Sedufsm esteve presente no ato Mulheres Vivas, em Santa Maria SVG: calendario Publicada em 15/12/25
SVG: atualizacao Atualizada em 15/12/25 20h59m
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Mobilização denunciou índices alarmantes de feminicídio e cobrou mais protetividade e políticas públicas para as mulheres

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Mulheres negras, indígenas, brancas, transgênero e pertencentes a diferentes categorias da classe trabalhadora se uniram em protesto na Praça Saldanha Marinho, na manhã do último sábado, 13 de dezembro. A Sedufsm se fez presente com várias professoras e professores da direção e da base, reforçando a inserção da seção sindical docente na luta contra a violência à mulher. A mobilização foi fruto da organização autônoma de mulheres santa-marienses que seguiram o exemplo de atos registrados em diversas outras cidades do país e foram às ruas denunciar os índices alarmantes de feminicídio e de outras formas de violência contra a mulher, como abusos e silenciamentos.

Belkis Bandeira, diretora da Sedufsm, destacou, em sua intervenção durante o ato, a relação entre a violência de gênero e a sociedade classista em que vivemos. “Por trás de toda essa violência estrutural contra as mulheres, existe um modelo de organização da sociedade alicerçado no patriarcado branco e heteronormativo. E nós sabemos também que esse é um dos pilares constitutivos do capitalismo, que existe à custa da exploração do trabalho dos trabalhadores e das trabalhadoras, especificamente do trabalho não remunerado, de cuidado, das mulheres”, disse.

Ela ainda acrescentou que, por trás de assassinos e abusadores está, em grande parte, o homem branco, de classe média e de direita. “Então, temos que manter a defesa intransigente de certas bandeiras de luta e dizer que fascistas não passarão. E, nesse momento, sem anistia para golpistas”, concluiu.

Durante o ato, além das intervenções de sindicatos e movimentos sociais, algumas mulheres relataram situações de abuso e violência sofridas. Uma das falas mais marcantes foi de Andrea Garcez, tia de Luanne Garcez da Silva, jovem santa-mariense que, em 2022, foi morta asfixiada, em via pública, pelo namorado Anderson Ritzel. Ao lado de Andrea também estava Daiane Garcez, mãe de Luanne. Elas denunciaram a impunidade e pediram justiça para que outras mães não percam suas filhas para o feminicídio. 

Ana Cristina Londe, profissional da segurança pública, informou que há, no Rio Grande do Sul, 497 municípios. Desses, apenas 23 contam com Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs). E, dentre as 23 delegacias, somente 4 funcionam 24 horas. Uma das reivindicações mais presentes nas mobilizações em defesa da vida das mulheres é a de delegacias funcionando dia e noite para acolher as vítimas de violência e assédio, mas Ana frisou que, que, no modelo neoliberal, orientado pelo enxugamento do Estado e pelo corte de verbas para áreas sociais, é completamente inviável esse cenário, visto que demandaria investimento público em concursos, equipamentos, viaturas. 

"Quando uma mulher e uma criança são violentadas, o Estado e a sociedade falharam. É preciso promovermos letramento racial e em gênero de forma compulsória e continuada para profissionais da segurança pública; e uma educação não sexista nas escolas", apontou Ana Cristina. 

O direito ao corpo e a andar livremente nas ruas sem medo do assédio e do estupro; a ampliação e o fortalecimento das políticas de proteção às mulheres vítimas de violência; a implementação de mais políticas públicas que garantam, por exemplo, creches e outras formas de apoiar mulheres para que se desenvolvam profissional e economicamente, rompendo a dependência ecônomica com seus violentadores; e uma série de outras medidas foram apontadas pelas manifestantes que ocuparam a Praça. 

Peça ajuda - Durante a manifestação, foram divulgados os serviços de proteção à mulher existentes em Santa Maria. Juliane Silveira, assistente social do Centro de Referência da Mulher (CRM), localizado na Rua Tuiuti, 1835, explicou que o espaço atende mulheres em situação de violência, disponibilizando inclusive um WhatsApp para pedidos de ajuda: (55) 99139-4971. Também é possível contato pelo número (55) 3174-1519 (opção 2) ou pelo email crm@santamaria.rs.gov.br.

Já a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Santa Maria funciona de segunda a sexta-feira, das 8h Às 12h e das 13h às 18h, na Rua Duque de Caxias, 1169, atendendo no telefone (55) 3174-2252 e no email santamaria-dm@pc.rs.gov.br. 

Texto e fotos: Bruna Homrich

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

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