Ricardo Antunes defende regulação da Inteligência Artificial e das plataformas SVG: calendario Publicada em 26/03/26
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Docente da Unicamp concedeu entrevista à Sedufsm na edição nº 112 do Ponto de Pauta

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A Inteligência Artificial (IA) pode ajudar ou acabar prejudicando a classe trabalhadora? Para o professor da Unicamp, Ricardo Antunes, se o mundo fosse outro, a IA poderia ser um apoio maravilhoso. Contudo, no cenário atual, o risco é muito maior que ela venha a precarizar o trabalho ou até mesmo substituir trabalhadores e trabalhadoras, inclusive as e os docentes, acredita Antunes.  A análise faz parte de trecho de uma entrevista concedida pelo professor ao programa Ponto de Pauta, da Sedufsm, edição nº 112.

Os fenômenos contemporâneos das plataformas digitais, com mudanças para formas imateriais, flexíveis e precárias de trabalho, a exploração de trabalhadores e trabalhadoras pelo capitalismo predatório, a carreira docente no contexto atual, as conquistas através da organização coletiva, por meio dos sindicatos. Esses são alguns dos pontos abordados durante a entrevista de Antunes, que se encontra no canal da Sedufsm no youtube.

Ricardo Antunes é professor titular de Sociologia do Trabalho no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de São Paulo (Unicamp). É um dos nomes de grande relevância da Sociologia do Trabalho no país e suas pesquisas têm repercussão inclusive fora do Brasil. Ele coordena a coleção ‘Mundo do Trabalho’ da editora Boitempo e já atuou como professor visitante em diversas universidades do exterior. Na sua área de atuação, pesquisa aspectos como as novas formas de exploração laboral, sindicalismo e movimento operário.

Ainda sobre a IA, Antunes afirma que vivemos a Era da Inteligência Artificial Degenerativa. 
Essa é uma expressão formulada por ele mesmo, de que a IA não é generativa. Trocando em miúdos, Antunes entende que é “generativa para o capital” e “degenerativa para a humanidade”. Por isso, defende ele, a inteligência artificial precisa ser regulada. Da mesma forma, ele argumenta que é preciso regular as plataformas que hoje estão na mão da extrema-direita. “Nós temos que regular o trabalho plataformizado, ou seja, eu não sou contra a inteligência artificial, ela pode nos ajudar”. Mas, precisa regular conforme a visão dele.

Antunes dá um exemplo: se eu pedir um trabalho para uma classe, e se todos os alunos da classe consultarem a inteligência artificial, daqui a alguns segundos todos eles estão com o trabalho pronto. Nesse sentido, acredita ele, os alunos perderiam a capacidade reflexiva, perderiam a capacidade pedagógica, porque eles vão apenas repetir o que leem.

Plataformização e a importância da estabilidade

Ricardo Antunes afirma que começou a estudar o trabalho em plataformas ainda no ano de 2012. Segundo ele, esse tipo de trabalho é o que mais cresce no mundo e destaca alguns pontos comuns entre todos os tipos: não tem nenhum direito do trabalho, não tem previdência, a menos que vire microempreendedor (MEI) e pague por conta própria.

Então, para o pesquisador, isso representa uma precarização profunda. Antunes também cita que o PLP 152/25, que está para ser votado na Câmara Federal, é nefasto porque diz que o trabalhador em plataforma- fala ‘o trabalhador’ e não cita ‘a trabalhadora’, não é subordinado.  “É mentira”, sublinha Antunes. Para o professor, o trabalhador em plataforma é um dos mais subordinados do mundo. “Ele trabalha 12, 14, 16, 18 horas. Então, é mentira que ele é não subordinado”, frisa.

E o projeto, segundo ele, em seus primeiros artigos, prevê que o que está sendo definido para motoristas e entregadores pode ser aprovado para todos os tipos de trabalho em plataforma. Ou seja, na visão de Antunes, isso uma hora pode atingir professores e professoras. Ele cita que o governo de São Paulo já plataformizou sua estrutura. “É um governo de extrema-direita, neoliberal ao limite, e que não faz outra coisa senão neoliberalizar, privatizar, abrir escolas militares”, ressalta.

Ricardo Antunes alerta que, se professores/as forem “plataformizados”, podem perder seus direitos. “Hoje já tem médico plataformizado, enfermeiro, enfermeira, psicólogo, arquiteto, advogado, trabalhadora doméstica, tradutor, ou seja, é um inferno. Por isso que eu digo, é trabalho uberizado”.

No caso de professores e professoras, e servidores públicos, o pesquisador avalia que a “estabilidade é muito importante”. Para ele, se o trabalho for sem estabilidade, ele acaba. “Porque aí é uberizado e intermitente. Trabalha, ganha, não trabalha, não ganha. Adoeceu, morre e dane-se.”

Todavia, ele lembra que, mesmo no estágio atual, em que a estabilidade ainda se mantém, isso não impede que se tenham outras “formas sutis” de precarização. Antunes cita que, hoje, o trabalho é estável para 40%, 50% do total, mas, ao mesmo tempo, já foram criados substitutos/as, monitores/as, e os terceirizados/as em geral. Por isso, Antunes enfatiza: a estabilidade é muito importante.

Acompanhe abaixo a íntegra da entrevista.

 

 

Texto: Fritz R. Nunes

Assessoria de imprensa da Sedufsm

 

 

 

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