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10/09/2019   10/09/2019 17h05 | A+ A- | 429 visualizações

Entidades criticam falta de diálogo no corte de gastos na UFSM

Diretor da Sedufsm diz que é preciso lutar para reverter quadro de desmonte


Extrato do documento encaminhado pela Reitoria às Unidades da UFSM

Na última sexta-feira, 6, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) anunciou mais uma notícia que pode abalar a rotina da comunidade acadêmica: a racionalização de recursos que incluem energia elétrica, bolsas trabalho, restrição do Restaurante Universitário, dentre outras medidas. O que antes pairava sobre o campo das ideias, foi informado pelo Gabinete do Reitor às Categorias Gestoras de Recursos via Ofício Circular e agora passa a se concretizar.

A racionalização se dá por conta do corte orçamentário que a Universidade sofreu no início do ano, junto às demais Instituições Federais (IFs) do país. Como destacado pelo Pró-reitor de Assuntos Estudantis, Clayton Hillig, em matéria publicada no final do mês de agosto, a restrição do RU a estudantes com Benefício Socio-econômico (BSE) já era prevista. Porém, a nova medida evidencia ainda mais a difícil situação pela qual o ensino superior público do país passa.

Algumas das medidas adotadas mudam exponencialmente a rotina da Universidade. A redução do consumo de energia elétrica vai restringir a utilização de ar-condicionado a ambientes em que seu uso seja essencial, como em laboratórios e biotérios. Já a suspensão dos serviços do ônibus intra-campus também anunciada, pode causar grande impacto, visto que estudantes do Politécnico e Centro de Ciências Rurais (CCR) utilizam o serviço para chegarem até seus prédios, locais onde a rota do transporte coletivo não chega. A restrição do RU, ainda que já tivesse sido apontada, é tida como um dos aspectos mais graves da racionalização, visto que o Restaurante era responsável por servir de 600 a 900 refeições diárias. Agora esse número tende a cair para menos da metade.

 Para Carlos Pires, professor do departamento de Geociências e tesoureiro da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm), essa notícia é recebida não como uma racionalização, mas sim como um corte estrutural no investimento na educação brasileira. “A gente sabe o quanto isso é prejudicial para a qualidade do ensino, pesquisa e extensão que é produzido dentro da Universidade e acho que o caminho não deve ser o caminho de adaptar-se a essa situação, na realidade o caminho tem que ser a luta para reverter esse quadro que está colocado” ressalta. A Sedufsm realiza uma Assembleia Geral nesta quarta-feira em que o tema dos cortes será pauta.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE), vislumbrava que medidas do tipo seriam adotadas, mas afirma que a reitoria nunca havia dado um panorama de quais cortes seriam feitos. “A gente já esperava que esse corte viria, como o projeto de desmonte do atual governo. Mas a reitoria nunca havia informado nas reuniões que chamou conosco sobre quais seriam esses cortes, principalmente o do Restaurante Universitário”, relata Francielle Barcellos, estudante de Jornalismo na UFSM e Coordenadora Geral do DCE. Os planos da Entidade para o momento são aguardar pela Assembleia Geral da Associação de Pós-Graduação (APG), que tem um indicativo do Greve Geral e assim discutir a situação em Conselho de Entidades de Base (CEB) com os estudantes da graduação.

A APG, por sua vez, se mobiliza em torno de encaminhar ações contra os cortes de verbas na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), já que hoje a fundação é responsável pelo repasse de bolsas de mestrado e doutorado na UFSM, em que 75 foram congeladas e não puderam ser renovadas. Segundo Bruno Trasel, estudante do Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGGEO) e membro da APG, esse número indica que cinco por cento das bolsas da UFSM já sofreram com os cortes na CAPES. Uma Assembleia  Geral foi marcada para o final da tarde desta quarta-feira, em que os estudantes irão tirar encaminhamentos de mobilizações. Além disso, uma petição junto ao Ministério Público Federal (MPF) vai ser organizada.

Em relação às Casas do Estudante I e II, o descontentamento também se mostra presente. Vanessa Duarte, estudante de Educação Especial na UFSM e membro da atual coordenação da CEU II, afirma que essas medidas vão afetar a Universidade, mas principalmente os moradores das CEUs. “É preocupante, principalmente por toda a questão da luz, de futuramente não ter como pagar a luz, porque isso vai atingir principalmente a gente que mora nas moradias estudantis. Tem a questão das bolsas trabalho, que apesar de termos as moradias, termos o RU por enquanto, a maioria de nós que moramos nas casas do estudante só estamos aqui por causa das bolsas trabalho”, relata.

Na CEU I, o estudante de História e membro da Coordenação, Mateus Lazzareti, diz ainda que mesmo que os moradores não sejam afetados com a restrição do RU, a ideia é que exista uma mobilização unificada com os demais estudantes.  Ambas as Coordenações planejam realizar assembleias para dialogarem com os moradores sobre a racionalização e, a partir disso, organizarem encaminhamentos sobre possíveis mobilizações.

A Seção Sindical dos Técnicos de Nível Superior da UFSM (ATENS-UFSM), chamou assembleia para a próxima semana com a intenção de discutir a respeito da conjuntura. Segundo Clóvis Senger, presidente da Associação, essas medidas demonstram a paulatina desestruturação e destruição da educação pública. “Nós, enquanto ATENS, já estamos acompanhando isso há muito tempo, já vínhamos denunciando essas questões todas há muito tempo. A prova disso é que estamos participando junto com a Sedufsm, junto das outras entidades a várias manifestações contrárias ao que está sendo colocado. E a gente vê isso como mais uma etapa do processo, que é um projeto do atual governo de destruição do serviço público, da entrega do serviço público a iniciativa privada”, corrobora o presidente.
 

Texto: Amanda Xavier (estagiária de jornalismo)
Foto: Arquivo/Sedufsm
Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)



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