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A dúvida

17/11/2021

José Renato da Silveira
Professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais

“O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”.

Aristóteles

A dúvida em Aristóteles e Descartes

O filósofo estagirita, Aristóteles, dizia que “a dúvida é o início da sabedoria”. Portanto, para o pensador grego que maior influenciou o Ocidente, a dúvida é uma premissa básica para o ato de filosofar. Aristóteles é categórico: a admiração é o elemento fundamental da gênese do filosofar. Em outras palavras, a admiração é a base que funda a construção de uma reflexão filosófica. A admiração, a contemplação das coisas do mundo é o verdadeiro ato de filosofar. Aliado à admiração está o reconhecimento da própria ignorância. À medida que refletimos, nos damos conta que não sabemos tudo. Daí ser necessário duvidarmos de tudo e de todos, inclusive de nós mesmos.

Nesta mesma linha, René Descartes elaborou a sua expressiva filosofia a partir da dúvida. Descartes defende que para chegar à verdade, temos de duvidar de tudo. Todas as coisas em que surgir a menor dúvida devem ser tomadas como falsas. Assim temos que duvidar das coisas sensíveis, pois os sentidos muitas vezes erram. Eis a dúvida metódica de Descartes. Ou seja, como diz o professor David Camilo: “O racionalismo de Descartes o leva a uma dúvida em relação ao mundo e tudo o que dele faz parte. Desta forma, se vê comprometido a afastar-se de tudo aquilo que até então fora estabelecido e dado como certo. O filósofo inicia este caminho a partir dela mesma, a dúvida, ou seja, é preciso duvidar para chegar à certeza das coisas. Partindo deste pressuposto, ele supõe que todas as coisas que vê são falsas e persuade-se de que tudo que até ali se apresentou não existia e, por conseguinte, despreza, ao menos inicialmente, todos os sentidos, para então recomeçar do zero”.

Vale destacar que o pensamento cartesiano figura e figurou como um dos principais fundadores da “ciência moderna”.

A dúvida no reino da política

“A política é trágica”, como afirma o professor Thiago Rodrigues. Nesta linha de pensamento, a retomada de Heráclito e do agonismo nos revela a faceta da política como “guerra constante”. Nietzsche reintroduz a ideia de tragédia na política, mostrando que o “Estado é produto desses incessantes combates e, ao mesmo tempo, agenciador de muitas formas de “guerra”: contra parte de seus cidadãos, contra parte de cidadãos de outros países, contra certas ideias, a favor de certas ideias... A vida é política e trágica”.

Ao trazermos esta noção de “guerra constante”, de “combate incessante”, na visão do renomado roteirista, Anthony McCarten, há um ingrediente surpreendente que qualquer nação – em grave crise – gostaria de encontrar em seu líder: a dúvida.

Para McCarten, o líder – ideal em tempos de crise – deve possuir a capacidade vital de duvidar de seu julgamento, possuir uma mente capaz de contemplar ao mesmo tempo duas ideias contrárias e só então sintetizá-las; não ter a mente fechada e, portanto, manter-se conversando com todos os pontos de vista.

É possível encontramos este líder no Brasil?

 

Fonte:

CORAÇÃO FILOSOFANTE. https://coracaofilosofante.wordpress.com/2015/09/15/aristoteles-rene-descartes-e-vilem-flusser-a-admiracao-e-a-duvida-como-principios-da-reflexao-filosofica/. Acesso em: 15 de agosto de 2021.

GAZETA DO POVO. A dúvida metódica de Descartes. https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/vida-na universidade/vestibular/a-duvida-metodica-de-descartes-148028vxkehd9phzusi1p7o7i/. Acesso em: 15 de agosto de 2021.

McCARTEN, Anthony. O destino de uma nação: como Churchill desistiu de um acordo de paz para entrar em guerra contra Hitler. Trad. Luis Reyes Gil, Eliana Rocha. 1 ed. São Paulo: Planeta, 2017.

SILVEIRA, José Renato Ferraz da (org). A tragédia da política (Relações Internacionais). 1 ed. Curitiba: Appris, 2019.




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