Diretoria e CR da Sedufsm denunciam desvio de função docente na UFSM
Publicada em
08/05/26
Atualizada em
08/05/26 18h02m
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Em ofício encaminhado nesta sexta, 8, à gestão da UFSM, sindicato pede providências imediatas para corrigir tais irregularidades
A diretoria e o Conselho de Representantes da Sedufsm encaminharam, nesta sexta-feira, 8 de maio, ofício ao gabinete da Reitora Martha Adaime e à Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) da UFSM cobrando providências imediatas com relação aos desvios de função impostos recentemente às e aos docentes. No documento, o sindicato denuncia a situação de sobrecarga vivenciada pela categoria, que vem assumindo demandas próprias do trabalho das e dos técnico-administrativos em educação, como a inclusão de disciplinas no sistema, tarefa até então executada exclusivamente pelas secretarias dos cursos.
Atualmente, as e os técnicos encontram-se em greve. Embora reconheçam o direito fundamental de paralisação das e dos trabalhadores, a diretoria e o Conselho da Sedufsm ressaltam que as e os docentes não podem ser penalizados com transferência de atribuições que seriam das e dos servidores grevistas, e cobram da Administração da universidade um plano responsável e coerente para lidar com os problemas operacionais decorrentes do movimento paredista.
A nota, que foi convertida no ofício encaminhado à Reitoria da UFSM, foi elaborada pela diretoria da Sedufsm e aprovada, com algumas modificações, pelo Conselho de Representantes, em reunião ocorrida na Casa Clóvis Guterres na tarde desta sexta-feira, 8 de maio.
Leia, abaixo, a íntegra do texto:
"NOTA PÚBLICA DA DIRETORIA E CONSELHO DE REPRESENTANTES DA SEDUFSM
A Diretoria da Sedufsm e seu Conselho de Representantes vêm a público solicitar providências imediatas em relação ao desvio de função imposto às/aos docentes da UFSM em decorrência da greve dos servidores/as técnico-administrativos/as em educação. Reiteramos a total legitimidade do movimento paredista dos técnicos/as e reafirmamos que a paralisação de uma categoria não pode resultar em sobrecarga de trabalho ou na transferência de atribuições para o corpo docente. Com a proximidade da oferta de disciplinas para o semestre 2/2026 e a necessidade de cumprimento do calendário acadêmico, recebemos comunicações de que a Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) liberou o acesso ao sistema para que as coordenações de curso realizem a inclusão de disciplinas. Ocorre que tal tarefa é de competência exclusiva das secretarias dos cursos e não dos docentes, configurando uma irregularidade administrativa.
A atual gestão da Universidade não pode terceirizar a solução de problemas operacionais nem alegar a inexistência de um plano excepcional para a oferta de disciplinas, considerando que o movimento dos técnicos/os teve início ainda em fevereiro. Houve, portanto, tempo hábil para a construção de alternativas que não configurassem desvio de função docente. É importante destacar que, como gestores, é sabido que a Lei de Greve (Lei 7.783/89) assegura o direito de paralisação mas impõe limites, como a manutenção de serviços essenciais para atender necessidades inadiáveis. Dessa forma, cabe à administração o diálogo direto com os grevistas para garantir o cumprimento dessas funções mínimas a fim de evitar trabalho extra e indevido aos docentes.
A Sedufsm permanece vigilante na defesa dos direitos da categoria e à disposição para o diálogo.
Santa Maria, 8 de maio de 2026
Diretoria e Conselho de Representantes da Sedufsm"
Outros encaminhamentos
Além do ofício à Reitoria, a diretoria e o Conselho de Representantes encaminharam outras questões na reunião de hoje, a exemplo da convocação, em data ainda a ser divulgada, de uma reunião do Grupo de Trabalho (GT) Carreira local, a fim discutir a proposta de carreira do ANDES-SN; do apoio da assessoria jurídica e contábil do sindicato às e aos aposentados que têm caído na malha fina do Imposto de Renda após adotarem a declaração pré-preenchida da Receita Federal; e do questionamento à Unimed sobre a cobrança de primeiras consultas com especialistas conveniados ao plano.
No encontro também foi discutido o PL 1893/26, que estabelece regras para a negociação coletiva entre a administração pública e as entidades representativas das trabalhadoras e trabalhadores. Houve entendimento unânime do CR de que a proposta traz avanços e não enfraquece o instrumento de greve.
"Além disso, foi tratado do tema do subfinanciamento das instituições federais de ensino. Avaliamos alguns dados e os impactos dentro da universidade, em custeio e investimento, mas especialmente na permanência estudantil", informa Everton Picolotto, presidente da Sedufsm. Ele ainda acrescentou que outro ponto tratado na reunião foram as denúncias anônimas, registradas no portal Fala Brasil, contra docentes. Serão solicitados esclarecimentos à universidade e a criação de procedimentos para uma melhor verificação acerca da consistência dessas denúncias.
Texto: Bruna Homrich
Foto: Eduarda Kaiser
Assessoria de Imprensa da Sedufsm
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