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Reflexões docentes

Disrupturas

31/08/2020

Marta Tocchetto
Doutora em Engenharia. Professora aposentada do departamento de Química. - UFSM

“As disrupturas levaram o homem à desconexão com a natureza, à desvalorização da vida e à mercantilização dos recursos naturais”.

A desconexão do homem com a natureza torna-se mais evidente em meio a pandemia, mesmo sendo esta resultado da devastação, degradação e destruição provocadas por ele mesmo. No Brasil, os gráficos não só demonstram, mas ilustram a incapacidade de enfrentamento da doença pelos governos e pelos próprios cidadãos. Neste quesito, o governo federal está dando show. Elegeu, em diálogo com as emas, a cloroquina como porta-bandeira, apesar de todas as evidências científicas contrárias de eficácia. É evidente que o clima de negacionismo, a cada dia conduziu ladeira abaixo o isolamento, juntamente com outras medidas para reduzir a propagação do vírus, até que as propaladas vacinas sejam aprovadas. Não fica atrás, o uso de máscaras que, apesar das iniciais polêmicas, foi aprovada e é recomendada como forma eficiente para reduzir a infecção.

A cada início de semana sobram notícias de festas clandestinas, reuniões com aglomeração em bares, restaurantes, praças e parques. A sensação é de que os incrédulos e invencíveis crescem na mesma relação exponencial que o vírus avança. Nesta desordem social, onde cada um descumpre e insiste na defesa egoística de seus interesses, soma-se o setor econômico afirmando e pagando matérias publicitárias:

 – A economia não pode parar!

A economia, segundo eles, não apenas não pode parar, como ela precisa girar. Em tempo de necessária redução de movimentação de pessoas e de aglomerações, o impulsionamento das vendas, mesmo em datas não festivas, acirra a concorrência e busca dar fôlego aos negócios. Promoções revelam as contradições presentes no cenário pandêmico. Reaquecer vendas são mais importantes do que proteger vidas. A tortura ameaçadora do desemprego é mais um ingrediente a rondar o cenário. A indiferença e a ganância agora assombram o setor educacional com a pressão ao retorno às aulas presenciais. Mais uma vez, a economia se sobrepondo à vida.

A defesa e a urgência da abertura soam que a pandemia acabou, apesar dos quase ainda mil mortos, diariamente. O saldo trágico e devastador das mais de cem mil vidas ceifadas ecoa com ares de normalidade – todos morrerão um dia. Histórias, sonhos, projetos com nomes e sobrenomes sucumbem aos olhos insensíveis. É impossível medir economia e proteção à vida com a mesma régua. As estratégias reducionistas resumem proteção e segurança ao uso de máscaras e álcool gel, medição de temperatura e controle de acesso.

A economia não pode parar, bradam! No entanto, vidas são protegidas com políticas que acolhem pessoas e reduzem o adoecimento físico e mental. Vivemos um faz-de-contas em relação à pandemia. As disrupturas levaram o homem à desconexão com a natureza, à desvalorização da vida e à mercantilização dos recursos naturais. No sistema vivo que é o planeta, somos mais um. O reconhecimento da importância de todos e da importância do papel de cada um garante o equilíbrio, essencial para manutenção da vida. A falta de sintonia transforma humanos em humanoides desprovidos de vontade própria, empatia, solidariedade e compaixão. A ausência destes sentimentos relega o significado transcendental da vida a mero coadjuvante em uma lógica perversa, que confunde destruição com desenvolvimento e vida com economia.

*Doutora em Engenharia



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