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Longas lágrimas amargas

12/01/2022

José Renato da Silveira
Professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais

Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi:

Não sei. De fato, não sei

Como, por que e quando é a minha pátria.

Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e água

Em longas lágrimas amargas”

(Vinícius de Moraes)

 

Nas palavras do embaixador brasileiro Hugo Gothier (1909-1992) em relação a João Goulart: “Estancieiro rico, não podia acreditar que João Goulart fosse comunista. Eu me admirava, portanto, da onda de pavor que se apossara no Brasil, do medo que incentivara senhoras a marcharem de rosário na mão, orando para que Deus o impedisse de instalar o comunismo. No meu entender, Jango não era comunista, era apenas politicamente ingênuo e inábil. Percebi que ele estava brincando com fogo, avançando o sinal e se expondo. Cercado de esquerdistas, deixava-se dominar, agindo sem a prudência de um estadista. Percebi isso, com pungente clareza, pressenti o perigo que ele corria, por exemplo, na ocasião em que, no famoso do Automóvel Clube, discursou aos sargentos ousando subverter a hierarquia militar. Audácia que sempre custa caro. Juscelino era o primeiro a lhe dar conselhos para que se libertasse de algumas influências nocivas; para que pensasse duas vezes antes de tomar atitudes. Conversei muito sobre isso com Juscelino e, os dois, tentamos abrir os olhos de João Goulart. Mas ele não nos dava ouvidos, alegando que o povo estava ele, e ele agia em nome do povo. Se tivesse sido um pouco menos gaúcho e um pouco mais mineiro, teria evitado muito sofrimento, muita dor e muitas trevas (...) Em resumo, eu sabia que Jango estava fazendo malabarismos na corda bamba, desafiando forças poderosas sem o devido respaldo, e sem o tato e a argúcia política indispensáveis (...) Jango foi deposto por sua falta de tato e incompreensão do papel das Forças Armadas em toda a História do Brasil”.

Pois bem, em dois golpes no Brasil (1937) e (1964), as justificativas foram as mesmas: um "plano comunista" de tomada do poder...

O GOLPE (1937)

"Em setembro de 1937, os jornais anunciaram que o Exército havia descoberto um plano comunista para a tomada do poder. Essa situação havia sido forjada por um militar integralista pertencente ao Exército, que criou o boato – com o nome de Plano Cohen – de que os comunistas, nos dias seguintes, incendiariam igrejas, desrespeitariam os lares, promoveriam greves e massacrariam líderes políticos. Aproveitando-se dessa falsa acusação e argumentando que era preciso defender a liberdade, Vargas instalou a ditadura do Estado Novo. Poucas semanas depois do suposto plano comunista ter vazado na imprensa, Getúlio desferiu o golpe, fechando o Congresso Nacional e anunciando no rádio o “nascer da nova era”.


O GOLPE (1964)

"O Golpe Militar de 1964 foi deflagrado na noite do dia 31 de março, com a deposição do presidente João Goulart.

Esta ação contra um governo legalmente constituído marcou o início da ditadura militar no Brasil, que duraria até 1984.

Entre as principais justificativas para o golpe estava uma possível ameaça comunista representada pelo presidente João Goulart. A atividade militar foi apoiada por uma coligação formada por empresários, latifundiários e empresas de capital estrangeiro. A Igreja Católica também teve um papel importante no apoio ao golpe, por ser contra as diretrizes comunistas. Mais tarde, porém, parte do clero reveria esta posição e a Igreja se tornou uma das grandes opositoras ao regime. Citação do presidente, general e ditador Ernesto Geisel sobre a alcunha de golpe ao movimento de 1964: "O que houve em 1964 não foi uma revolução. As revoluções fazem-se por uma ideia, em favor de uma doutrina. Nós simplesmente fizemos um movimento para derrubar João Goulart. Foi um movimento 'contra', e não 'por' alguma coisa. Era contra a subversão, contra a corrupção. Em primeiro lugar, nem a subversão nem a corrupção acabam. Você pode reprimi-las, mas não as destruirá. Era algo destinado a corrigir, não a construir algo novo, e isso não é revolução".

No Brasil. nossas “revoluções” – desde a queda da Monarquia – nunca pretenderam mudar o regime político, menos ainda, tirar a elite política econômica do poder. As características “revolucionárias” mostram-se da seguinte forma: trocam-se os homens ou os fragilizados partidos que estão no governo, por meio de golpes e intrigas palacianas, mas nunca se altera o quadro institucional. Mudam-se as pessoas, mas não se toca na estrutura de poder. Os golpes que aqui ocorrem são a garantia aos grupos dominantes de que, por mais que se tente mudar, tudo ficará como está. É um sintoma clássico da tradição política brasileira.

Referências

GOUTHIER, Hugo. Presença. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2008.




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