Doenças afastaram 4,1 milhões de trabalhadores brasileiros de suas funções em 2025
Publicada em
12/02/26
Atualizada em
12/02/26 09h32m
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Reportagem especial produzida pela Sedufsm em janeiro também destacou dados mundiais que apontam 52% de docentes acometidos de doenças psíquicas
Mais de 4,12 milhões de trabalhadores tiveram que se afastar temporariamente de suas funções, no Brasil, em 2025, por motivos de saúde. Contabilizado pelo Ministério da Previdência Social, o número de licenças laborais por incapacidade temporária é o maior desde 2021, e 15% superior aos pouco mais de 3,58 milhões de casos registrados em 2024.

Pelo terceiro ano consecutivo, as dores nas costas lideraram o ranking das doenças e transtornos que exigiram o pagamento de benefícios assistenciais por incapacidade temporária no país. Só as queixas relacionadas à dorsalgia (CID M54) forçaram o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a auxiliar a 237.113 trabalhadores formais forçados a se afastar de seus empregos por mais de 15 dias. Em 2024, a dorsalgia também ocupou o topo da lista, com 205.142 casos.
Em segundo lugar geral, no ano passado, ficaram as lesões ou desgastes dos discos intervertebrais (CID M51), como as hérnias de disco, que, em 2025, totalizaram 208.727 casos. Na sequência, aparecem as faturas da perna, incluindo de tornozelos (CID S82), que somaram 179.743 registros. Nos dois casos, os resultados foram piores que os registrados em 2024, quando o INSS concedeu, respectivamente, 172.452 e 147.665 benefícios.
Em 2025, a quarta e a sexta posição do ranking geral das doenças e transtornos incapacitantes foram ocupados por agravos mentais e comportamentais, como a ansiedade em suas diferentes manifestações (F41), que geraram a concessão de 166.489 benefícios, e os episódios depressivos (126.608). Também nestes casos, os afastamentos laborais vêm crescendo ano após ano: em 2024, por exemplo, eles totalizaram 141.414 e 113.604 registros, respectivamente.
Gênero
Considerando o recorte de gênero, sempre há diferenças na ordem das doenças e transtornos que mais geraram benefícios por incapacidade temporária. Em 2025, enquanto a maioria das mulheres (121.586) teve que se afastar do serviço por dores na coluna, a maior parcela (116.235) dos homens foi impedida de trabalhar por ter fraturado as pernas e/ou o tornozelo.
No caso das mulheres, em segundo lugar, aparecem os transtornos ansiosos (118.517), seguidos pelas lesões ou desgastes dos discos intervertebrais (98.305). Já no caso dos homens, em segundo fica a dorsalgia (115.527) e, em terceiro lugar, também as lesões ou desgastes dos discos intervertebrais (110.422), como as hérnias.
Dos 4.126.112 benefícios que o INSS concedeu em 2025, mais de 2,10 milhões foram para trabalhadoras formais seguradas e pouco mais de 2,02 milhões para homens.
Saúde mental: adoecimento psíquico atinge 52% de docentes no mundo
Agora no mês de janeiro a equipe da Sedufsm produziu uma reportagem especial sobre adoecimento mental e as condições de trabalho das e dos docentes nas universidades. Ana Cristina Barros da Cunha, professora do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destacou um dado alarmante: informações globais indicam prevalências entre 10% a 49% de adoecimento mental, decorrentes do trabalho docente. E o desfecho disso, segundo ela, leva ao estresse, que se agrava. E aí surge a Síndrome de Burnout, que representa um grave adoecimento psíquico pelo trabalho que, segundo cita ela, atinge até 52% de professores e professoras em âmbito mundial.
Ainda segundo a pesquisadora, transtornos mentais como ansiedade e depressão também são frequentes, sendo a depressão um dos transtornos mais relevantes, que pode atingir cerca de 15,9% a 28,9% das e dos docentes.
Ana Cristina também destaca que todas as pesquisas são unânimes em afirmar que docentes mulheres têm maior risco para adoecimento mental no trabalho, quando comparados aos homens, quer seja pela jornada tripla de trabalho, quer seja por serem mais vulneráveis a casos de assédio moral, discriminação e violência no trabalho, especialmente quando estão inseridas em ambientes acadêmicos mais masculinos, como as Engenharias e Tecnologias.
Em estudo com 2.252 docentes brasileiros (952 mulheres e 1300 homens), cita a pesquisadora, com idades entre 35 e 69 anos, estimou-se que 26,8% das mulheres (contra 13,6% dos homens) reportaram transtornos mentais geralmente associados a desigualdades no trabalho, falta de tempo para autocuidado e lazer, e conflitos trabalho-família, sendo este último, o único fator associado aos homens.
Para ler reportagem completa com dados, entrevistas e análises a respeito da saúde mental docente e o trabalho acesse o link aqui.
Texto: CUT com edição de Nathália Costa
Imagem: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Assessoria de Imprensa da Sedufsm
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