ANDES-SN: precarização do trabalho docente nos IFs e o impacto na organização coletiva SVG: calendario Publicada em 19/01/26
SVG: atualizacao Atualizada em 19/01/26 10h54m
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Quarto e último perfil da série traz experiência de docente do Instituto Federal do campus de Canoas

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Jaqueline Russczyk, professora de Sociologia da carreira EBTT no campus Canoas do IFRS (foto: Eline Luz)

A série jornalística do ANDES-SN sobre o trabalho docente nas diferentes realidades das instituições públicas de ensino chega ao seu quarto e último capítulo, abordando a experiência de quem atua na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. 

O especial produzido pela Imprensa do ANDES-SN apresenta contextos de diferentes regiões e estruturas institucionais para evidenciar como as desigualdades de carreira, os cortes orçamentários e a precarização das condições de trabalho impactam o ensino, a pesquisa, a extensão, a organização sindical e a vida das e dos docentes. 

Confira aqui, aqui e aqui, os perfis anteriores.

Precarização e organização coletiva

Jaqueline Russczyk é professora de Sociologia da carreira do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) no Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), campus Canoas. Docente da Rede Federal desde 2010 — inicialmente no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) —, Jaqueline tem uma trajetória que se confunde com o próprio processo de consolidação dos Institutos Federais e com a implementação da Educação de Jovens e Adultos (EJA) nesses espaços.

Segundo ela, ao longo dos últimos anos, o projeto original dos IFs vem sendo comprometido por uma série de fatores estruturais e políticos.

Entre os principais problemas, a professora destaca o aumento da carga horária docente sem a correspondente ampliação do quadro de servidoras e servidores, a criação de novos cursos sem planejamento adequado e a redução contínua do orçamento. “Esse conjunto de medidas intensifica a precarização do trabalho e afeta diretamente a qualidade do ensino oferecido”, avalia.

A docente lembra que, em anos anteriores, ainda era possível contar com recursos para visitas técnicas, participação em eventos acadêmicos e bolsas de ensino, pesquisa e extensão. Hoje, no entanto, há uma disputa cada vez maior por recursos escassos — quando existentes. “Esse cenário compromete o trabalho docente e empobrece a formação dos estudantes”, afirmou.

Além dos efeitos diretos no ensino, Jaqueline ressalta que a precarização do trabalho também atinge a capacidade de organização coletiva da categoria.

“Essa é uma das grandes contradições presentes porque ao mesmo tempo em que as nossas condições de trabalho pioram, nos deparamos com menos disposição para a luta, porque isso precisa de tempo, ou seja, tempo de encontro e debate, tempo para a formação e conscientização e tempo para a ação política”, explicou.

Para ela, a ausência de uma carreira única estruturada fragiliza ainda mais a resistência coletiva, ao fragmentar a categoria.

Aumento das violências

Jaqueline Russczyk, que também é 1ª tesoureira da Regional Rio Grande do Sul, destacou que os desafios do trabalho docente também refletem problemas mais amplos da sociedade, como o aumento das violências de gênero, do racismo, das demandas de estudantes com necessidades específicas, da sobrecarga de trabalho, das responsabilidades de cuidado familiar e do adoecimento das e dos servidores. De acordo com a docente, esse cenário exige políticas institucionais específicas de atenção, cuidado e prevenção.

“Lutar por condições dignas de trabalho e por uma carreira estruturada é também lutar pela qualidade do ensino e pela valorização da educação na sociedade”, conclui a diretora do Sindicato Nacional, que ressaltou a necessidade de enfrentamento à Reforma Administrativa, a luta contra o Novo Ensino Médio e a cobrança pelo cumprimento integral do acordo de greve firmado com a categoria.

Com este último perfil, a série do ANDES-SN evidencia como as desigualdades de carreira, a precarização do trabalho e os cortes de financiamento atravessam diferentes realidades institucionais.

Para o sindicato, a defesa da educação pública passa, necessariamente, pela luta por uma carreira única, por condições dignas de trabalho e por financiamento público adequado, essenciais para garantir ensino, pesquisa e extensão de qualidade e socialmente referenciados.

Fonte: ANDES-SN
Imagens: Eline Luz (foto de capa) e divulgação
Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)

 

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