Professores que viveram um ano em Cuba destacam caráter humanitário das políticas adotadas pelo governo SVG: calendario Publicada em 22/06/26
SVG: atualizacao Atualizada em 22/06/26 17h01m
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89º ‘Cultura na Sedufsm’ debateu, sob o olhar de Mônica Borba e Everton Barboza, os impactos do embargo econômico imposto a Cuba

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Cada um dos 365 dias resididos em Cuba foi registrado no diário da professora Mônica Borba, docente do departamento de Artes Cênicas da UFSM. Ao lado de seu companheiro, o professor estadual Everton Barboza, ela realizou, ao longo de 2025, um estudo pós doutoral na Universidad de Ciencias Pedagógicas Enrique José Varona, em Havana. Na noite da terça-feira, 16 de junho, ambos partilharam, no Auditório Prof. José Mariano da Rocha Filho, localizado no prédio do CTISM, suas percepções sobre o país latino-americano que, há mais de 60 anos, sofre os efeitos do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos.

A atividade marcou a edição número 89 do projeto ‘Cultura na Sedufsm’, que se propõe a fomentar discussões sobre temas políticos, econômicos, sociais e culturais, ampliando o escopo de pautas para além das reivindicatórias inerentes à categoria docente. 

Ao ler trechos de seu diário para as pessoas que acompanhavam o debate, Mônica tornou quase que palpável sua experiência, levando as e os ouvintes a um passeio pelas ruas históricas do país de Fidel e Raúl Castro, José Martí, Camilo Cienfuegos e do argentino mais cubano que já existiu, Ernesto “Che” Guevara.

“Cuba é o país da palavra encarnada. Não existe palavra vazia. O bem-estar do ser humano está no centro de todas as decisões”, disse a professora da UFSM, dando o exemplo das decisões tomadas pelo governo cubano em meio à pandemia de Covid-19. Objetivando preservar a vida, foram decretadas medidas de confinamento e desenvolvidas cinco vacinas próprias, com as quais praticamente toda a população foi vacinada.                

Tão logo chegaram em Cuba, Mônica e Everton sentiram o gosto amargo da perseguição imperialista: no momento de passar pelo setor de imigração aeroportuária, foram informados de que seus passaportes não seriam carimbados, pois, se sua estadia no país fosse registrada, eles poderiam enfrentar represálias em outros lugares do mundo.

Os impactos do bloqueio e das sanções impostas a Cuba é gigante, relata a docente da UFSM. A falta de combustível, por exemplo, leva as escolas a reduzirem os dias letivos, gera apagões e deixa a população sem água por longos dias. Contudo, mesmo diante de todas essas dificuldades, o país consegue manter direitos básicos. Não se fecha uma escola e um teatro. As crianças têm uniformes e as famílias têm moradia e alimentação. Ainda que a falta de papel dificulte a impressão de prontuários e laudos, todas as pessoas são atendidas, sem distinção, nos hospitais. Mônica adoeceu enquanto estudava no país latino-americano e teve de realizar um raio-x do tórax, o que conseguiu gratuitamente e sem aguardar em longas filas de espera.

Para Mônica e Everton, é impressionante que Cuba, sendo um país que sofre há tanto tempo com o embargo, consiga tratar melhor seu povo do que países cujas relações comerciais são livres. "A escolha é sempre pelos mais frágeis e pela vida", ressaltou a docente. 

Democracia radicalizada 

Em veículos de mídia e nas redes sociais mundo afora se propagandeia que em Cuba não há direito ao controverso e à livre manifestação de ideias. Everton Barboza diz que não é bem assim. "As pessoas têm direito de fazer crítica e não apoiar a revolução, só não podem atentar contra ela. A ditadura do proletariado é, na verdade, a radicalização da democracia", explica. 

Ele, que é professor da rede estadual em Santa Maria, contava aos cubanos que, na escola onde leciona, muitas vezes já viu crianças chegando de manhã cedo com os dedinhos dos pés arroxeados de frio, dada a falta de calçados fechados. "Os cubanos não acreditavam quando eu dizia isso, porque lá as crianças têm casa, comida e uniforme". 

Uma vez que as redes sociais são liberadas em Cuba, relata Everton, há uma constante luta ideológica acontecendo e alguns jovens acabam romantizando outros países, a exemplo do Brasil. Ao mesmo tempo, o país consagra seus heróis - Fidel Castro, Che Guevera, Camilo Cienfuego, dentre outros e outras. Mônica lembra que, em uma conversa despretenciosa com algumas crianças cubanas em um parque, elas falavam sobre tais figuras políticas com carinho e admiração, mostrando que o legado da revolução cubana segue aceso nas escolas, nas famílias e nos demais agrupamentos sociais. É assim, diz a docente da UFSM, que a revolução se mantém de pé, mesmo após tantas tentativas de aniquilação. Para ela, Cuba é um farol. 

Furacão Melissa 

Everton Barboza partilhou, durante o debate, uma situação que ele e Mônica vivenciaram em terras cubanas e que exemplifica com clareza a assertividade, planejamento e preocupação humanitária características do governo de Miguel Díaz-Canel. Embora tenha vitimado ao menos 49 pessoas nos países caribenos, o Furacão Melissa não fez uma vítima fatal em Cuba. 

"As Forças Armadas Revolucionárias, o governo e os Comitês de Defesa da Revolução ajudaram a deslocar as pessoas das áreas de risco. Escolas foram transformadas em abrigo. Era uma logística muito forte. Cuba é um país bloqueado, mas tem uma economia socialista preparada e planejada, que coloca a defesa da vida no centro de tudo. O furacão chegou com força, mas ninguém morreu", relembra Barboza, fazendo o comparativo entre a atuação do governo cubano e do governo gaúcho e brasileiro, que um ano antes tinha vivenciado as enchentes no Rio Grande no Sul. Por aqui, foram mais de 180 mortos. 

Foram cerca de duas horas de debate na noite de 16 de junho, durante as quais diversos outros temas foram abordados, a exemplo dos desafios de Cuba, das relações com China e Rússia e das lições que o país latino-americano e caribenho pode dar para o Brasil. 

"Cuba é o país mais humano do mundo, mas vive em um estado de guerra constante devido ao bloqueio criminoso a ele imposto", destacou Barboza. 

 

Texto e fotos: Bruna Homrich

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

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