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Reflexões Docentes

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A serviço da submissão sindical

08/09/2008

Rondon de Castro
Professor do departamento de Ciências da Comunicação da UFSM

Existem várias facetas que podem ser expostas quando se fala da criação de um novo sindicato nacional de professores universitários. Simplificando a questão: não pode legalmente haver mais de um sindicato para representar uma mesma base. Isso, portanto, é ponto pacífico e podemos deixar de lado o fato jurídico, que condena abertamente a quebra da unicidade sindical. É dizer que, ao arrepio da legislação que nos orienta, os professores que insistem em construir um aparelho sindical nos moldes que estão sendo pregados, cometem o pecado de mergulharem na irregularidade. E me arrisco em ver certa imoralidade. Afinal, qual seria a finalidade dessa nova entidade? Certamente que não é pela unidade dos professores, já que preferem ignorar a democracia do movimento docente e optam por uma política de fragmentação, escondendo-se atrás de medidas governamentais providas de evidente má fé. Ao suspenderem o registro sindical do Andes (em 2003), o atual e – definitivamente – legítimo representante dos docentes, o Judiciário e o próprio Ministério do Trabalho apenas causaram o desconforto de uma situação que, cedo o tarde, deverá ser resolvida. Enquanto não se resolve, a circunstância navega em torno do “sob júdice”. Em outras palavras, o ANDES, ainda é, legalmente, o sindicato dos professores. Assim sendo, além do resvalo jurídico que significa essa suspensão, a suposta aceitação legal de um novo sindicato nacional, no lugar do ANDES, revelará um fragrante ataque aos preceitos democráticos que defendemos. Durante o regime militar, o governo insistia no reconhecimento de entidades “satélites” no movimento estudantil, impondo a criação de Diretórios (Estaduais dos Estudantes), em contraposição às legítimas Uniões Estaduais dos Estudantes. A aqueles apoiadores e colaboradores das DEEs, fiéis e submissos servidores, os recursos não faltavam, assim como as retribuições pela fragmentação do então movimento estudantil. Era evidente o interesse governamental na divisão de um explosivo e contestador segmento. Falharam. As UEEs se mantiveram por serem os verdadeiros e democráticos representantes dos estudantes. E, principalmente, a ditadura acabou logo nas primeiras ondas movimento democrático. Alguns estudantes daqueles tempos estão atualmente no governo ou, mesmo, nas universidades como docentes. A mesma tática do regime militar é utilizada, dessa vez contra os docentes de ensino superior e por aqueles que já a condenou. Novamente, com o apoio governamental (que os apóia judicialmente e institucionalmente), e de uma central sindical (CUT) há muito transformada em caixa de ressonância dos ocupantes do Planalto, uma entidade fantoche se estrutura. Se irá conseguir, a história é outra. O que é relevante no momento é que, o sucesso desse golpe apenas atrairá o repúdio. O mesmo que os estudantes manifestaram durante a ditadura. (Artigo publicado no jornal A Razão do dia 08 de setembro de 2008)


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