Documentário de Silvio Tendler sobre Brizola está disponível no Youtube
Publicada em
26/06/26
Atualizada em
26/06/26 16h07m
80 Visualizações
"Brizola: Anotações para uma História" é uma indicação do professor Daniel Coronel
A semana chega ao fim e, como já é tradicional, deixamos, toda sexta-feira, a indicação de alguma obra ou evento cultural de fácil acesso para a comunidade que nos acompanha. Esta semana, a dica é o documentário, produzido em 2024 por Silvio Tendler, sobre Leonel Brizola. Quem escreve sobre o filme é o professor Daniel Coronel, do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM, que destaca a fidelidade do político gaúcho aos ideais trabalhistas, sua luta em defesa da legalidade e contra o autoritarismo.
O documentário "Brizola: Anotações para uma História" pode ser assistido gratuitamente no Youtube. Leia, abaixo, a crítica completa:
"BRIZOLA: ANOTAÇÕES PARA UMA HISTÓRIA
Em junho do corrente ano completam-se vinte e dois anos do falecimento de Leonel de Moura Brizola e, mesmo depois desse tempo, algumas questões ainda são levantadas por pesquisadores das Ciências Sociais Aplicadas.
Nesse sentido, vários livros e também um documentário, intitulado Brizola: Anotações para uma História, de Silvio Tendler, produzido em 2024 e disponibilizado, desde o dia primeiro de maio do corrente ano, por meio do YouTube, tentam analisar e reconstituir algumas passagens da trajetória desse líder ao longo do século XX.
Desse documentário, que aborda desde o seu nascimento, em Carazinho, em 1922, até sua partida, em 21 de junho de 2004, contando com fragmentos de suas entrevistas e depoimentos de várias personalidades que estiveram ao seu lado em diferentes momentos de sua trajetória política, alguns aspectos merecem ser destacados, tais como a defesa da legalidade, em 1961; a eleição para governador do Rio de Janeiro, em 1982; as eleições presidenciais de 1989; a volta nos braços do povo ao Palácio da Guanabara; sua relação com o Governo Collor; e sua atuação política nos últimos anos.
No dia 25 de agosto de 1961, numa atitude até hoje mal esclarecida, embora haja fortes indícios de que tentava dar um autogolpe, o ex-presidente Jânio Quadros, alegando “forças terríveis”, renuncia ao mandato de Presidente da República.
Nesse contexto, a população brasileira começa a ouvir falar do então governador do Rio Grande do Sul (RS), Leonel Brizola, que lidera a Campanha da Legalidade e usa com maestria o poder do rádio com o objetivo de conclamar a população em defesa da ordem e da legalidade. Contudo, foi aprovada pelo Congresso uma emenda constitucional que adotava o parlamentarismo como sistema político do país.
A partir de 1964, Brizola amarga um longo exílio e, em 1979, beneficiado pela anistia política, retorna ao Brasil com a difícil missão de recuperar o fio da história. Em 1982, finalmente ocorre o reencontro com as urnas, por meio da eleição democrática para o governo do Rio de Janeiro, embora ainda houvesse alguns resquícios ditatoriais, como a vinculação dos votos. Brizola, mesmo com todas as dificuldades e com o Partido Democrático Trabalhista (PDT) ainda se organizando, foi crescendo durante a campanha. Não obstante, teve de, mais uma vez, lutar contra o oportunismo e o autoritarismo, no Caso Proconsult, que visava manipular os votos da população fluminense.
Na primeira eleição presidencial pós-ditadura militar, Brizola, com menos de 0,5% dos votos, não vai ao segundo turno. Em 1990, Brizola volta às urnas e é eleito governador do Rio de Janeiro com mais de 60% dos votos. Muitos analistas consideram que esse foi o maior erro político de Brizola, pois entendiam que ele deveria ter se candidatado ao Senado ou à Câmara dos Deputados e liderado uma forte oposição ao Governo Collor.
Nos seus últimos anos de vida, embora não tivesse o mesmo prestígio político nem a capacidade de arrastar multidões em seus comícios, não se deixou abater e seguiu fiel aos seus princípios e ideais trabalhistas, aproveitando todas as oportunidades que tinha para dar o seu recado. Um exemplo disso é que, na noite anterior ao seu falecimento, embora já acamado, estava articulando e discutindo sua possível candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro, em 2004.

Daniel Arruda Coronel"
Imagens: Caliban Cinema e Conteúdo; Arquivo Pessoal
Edição: Bruna Homrich/Assessoria de Imprensa da Sedufsm
Galeria de fotos na notícia