seus ancestrais. “Voltamos porque a vida aqui precisa de nossas mãos, de nossos cantos, de nossa forma de cuidar. Não chegamos para destruir; chegamos para preservar. Nossa existência não ameaça este lugar — ela o fortalece”, dizem na Carta.
As famílias Guarani Mbya denunciam que parte da Reserva do Ibicuí-Mirim vem sendo usada para manejo ilegal e predatório do agronegócio, com cultivo de monocultura transgênica e uso de venenos agrícolas nas proximidades da floresta e das nascentes. "Em contrapartida das práticas que ameaçam a UC e seu propósito de existência, a nossa Retomada Yvyku’i Mirĩ irá cuidar e proteger essas nascentes, preservar a mata e os animais e, principalmente, reflorestar o que foi desmatado", escrevem as e os indígenas.
Texto: Bruna Homrich
Imagens: Arquivo Pessoal
Assessoria de Imprensa da Sedufsm
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Documentos
- Carta da Retomada Guarani Mbya