Esquerda: até quando?
Publicada em
22/04/2026
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Felizmente, eu não conheci a tal rigorosidade de um quartel. Eu já estava na Universidade e, portanto, não vivenciei os "encantos" da doutrina/educação da caserna.
Como vivi minha infância e adolescência nos anos 1970, fui obrigado a estudar Moral e Cívica. Acreditem, na UFSM, fui enfurnado nas aulas de EPB (Estudo dos Problemas Brasileiros).
Para ser sincero e elegante, na UFSM, fui convidado a retirar-me da sala de aula duas vezes em uma aula de EPB e na aula de Estrutura e Funcionamento do Ensino. Fui taxado de Comunista pelos meus Doutos Professores.
Era final dos anos 70 e início dos 80. Vivíamos sob a égide dos astutos defensores da tirania ditatorial.
Papai e mamãe eram analfabetos, mas nos educaram sob a ótica humanista da generosidade. Meu velho pai era um evangélico democrático. Amoroso até o último fio de cabelo. Minha Mãe era "porra louca", pois fumava, usava ‘eslaque’ e tinha o cabelo curto. Esses paradoxos parecem ser um absurdo, mas formaram minha alma humana plural. Meus velhos pais ensinaram-me a não me apaixonar por doutrinas ou ortodoxias.
Sem saber, meus amados pais foram, absurdamente socráticos, pois Sócrates dizia: a única coisa que conheço é o limite de minha ignorância.
O meu velho pai nunca quis ser Profeta e, muito menos Poeta, mas decretou para a trajetória de minha vida: nunca leve a sério alguém que disse que já foi. Meu pai dizia, talvez, pela sua ideia de Deus ou não, quem foi sempre carregará o fardo (meu pai nunca leu Sísifo) - meu velho não sabia ler - e muito menos a Mitologia.
Quando o meu mano propiciou a geladeira para a nossa cozinha, a primeira preocupação de minha mãe foi colocar todos os potes possíveis para congelar para distribuir para seus queridos vizinhos.
Sem falar que meu papai tinha uma horta enorme. Ele plantava para nós e seus vizinhos. Ele nunca pensou se eles eram vagabundos ou não. Ele queria dividir o seu banquete.
Meu pai gostava de Getúlio Vargas e João Goulart.
Tudo na História é provisório. Não há na História uma verdade absoluta. A verdade na História é o ato/pensamento de viver a História.
Papai e Mamãe me educaram para pensar no outro e saber que o outro é substancial para a sanidade da minha vida.
Voltemos à Sociologia ou à Psicanálise do momento histórico que vivemos.
Ser de Esquerda é assumir essas premissas ou paradigmas. Amar o outro sabendo que os outros são os fundamentos de nossa trajetória existencial.
Hoje é pecaminoso ser solidário e generoso. Esses são os grandes sentimentos da humanidade que o Ataliba e a Elizia me ensinaram.
Se ser de Esquerda é isso, que assim seja Ad eternum.
Sobre o(a) autor(a)
Professor aposentado do departamento de Metodologia do Ensino do CE/UFSM