Câmara aprova fim da escala 6x1 após pressão popular; ato em Santa Maria reforçou mobilização
Publicada em
28/05/26
Atualizada em
28/05/26 12h46m
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Com participação da Sedufsm, manifestação na Praça Saldanha Marinho cobrou aprovação da PEC, que agora segue para votação no Senado
Vitória da classe trabalhadora! Depois de muita pressão popular, mobilização sindical e luta nas ruas, a Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira (27), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que acaba com a escala de trabalho 6x1. A proposta foi aprovada em 2º turno com 461 votos a favor e 19 contra. No 1º turno, foram 472 votos a favor e 22 contra.
A PEC determina a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. A proposta também garante duas folgas semanais, sendo uma delas preferencialmente aos domingos. As mudanças passarão a valer 60 dias após a promulgação do texto.
O texto aprovado foi apresentado pelo relator, Leo Prates (Republicanos-BA), unificando duas propostas que já tramitavam no Congresso: a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que previa jornada de 36 horas semanais após um período de 10 anos; e a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que instituía a escala 4x3 (quatro dias de trabalho e três de descanso), com limite de 36 horas semanais, após um ano.

Ato cobrou fim da 6x1 - Enquanto a comissão que discutia a PEC realizava seus trabalhos em Brasília e a votação avançava para o plenário, Santa Maria foi local de mais um ato cobrando o fim da escala 6x1. A Sedufsm participou da mobilização, que reuniu trabalhadores, estudantes e parlamentares no final da tarde desta quarta-feira, 27 de maio, na Praça Saldanha Marinho.
As manifestações cobravam posicionamento do Congresso Nacional e reforçavam a urgência da derrubada da escala 6x1. O principal objetivo da pauta é ampliar o tempo de descanso, lazer e convivência com familiares e amigos.
Durante o ato, a diretora da Sedufsm, Neila Baldi, destacou que, mesmo exercendo atualmente o trabalho na escala 5x2, as e os docentes se somam à luta pela redução da jornada para outras categorias. Segundo Neila, essa é também uma pauta de solidariedade às mulheres trabalhadoras, frequentemente exauridas pelas jornadas intensas de trabalho somadas às duplas e triplas jornadas relacionadas aos cuidados com a casa, tarefas domésticas e o cuidado de crianças e idosos. Assim, as mulheres tendem a ser as principais beneficiadas pela redução da jornada e pela ampliação do tempo livre.
Após as falas de movimentos sociais, coletivos estudantis, sindicatos e parlamentares de esquerda, o ato seguiu pelo Calçadão, no centro de Santa Maria. No trajeto, muitas lojas que ainda operam na escala 6x1 permaneciam abertas. Manifestantes distribuíram panfletos e entoaram palavras de ordem como: “Trabalhador, se engana não! A 6x1 só é boa pra patrão!”.

Antes mesmo de sair em caminhada, o ato também realizou uma intervenção na Saldanha Marinho: em um varal, foram pendurados cartazes com as fotos das e dos parlamentares gaúchos contrário à redução de jornada e à pauta da classe trabalhadora. Manifestantes reforçaram que, em ano eleitoral, é fundamental que eleitoras e eleitores conheçam como e para quem legisla parlamentares e a importância de escolhas que priorizem as pautas das e dos trabalhadores.
Regras de transição e demais determinações da PEC que acaba com a escala 6x1
- escala de 5 dias de trabalho com 2 dias de descanso (após 60 dias);
- redução da jornada de 44 horas para 42 horas semanais (após 60 dias);
- jornada de 42 horas para 40 horas semanais, mantida a escala 5x2 (em 14 meses);
- jornada de trabalho não deverá ser superior a oito horas diárias e 40 horas semanais, podendo haver compensação e redução mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;
- lei ordinária irá tratar da jornada e do descanso de regimes diferenciados, como trabalhadores com seis horas diárias de trabalho;
- a nova regra não se aplica a quem possui jornada igual ou inferior a 40 horas semanais, nem a empregados com nível superior e remuneração mensal igual ou superior a R$ 8.475,55 (equivalente a duas vezes e meia o limite máximo dos benefícios do INSS);
- lei complementar poderá adotar medidas de transição para os microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte.
Nos bastidores de Brasília, a avaliação é de que a PEC poderá enfrentar debates no Senado especialmente em relação aos prazos e às regras de transição. Há possibilidade de que senadores proponham ampliar os prazos de implementação das novas regras, elevando o período de transição para, no mínimo, três anos. Ainda assim, o sentimento político é de que a proposta também seja aprovada na Casa, principalmente em razão da forte pressão exercida por movimentos sociais, sindicatos e parlamentares envolvidos com a pauta.

A campanha pelo fim da escala 6x1 ganhou força com a mobilização de trabalhadores, por meio do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), e, inicialmente, foi impulsionada no Congresso pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e pelo deputado Reginaldo Lopes (PT/MG).
A luta pelo fim da jornada 6x1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários é uma das pautas centrais do Plebiscito Popular por Justiça Tributária, organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, em articulação com entidades dos movimentos sindical e social, entre elas o ANDES-SN. Nos últimos meses, o Sindicato Nacional se somou a diversas entidades e canais de comunicação na divulgação do dossiê “Fim da Escala 6×1 e Redução da Jornada de Trabalho” e publicou os 36 artigos da série. Confira os artigos do dossiê
Leia mais no Informandes de maio sobre o fim da escala 6x1
A Sedufsm participou do Plebiscito Popular e foi ponto de votação durante a campanha no ano passado. Ainda em 2024, quando a pauta gerou o primeiro debate público, o sindicato fez uma reportagem sobre a redução de jornada de trabalho. Leia aqui a reportagem E por que não trabalhar menos? PEC que põe fim à escala 6x1 reacende debate sobre direito ao tempo livre?
Texto: Nathália Costa (com informações da Agência Câmara)
Imagens: Nathália Costa
Assessoria de Imprensa Sedufsm
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