III Encontro do GTSSA debateu saúde mental, superendividamento e reforma da Previdência
Publicada em
02/10/26
Atualizada em
02/10/26 21h05m
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Evento reuniu docentes em um dia de discussões, oficinas e confraternização em Santa Maria
O III Encontro do Grupo de Trabalho de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria (GTSSA) da Sedufsm, ocorrido ao longo da manhã e da tarde da última quinta-feira, 1 de outubro, passeou por temas diversos, que abordaram desde a saúde mental, até a precarização das e dos aposentados advinda das sucessivas reformas previdenciárias, passando pelas políticas de austeridade fiscal que levaram ao superendividamento da população. O evento, ocorrido na Sala Plátano do Itaimbé Palace Hotel, representou um momento de reflexão, formação e encontro.
Logo no início da manhã, o psicólogo e doutorando em Psicologia na UFSM, Cristian Nunes Rodrigues, promoveu quase uma sessão de terapia coletiva, convidando as e os professores a uma série de reflexões a respeito de como estruturaram suas vidas em torno do trabalho, de quais sentimentos se expressam quando recordam o cotidiano vivenciado por décadas dentro da universidade, e de como construir uma aposentadoria mais saudável emocionalmente.
“O que significa passar uma vida trabalhando como professor? Depois de tantos anos, o que permanece dessa experiência? Como reorganizar a vida após a aposentadoria? Quem sou eu quando o trabalho deixa de organizar meu cotidiano? Depois de tudo que a universidade pediu para vocês, o que a vida ainda pode pedir?”. Essas foram algumas perguntas lançadas por Cristian para os participantes do Encontro, que partilharam respostas das mais diversas, mas em todas elas coexistiam dois aspectos: a satisfação com a docência e a frustração pela sobrecarga e baixa valorização.
O psicólogo ponderou que a docência é atravessada por uma série de sentimentos paradoxais como prazer e sofrimento, autonomia e controle, reconhecimento e invisibilidade, realização e exaustão, vocação e cobrança, trabalho e vida pessoal. "O trabalho convoca o corpo, a inteligência, os afetos, a criatividade, o julgamento, as relações, a história pessoal. Existe neutralidade nesse trabalho? É possível passar ileso pela experiência de ser professor?", provoca. E quando o período de trabalho acaba e a pessoa se aposenta, seu corpo e sua mente podem demorar para se adaptar à nova realidade, pois, além do ritmo acelerado que marca as décadas de docência, ser professor ou professora faz parte de uma identidade forte demais para ser guardada. "É preciso pensar outros modos de estar no mundo: descansar sem culpa, não produzir o tempo todo, fazer algo sem finalidade, enfim, redimensionar o lugar que o trabalha ocupa na sua vida", sugere Cristian.
Estimulação cognitiva
Após o momento de conversa inicial, as e os docentes participaram da oficina "Ginástica Cerebral", ministrada por Lilian Ester Winter e Marcia Rosa, da Rede Supera, que, há oito anos, existe em Santa Maria. Elas explicaram que hoje são atendidas, em media, 200 pessoas, sendo que a imensa maioria delas tem mais de 60 anos - embora o local atenda, também, crianças, jovens e adultos.
Através de jogos, instrumentos e dinâmicas, o objetivo do Supera é desafiar o cérebro permanentemente, com os estímulos adequados, para que se mantenha ativo, com boa capacidade de memória, atenção e decisão. Lilian explicou que o funcionamento do cérebro é semelhante ao de um músculo: ambos precisam ser treinados de forma contínua. Enquanto o treinamento em academia ajuda a constituir uma reserva muscular, a estimulação cerebral cria uma reserva cognitiva. Como exemplos, elas propuseram aos docentes atividades com ábaco (instrumento manual de cálculo) e Shiritori (jogo de palavras japonês), além de exercícios de memorização. "A estimulação cognitiva é um dos fatores protetivos do cérebro, ao lado de atividade física, sono, alimentação e interação social", concluiu Lilian.
Reforma da Previdência
No período da tarde, um debate mais duro teve de ser feito pelas e pelos participantes do Encontro. Luciana Inês Rambo, advogada e assessora jurídica da Sedufsm, explicou os malefícios trazidos pela Emenda Constitucional (EC) 103, conhecida como Reforma da Previdência, para aposentadas, aposentados e pensionistas. Dentre as previsões que ameaçam a dignidade dos aposentados estão a desconstitucionalização do sistema previdenciário, a possibilidade de extinção dos regimes próprios, a idade mínima como principal requisito de aposentação, o aumento do tempo de contribuição, a redução dos valores dos benefícios, o aumento das alíquotas das contribuições previdenciárias (incluindo alíquotas progressivas e possibilidade de contribuições extraordinárias) e a vedação à acumulação de benefícios.
No cerne de todas essas mudanças está o intuito de fragilizar os direitos, achatar os valores dos benefícios recebidos e aproximar, cada vez mais, o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). E, ainda que a EC mantenha, por exemplo, as aposentadorias com integralidade e paridade de quem já tem direito adquirido, nada impede, frisa Luciana, que essas pessoas sejam submetidas a possíveis alterações no RPPS.
Alíquotas - Antes da Reforma de 2019, aposentados e pensionistas pagavam alíquotas de 11% acima do teto do RGPS. A partir da nova medida, as alíquotas subiram para 14%, com possibilidades tanto de ampliar a base para parcela acima do salário mínimo, se houver déficit atuarial, quanto de contribuição extraordinária por até 20 anos se necessário para equacionamento do déficit.
Embora a medida, aprovada no governo de Jair Bolsonaro, afete também os servidores que hoje estão na ativa, a advogada enfatizou os impactos para aposentados, visto que essa era a realidade da maioria das pessoas presentes ao evento.
Texto: Bruna Homrich
Fotos: Bruna Homrich e Jefferson Pinheiro
Assessoria de Imprensa da Sedufsm
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Documentos
- Superendividamento - Por Ariani Avozani
- Saúde Mental e Trabalho Docente - por Cris Nunes
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