Deputado Bibo Nunes é condenado por incitar ódio a estudantes em 2022 SVG: calendario Publicada em 28/01/26
SVG: atualizacao Atualizada em 28/01/26 13h02m
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Apesar da demora, diretoria da Sedufsm avalia que decisão judicial tem efeito “pedagógico”

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Estudantes da UFSM, junto com sindicatos, protestam na praça contra corte de recursos em 11 de agosto de 2022

Mais do que o aspecto financeiro, a decisão judicial condenando o deputado federal Bibo Nunes (PL), por ofensas a estudantes da UFSM e UFPel em 2022, a importância da sentença se dá, mesmo que quase quatro anos depois, pelo seu efeito “pedagógico”, avalia a vice-presidenta da Sedufsm, Liane Weber. “É como se a justiça estivesse mandando um recado: sejam responsáveis em suas declarações, especialmente quando se trata de um parlamentar, que foi eleito pelo voto da população”, diz ela.

Segundo notícia divulgada na tarde desta terça, 27 de janeiro, Bibo Nunes foi condenado pela 3ª Vara Federal, em Porto Alegre, a pagar R$ 100 mil pelos crimes de discurso de ódio e intolerância. O que motivou a condenação, a pedido do Ministério Público Federal, é um vídeo divulgado nas redes sociais do parlamentar, durante a campanha eleitoral de 2022, em que ele ofende e incita atos de violência contra estudantes da UFSM e da UFPel.

No vídeo citado, o deputado profere insultos contra estudantes e faz uma referência ao filme ‘Tropa de Elite’, sobre uma cena em que pessoas foram “queimadas vivas dentro de pneus”. A sentença judicial frisou que a menção foi feita “de forma absolutamente insensata”. O deputado contesta a decisão e diz que a sua manifestação em vídeo foi “retirada do contexto” e que possui imunidade parlamentar.

Para o procurador da República, Enrico Rodrigues de Freitas, atual procurador-regional dos Direitos do Cidadão no RS, o discurso de incitação à violência do parlamentar gaúcho teria sido uma resposta a uma manifestação pública de diversos estudantes em protesto por corte de verbas federais para instituições públicas de ensino superior em 2022, durante o período eleitoral. Segundo o procurador, o discurso proferido pelo deputado ultrapassa os limites de suas funções legislativas, pois, além de incitar a violência e o ódio contra estudantes de universidades públicas, afeta a imagem das próprias universidades federais.

Ódio estimulado

Para a vice-presidenta da Sedufsm, Liane Weber, um aspecto que precisa ser destacado no episódio envolvendo o deputado é que não se tem como mensurar os efeitos das manifestações de ódio proferidas por ele em um período de campanha eleitoral. E mais, quais os riscos que as e os estudantes correram diante da ofensiva de Bibo Nunes. Ao assumir esse tipo de postura, o parlamentar abre espaço para que qualquer outro cidadão também possa agir dessa forma. “É como se fosse uma espécie de permissão para que a fala dele, estimuladora ao ódio, fosse executada”, diz Liane.

O tesoureiro-geral da Sedufsm, Jadir Lemos, reforça a posição da diretoria da seção sindical. “Nós, docentes da UFSM, repudiamos o comportamento do deputado. Apelamos aos santa-marienses e gaúchos em geral, para que lembrem dessas ofensas proferidas e não permitam que este deputado volte a representar o povo gaúcho ou a quem quer que seja. Nas eleições de 2026, devemos lembrar desses fatos lamentáveis”, sublinha Lemos.

Nota de repúdio

As declarações de Bibo Nunes causaram muita repercussão em outubro de 2022. E, na época, a diretoria da Sedufsm divulgou uma nota de repúdio. Em um dos trechos, a publicação destaca que “o deputado confunde imunidade parlamentar com impunidade, e liberdade de expressão com crime.  A sociedade gaúcha já disse nas urnas que repudia parlamentares como ele, ao não o reeleger. Agora, é preciso mais: que o mesmo seja punido criminalmente pelo que vem fazendo”. Confira a íntegra aqui.

 

Texto: Fritz R. Nunes
Foto: Arquivo/Sedufsm
Assessoria de imprensa da Sedufsm

 

 

 

 

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