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Recuperando a Gare

08/09/2021

Orlando Fonseca
Escritor e professor aposentado do departamento de Letras Vernáculas da UFSM

De um modo geral, nossa cidade tem um grande descuido para com a memória de sua origem e de seu desenvolvimento. Prova disso, é a falta de proteção ao seu patrimônio histórico ou o apagamento simbólico de personalidades que participaram de sua construção. Prédios importantes, pelo valor arquitetônico ou histórico, foram postos abaixo em nome do progresso, pela exploração imobiliária. Em boa hora, a legislação patrimonial começa a ganhar corpo com a recente aprovação de leis que tratam do tema. Da mesma forma, há uma mobilização do poder público para revitalizar o Centro Histórico, que comporta um dos monumentos fundamentais para a memória de Santa Maria – a Gare da antiga Estação Férrea.

A antiga Estação Férrea e seu entorno compõem um significativo símbolo de evolução da nossa cidade, desde sua origem. O eixo sul-norte, formado pela linha que une a Rua do Acampamento e a Avenida Rio Branco, indica o nascimento de Santa Maria e a trajetória histórica de sua consolidação como um importante centro econômico e cultural do Estado. Tivemos dois grandes influxos de desenvolvimento neste período de 163 anos, desde a emancipação do Município. O primeiro, que ocupou metade do século XX, chegou com os trilhos da linha férrea e a presença dos ferroviários, com os escritórios, as oficinas, a Cooperativa e as escolas. O segundo, com a chegada da primeira Universidade Federal do interior do país, na segunda metade do século passado. Portanto, a Gare é um símbolo a ser preservado para fixar nas mentes e corações do santa-marienses a sua importância histórica. 

Em vista de que a recuperação e a manutenção daquele espaço carece de um valor elevado em recursos financeiros, a parceria com a iniciativa privada deve ser avaliada, pois o Poder Público – isso já ficou muito claro, há anos - não tem condições de restaurar e manter o funcionamento daquele bem patrimonial. No entanto, é de vital importância a destinação adequada do espaço para a cultura e para a memória ferroviária, conforme o que indica o documento que oficializou a cessão do próprio da União para o Município: prioridade para o uso cultural, educacional e turístico.

Não há dúvida a respeito do potencial turístico da Gare e seu entorno. É lamentável que a cidade tenha perdido o recurso para a implantação do trem turístico. Também a respeito do aspecto educacional, não há dúvida quanto ao conteúdo rico para uma educação sobre patrimônio histórico. Nesse sentido, é preciso definir de que Cultura se trata, a priori. Não se refere simplesmente a um espaço gastronômico ou simplesmente comercial, mesmo que de produtos ligados à área. A cultura a ser celebrada, naquele ambiente renovado, é a da identidade, como acervo de bens, símbolos, signos materiais e imateriais da origem e do progresso da cidade. Material que consubstancia, na alma dos residentes, o sentido de pertencimento, elevando a sua autoestima cidadã.

Para tanto, é necessário e urgente que a Prefeitura elabore uma proposta consequente junto com a Secretaria de Cultura, respeitando os interesses comunitários, ouvindo as deliberações das instituições amparadas em lei municipal: Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural e o Conselho Municipal de Política Cultural, bem como de todos os agentes capazes de contribuir para dar vida àquele sítio, ocupando-o com as pessoas. Com brevidade é preciso apagar a imagem de uma estrutura deteriorada, e recuperar no espaço urbano e nos corações e mentes de nossa gente o significado cultural que a Gare deve ter para Santa Maria.

 

(*Ex-secretário de Cultura de Santa Maria)




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