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Reflexões docentes

Racismo e velhas autoridades

25/11/2020

Vitor Biasoli
Escritor e professor aposentado do departamento de História - UFSM

Em 1978, comecei a lecionar num grupo escolar em Alvorada, na região metropolitana de Porto Alegre. Recém formado em História, cheguei na escola com o ano letivo já em andamento e a Coordenação Pedagógica me pediu pressa no plano de curso. Preparei o material com o maior entusiasmo – História do Brasil para as quintas-séries do 1º grau, do descobrimento à independência –, entreguei num dia, no outro me chamaram.

– Olha, Vitor, não sei se tu sabes, mas não existe racismo no Brasil – a Coordenadora disse, ao me devolver os planos de curso.

Eu a olhei desanimado, pois, na parte relativa às atividades, além das questões a respeito da escravidão de índios e negros pelos portugueses colonizadores, eu acrescentara uma reflexão sobre as origens históricas das discriminações raciais ainda existentes na sociedade brasileira. Senti que tinha errado feio, que o mundo escolar era bem pior do que imaginara e teria de me enquadrar.

Fiquei calado, pensando no que iria dizer, a Coordenadora percebeu o meu embaraço e explicou:

– Há uma determinação da Delegacia de Educação contrária a se tratar desse assunto em sala de aula, pois o entendimento correto é de que vivemos numa democracia racial. Tu não sabias disso? – ela me perguntou, com um sorriso irônico no rosto.

Eu respirei aliviado. Só então entendi que ela brincando e apenas me informando a respeito dos pareceres e determinações esdrúxulos que orientavam a educação.

– Hoje ninguém dá bola pra isso, Vitor. Não vejo problema nenhum em tratares do assunto com os alunos.

Era 1978 e a abertura lenta e gradual do Presidente Geisel parecia estar funcionando na região metropolitana de Porto Alegre (pelo menos, era isso que achávamos) e possibilitava, no caso do ambiente escolar, o questionamento de um dos mitos da nossa formação social: o da democracia racial. Longe estavam os tempos em que as autoridades educacionais estabeleciam visões da sociedade brasileira que não correspondiam ao que já era consenso na área da produção acadêmica.

Pois quando vi no noticiário da TV o vice-presidente Hamilton Mourão declarar que não existe racismo no Brasil, que isso é coisa que querem importar para o Brasil, senti que os velhos tempos voltaram. Aquelas vozes antigas, as vozes das antigas autoridades educacionais que, um dia, no período áureo do Regime Militar, estabeleceram a inexistência do racismo na sociedade brasileira, essas vozes voltaram e se atualizaram nas declarações do vice-presidente.

Sei lá o que houve. Por momentos, o entendimento de que “ninguém dá bola pra isso”, que ouvi no pequeno grupo escolar de Alvorada, se esvaiu dentro de mim. O atual vice-presidente dá bola, sim.

 



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