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Reflexões docentes

O conhecimento e seu inverso

20/08/2020

Luiz Carlos N. da Rosa (1) e Antonio Celso Moreira (2)
Professor do departamento de Metodologia do Ensino - UFSM (1) Odontolegista em Cuiabá-MT (2)

O conhecimento é algo que, subjetivamente, parece um desejo psíquico das pessoas, de uma forma geral e, de quem quer interpretar o mundo, de uma forma muito especial. Como ter capacidade de "decodificar" o mundo se não conhecemos as intempéries e paradoxos de quem o vive? A escolaridade não nos capacita para interpretarmos o que os outros querem nos dizer?  O sofisma é a forma ideológica com que tentam nos ludibriar.

Não é em vão que precisamos do "divã" para entender o não dito naquilo que nos é expresso linguisticamente. As palavras e ideias não são exatamente o que estão expressas. Na vida, as falas dizem o contrário do que estão escritas. A demagogia e as falácias estão aí para enganar o ser humano e sua leitura de mundo. Infelizmente, essa sociedade do capital e meritocrática existe para, descaradamente, mentir. Vivificamos a mentira como se fosse uma verdade. Essa falsa verdade só interessa para os endinheirados e encastelados no poder.

Na Alegoria da Caverna, Platão refletiu muito sobre isso. Platão era um Idealista que acreditava nas castas sociais. Platão nunca pensou em igualdade ou numa sociedade justa, mas enquanto método, ele construiu o diálogo dialético para superar a esperteza dos sofistas. A nossa triste vida na pólis, até hoje, é igual. A organização da sociedade brasileira está imposta pelo latifúndio desde os primórdios. A consequente concentração de renda é a joia da coroa até o momento intocada. A base da manutenção desse status quo é a ignorância, que leva o homem às cegas às urnas depositar o que lhe é mais caro: o voto. Esse é o elo da igualdade. É nele que está depositada a esperança de toda a humanidade.

Com Getúlio e Lula vimos a força que ele exerce. Raros momentos de mobilidade social e lançamento de bases para mudanças sociais importantes, tendo a educação como carro chefe capaz de diminuir o abismo interclasses. Porém, os orgânicos da elite, muito bem remunerados, usando de todas as forças do capital mundial, anularam esses ganhos históricos. Continua a velha e estática organização de classes, com seus capatazes e capitães do mato bem alimentados a servir uma elite irrisória numericamente em detrimento de oitenta por cento da população.

Para tanto é preciso prender com as amarras da ignorância, humilhar, matar, desumanizar para que o povo aceite as intempéries do dia a dia. Esse é o modus operandi de nossa sociedade: a ignorância é a carta da manga da elite e seus mercenários que pisam no povo como num tapete vermelho.

A carta da manga do povo é o voto, por isso a criminalização da política. O conhecimento é o motor do elevador social, por isso que quando o negro aprendia a ler, era-lhe arrancado um olho, legalmente.

A necessária transmissão do conhecimento para ser efetiva tem que ter o público alvo, o conteúdo e os meios linguísticos compatíveis, caso contrário torna-se conversa de boteco para saborear entre um chope e uma porção de camarão. O Direito é uma inverdade para quem vive e conhece a sociedade que traveste o discurso sobre o pobre e o negro. O Direito e seu discurso sobre o chamado "Livre Arbítrio" no mundo do mantra Capital parece um discurso de uma mesa de espíritas.

O Estatuto do Direito não é capaz de ensinar que a vida burguesa é cheia de estranhamentos. Saber de seu direito e defender uma sociedade onde existe um Estado de Direito é saber que ninguém pode produzir injustiça social em nome de razões econômicas e de um Direito que escamoteia suas visões escravagistas. A igualdade nunca virá por decreto nessa sociedade desigual. A igualdade será produto de seres humanos pobres, pretos e que conhecem os subterrâneos dos ratos que são defensores da vida egoísta, que discrimina e é desigual.



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