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Reflexões docentes

O fim do EaD e o fortalecimento do docente, parte II

27/04/2020

Luciano Schuch
Professor do departamento de Processamento de Energia do CT. Vice-reitor da UFSM

Como é bom que ver a força de uma lauda que nos coloca em frente a um espelho e nos faz refletir sem falar no poder de disseminação das redes sociais. Não tinha dúvida que texto “O fim do EaD e o fortalecimento do docente” iria causar inúmeras interpretações, pois é assim mesmo que acontece o processo de aprendizagem. O leitor como o educando tem um saber a oferecer, pois este não é uma “tábua rasa”, vazia, sem conteúdo, como dizia Paulo Freire.

Vou dividir minha fala em dois momentos, mesmo sabendo que elas se confundem: a primeiro do professor Luciano Schuch, com experiência de quase vinte anos na docência, e a segunda, do Vice-Reitor da UFSM, Luciano Schuch.

Como docente acredito que o EaD é uma modalidade de ensino, quando usada da forma correta, poderosa que democratiza o acesso ao ensino superior principalmente para a classe trabalhadora que não dispõe de tempo para ficar o dia interior envolvido com a universidade fazendo o ensino, a pesquisa e a extensão nos horários definidos por nós. Podem estudar e pesquisar no seu ritmo e no tempo disponível.

Por acreditar muito no EaD estava ficando preocupado com as críticas e ataques que esta modalidade de ensino estava sofrendo, neste momento de pandemia, que pode destruir o trabalho de muitos professores e até mesmo dificultar a colocação no mercado dos egressos EaD da UFSM, que em alguns casos formados em cursos com conceito aferido pelo INEP/MEC maior que do mesmo curso presencial.

Não tenho como discutir o uso do EaD para além do ensino superior, pois não tenho experiência em outros níveis de ensino e tão pouco já estudei o assunto. Minha ética profissional não permite ilações e especulações sobre o assunto.

Posso afirmar de maneira peremptória que o EaD nunca irá substituir o ensino presencial, mas negar que o ensino presencial é mediado por tecnologias em rede, é fuga da realidade que nos rodeia. Estas tecnologias já estão dentro da sala de aula independente da vontade do professor.

Antes da pandemia, qual professor não utilizava no apoio as aulas presenciais um PC ou notebook para enviar e-mail para os estudantes? Não consultava a World Wide Web (ou simplesmente web) para preparar suas aulas e realizar pesquisas? Não utilizava o celular para se conectar com os alunos? Não utilizava um software de simulação? No caso de alunos com necessidades especiais as tecnologias são ainda mais aliadas. Já os professores nativos digitais já vinham utilizando Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) como o Moodle e Google Classroom, já compartilhavam material usando a nuvem, utilizavam o Facebook e Instagram para interagir com os alunos, confeccionavam podcast e videocast, faziam visitas virtuais à universidade, cidades e museus, e convidavam docentes/pesquisadores para encontros virtuais utilizando ferramentas de videoconferências como hangout, entre tantas outras. Nem vou entrar no assunto das metodologias ativas para não misturar os assuntos. Importante destacar que não estou falando do Massachusetts Institute of Technology (MIT), mas sim do que vejo nas salas de aula e nos corredores dos prédios da UFSM.

Sei que a realidade de cada uma das nossas, milhares, disciplinas são diferentes devido à autonomia docente, desigualdade social do alunado e perfil do curso, mas destaco que as tecnologias em rede citadas são de distribuição gratuita e quase todas elas com cursos de capacitação disponibilizado há anos na UFSM.

Por outro lado, uma parte significativa dos estudantes universitários, independente da classe social, tem pelo menos um aparelho celular e utilizam uma infinidade de ferramentas, tecnologias e rede sociais para se conectar e estudar, sendo para nós, os docentes, impossível acompanhar e limitar o uso.

Para os que ainda não acreditam que o ensino presencial é mediado por tecnologia em rede façam um teste, pode ser na volta das atividades acadêmicas presenciais, fiquem uma semana sem acessar o 4G e WiFi do celular e a web nos computadores e tablets por uma semana ou tentem impedir os estudantes de o fazer também.

Como Vice-Reitor posso afirmar que a UFSM nunca sugeriu ou normatizou o uso do EaD em meio à pandemia do COVID-19, mesmo o MEC tendo autorizado o seu uso no Ensino Superior. Sabemos da complexidade, da necessidade de estrutura física e logística, bem como da capacitação dos docentes para utilização do EaD, por isso tivemos o cuidado de normatizar e regulamentar o Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE) visando manter os docentes e estudantes conectados e aproveitando o tempo que estamos em casa durante a quarentena.

Por outro lado, devido aos riscos à saúde física e emocional da comunidade da UFSM implantamos diversas ações de apoio aos estudantes e aos servidores e demos autonomia para os docentes e para os estudantes decidirem se irão aderir ao REDE, ou seja, ninguém é obrigado, independente do motivo, de participar do REDE. Após o término da suspensão das atividades presenciais o calendário acadêmico será adequado para que todos possam recuperar as aulas e/ou as atividades. Vamos sugerir ao CEPE que mantenha as 15 semanas de aulas do calendário para não sobrecarregar os estudantes nem os docentes.

A partir desse ponto, com a liberdade de cátedra, o professor tem a autonomia de planejar e organizar a sua “aula de aula” e as atividades do REDE. A Reitoria não gerencia e nem irá interferir na sala de aula e atividades propostas pelos docentes. É nosso princípio a liberdade e autonomia didático-pedagógica dos docentes.

Entendo que temos que dar as condições técnicas e pedagógicas aos professores e estudantes que aderiram ao REDE e apoiar e confortar os que, pelos os mais diferentes motivos, decidiram parar com as aulas em meio à pandemia, bem como respeitar todas as posições e argumentos, pois este é o princípio balizar da educação e da democracia.

Por fim, tenho convicção que todos nós, independentemente de posições políticas e pessoais, temos na defesa da educação nosso ponto em comum, pois é através da mesma que teremos um país mais forte, soberano e democrático e por isso rechaçamos todo ataque à educação, seja através de redução de verbas, seja através de políticas pedagógicas que não levem em conta a multidisciplinariedade e a diversidade. Neste contexto, são pertinentes as palavras do grande educador e mestre Darcy Ribeiro: “Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu".

Sugiro lerem o texto “O fim do EaD e o fortalecimento do docente” para verem que os dois textos têm o mesmo objetivo. Para lê-lo, acessar o perfil do facebook: https://www.facebook.com/LucianoxSchuchxCrislei



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