ANDES-SN debate impactos do trabalho na saúde docente e os desafios da aposentadoria e da Previdência no serviço público
Publicada em
24/09/26
Atualizada em
25/09/26 15h10m
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Diretor da Sedufsm, Jadir Lemos, participou da programação que reuniu representantes de seções sindicais em Brasília; entre os dias 18 e 22 ocorreram reunião do GTSSA, X Seminário Nacional de Saúde e IV Jornada de Assuntos de Aposentadoria
A saúde e as condições de trabalho docente, as questões previdenciárias e os desafios da aposentadoria foram o foco de duas atividades promovidas pelo ANDES-SN em Brasília (DF), entre os dias 18 e 22 de setembro. A Sedufsm participou da programação com o diretor Jadir Lemos, que integrou a reunião do Grupo de Trabalho de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria (GTSSA), o X Seminário Nacional de Saúde do(a) Trabalhador(a) Docente e a IV Jornada de Assuntos de Aposentadoria, ao lado de representantes de 23 seções sindicais, coletivos de oposição e convidados.
Ao longo dos cinco dias de atividades, as e os presentes discutiram as condições de trabalho, os processos de saúde e adoecimento da categoria, a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), o direito à desconexão, as questões previdenciárias e os desafios enfrentados por professoras e professores aposentados. As discussões também apontaram propostas e estratégias para a atuação do movimento docente nacional.
A programação começou na sexta-feira, 18, com a reunião do GTSSA do ANDES-SN, realizada na sede do Sindicato Nacional. Segundo o professor Jadir Lemos, a pauta esteve concentrada nas deliberações do 69º Conad e nas discussões para o 45º Congresso do ANDES-SN, previsto para janeiro de 2027.
Entre os temas destacados pelo diretor da Sedufsm estiveram o não cumprimento integral do acordo de greve, incluindo a reivindicação pelo fim da contribuição previdenciária de aposentadas, aposentados e pensionistas; a discussão do PL 189/2021, que propõe a transferência para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) da competência para concessão e manutenção de aposentadorias e pensões; e a continuidade na luta pela criação do auxílio-nutrição, incluída na Mesa Nacional de Negociação Permanente e compartilhadas com o Fonasefe.
As discussões estão, de acordo com Jadir, no centro do movimento docente. O diretor também destacou que no debate foi apontada a necessidade de aprofundar, por meio do GTSSA, os resultados da Enquete Nacional de Saúde do ANDES-SN, dando visibilidade aos dados para chamar atenção para a precarização do serviço público e suas implicações na saúde das e dos docentes federais.
Docentes em defesa da saúde pública e do direito à desconexão do trabalho
No sábado, 19, teve início o X Seminário Nacional de Saúde do(a) Trabalhador(a) Docente. A primeira mesa, “A defesa do SUS e o compromisso com a determinação social da Saúde”, reuniu a professora doutora Maria Valéria Correia, ex-reitora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), e o doutor Francisco Batista, pesquisador e professor da Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Norte.
De acordo com Jadir, as falas alertaram para os riscos da privatização e das parcerias público-privadas no sistema de saúde e para os prejuízos que esses processos podem representar para a população. Também houve críticas ao uso de recursos públicos para sustentar programas vinculados à iniciativa privada. Para Maria Valéria, conforme o relato do diretor, a defesa do SUS, além de uma necessidade, é uma responsabilidade da classe trabalhadora, embora a categoria docente nem sempre se reconheça como integrante dessa mesma classe.
Francisco Batista abordou a dissociação entre Previdência, Assistência e Saúde como fator de fragilização e chamou atenção para a relação entre a defesa do SUS e a utilização de planos de saúde pela própria categoria docente, apontando a existência de uma contradição nesse processo.
À tarde, os resultados da Enquete Nacional do ANDES-SN foram apresentados e debatidos. O professor René Rodrigues, da Universidade Federal da Fronteira Sul, abordou os dados pelo olhar da epidemiologia, com destaque para o adoecimento mental dos trabalhadores. Na sequência, a professora Laura Gontijo, da Universidade de Brasília (UnB), tratou da intensificação do trabalho, processo iniciado nos anos 1980 e associado, segundo a exposição, à incorporação da inovação tecnológica a uma lógica de aumento da produtividade com redução da força de trabalho.
A professora Lívia Gomes, da Universidade Federal de Goiás e da diretoria do ANDES-SN, apresentou outros resultados da enquete, detalhando causas ou possíveis causas do adoecimento da categoria, principalmente no campo da saúde mental. Entre os aspectos abordados esteve a plataformização, apontada também como elemento que pode contribuir para o enfraquecimento da luta coletiva pelo esvaziamento presencial dos locais de trabalho nas universidades.
No domingo, 20, a programação prosseguiu com discussões sobre os afastamentos por adoecimento mental e a mercantilização das políticas sociais. Segundo Jadir, a doutora Muriel Lopes, do Dieese do Distrito Federal, chamou atenção para o crescimento dos casos de afastamento por problemas de saúde mental entre trabalhadoras e trabalhadores, que em 2025 ultrapassaram 365 mil afastamentos. A necessidade de estratégias de prevenção para reduzir esses números e melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora também esteve em pauta.
O professor Luiz Henrique Schuch, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), por sua vez, destacou a responsabilidade do movimento docente na luta contra a aceleração da mercantilização das políticas sociais, apontando saúde, educação e Previdência como áreas sob pressão desse processo. Para Jadir, o debate também evidenciou que a privatização dos serviços públicos não afeta apenas servidoras e servidores, mas a sociedade como um todo.
A programação do seminário foi encerrada com uma roda de conversa sobre experiências de luta da categoria. Entre as pautas destacadas estiveram o reenquadramento de aposentadas e aposentados, o fim da contribuição previdenciária e outras reivindicações previstas no acordo de greve de 2024 e ainda não solucionadas, além dos ataques às instituições federais de ensino superior por meio do desfinanciamento.

A idade não deve ser um indicador de desigualdade
A segunda-feira, 21, foi dedicada à IV Jornada de Assuntos de Aposentadoria. A primeira mesa tratou do “Idadismo no contexto do trabalho docente”. Conforme o relato de Jadir, a doutora Leides Moura, da UnB, abordou o idadismo como uma questão que afeta a comunidade acadêmica e interfere nas relações intergeracionais. Em vídeo publicado pelo Sindicato Nacional, a docente da UnB reforça: "a idade é um indicador e não deve se transformar em um indicador de desigualdade”, afirma Leides Moura.
Já a professora Caroline Araújo, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e da diretoria do ANDES-SN, apresentou dados sobre o envelhecimento com base em informações do IBGE e destacou a necessidade de políticas sociais que permitam envelhecer com dignidade.
Na sequência, um painel apresentou o diagnóstico do acolhimento e suporte a docentes aposentadas e aposentados. O professor Josevaldo Pessoa da Cunha, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e da diretoria do ANDES-SN, apresentou dados do levantamento realizado com aposentadas e aposentados. Com aproximadamente um terço tendo respondido ao instrumento, os resultados já permitem pensar em estratégias para fortalecer o sentimento de pertencimento ao sindicato e à vida acadêmica.
A terceira mesa discutiu o fim da contribuição previdenciária e os desafios da luta sindical. O doutor Leandro Madureira, da Assessoria Jurídica Nacional, abordou as diferenças entre os regimes próprio e geral da Previdência e tratou da contribuição a partir do princípio da solidariedade. Já a professora Sara Granemann, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destacou que o destino da Previdência também está relacionado às decisões políticas dos governos sobre renúncias de cobrança e isenções de impostos, especialmente em setores específicos como o agronegócio.
As discussões da Jornada reafirmaram, entre as pautas do movimento docente, a defesa da revogação das contrarreformas da Previdência e o fim da contribuição previdenciária para aposentadas, aposentados e pensionistas do serviço público.
Na terça-feira, 22, as atividades foram encerradas com um ato em frente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Durante a mobilização, que ocorreu das 10h às 12h, o ANDES-SN protocolou suas reivindicações em defesa da revogação das contrarreformas da Previdência e pelo fim da contribuição previdenciária de aposentadas, aposentados e pensionistas do serviço público.
Para Jadir Lemos, a participação da Sedufsm nas atividades nacionais também contribui para aproximar a realidade vivenciada localmente das discussões construídas pelo movimento docente em âmbito nacional. Os debates sobre saúde, trabalho, Previdência e aposentadoria, segundo os temas tratados durante os encontros, atravessam diferentes momentos da trajetória docente e exigem organização coletiva.
Na manhã desta sexta-feira, 25, o ANDES-SN publicou um vídeo com a síntese das atividades do Seminário e da Jornada. Assista no link aqui.

Próxima quinta, 1° de outuro: III Encontro do GTSSA da Sedufsm debate saúde e trabalho em Santa Maria
A discussão sobre as condições de trabalho e seus impactos na saúde terá continuidade em Santa Maria no dia 1º de outubro, durante o III Encontro do Grupo de Trabalho de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria (GTSSA) da Sedufsm. Com o tema “Trabalho docente e saúde”, a atividade será realizada das 8h30 às 17h, no Hotel Itaimbé, Sala Plátano.
As inscrições para o encontro podem ser realizadas até esta segunda-feira, 28 de setembro, pelo e-mail sedufsm@terra.com.br ou pelo WhatsApp (55) 99962-2248.
Confira aqui a programação completa do encontro.
Texto: Nathália Costa
Imagens: Eline Luz/ANDES-SN
Assessoria de Imprensa da Sedufsm
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