O terceiro choque do petróleo SVG: calendario Publicada em 01/04/2026 SVG: views 79 Visualizações

O Estreito de Ormuz é uma rota estratégica que conecta o Golfo Pérsico ao mercado mundial. O atual conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel ameaça provocar um choque petrolífero comparável — ou até superior — aos de 1973 e 1979. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, já elevou os preços do Brent acima de US$ 105, reacendendo tensões entre Washington e a União Europeia sobre segurança energética. A interrupção do fluxo ameaça não apenas os EUA, mas também China, Índia e União Europeia, grandes importadores dependentes da região.

Relações EUA–União Europeia

A crise expõe divergências transatlânticas: enquanto os EUA reforçam sanções e operações militares, a União Europeia busca diplomacia e diversificação energética. A dependência europeia de gás e petróleo importados torna o bloco vulnerável, lembrando os debates sobre autonomia energética após a guerra da Ucrânia. Tensões podem crescer se Washington pressionar por alinhamento total às sanções contra o Irã, algo que parte da Europa vê como contraproducente para sua segurança energética.

O conflito atual no Oriente Médio, com o risco real de fechamento do Estreito de Ormuz, pode desencadear o maior choque petrolífero da história, superando os episódios de 1973 e 1979. Além de pressionar os preços do petróleo, a crise ameaça fragilizar as relações entre EUA e União Europeia, reacendendo debates sobre segurança energética e autonomia estratégica. O mundo se encontra, mais uma vez, diante de uma encruzilhada em que geopolítica e energia se entrelaçam com consequências profundas para a economia global

Possíveis efeitos econômicos

1)Inflação global: aumento dos custos de energia pressiona preços de alimentos e transporte.

2)Recessão: países importadores podem enfrentar desaceleração econômica, como nos anos 1970.

3)Mercados financeiros: volatilidade crescente, fuga para ativos seguros como ouro e dólar.

4)Brasil: apesar de ser produtor relevante de petróleo bruto, pode sofrer com volatilidade cambial e aumento de custos de importação de derivados.

O Brasil está hoje mais preparado para enfrentar choques de preços do petróleo do que nos anos 1970, graças ao pré-sal, mas os conflitos no Oriente Médio ainda podem pressionar a inflação, o balanço de pagamentos e influenciar o cenário eleitoral de 2026. O governo já projeta inflação acima de 4% e busca medidas fiscais e monetárias para conter os impactos. O pré-sal transformou o Brasil em um dos maiores produtores de petróleo do mundo, reduzindo a dependência de importações e exportações. O país tornou-se exportador líquido de petróleo, o que ajuda a compensar choques externos.

Impacto dos conflitos no Oriente Médio

O crescimento mundial dos preços de petróleo, em progressão geométrica, coloca o governo em alerta a respeito de uma possível aceleração da inflação interna. O governo projeta que o preço médio do barril pode se estabilizar ao redor de US$ 100 em 2026, pressionando alimentos e combustíveis. No que se refere ao Balanço de Pagamentos, em que pese exportar petróleo, o Brasil ainda importa derivados e depende de insumos externos, o que pode gerar déficits temporários. Quanto ao mercado financeiro, segmento altamente afetado pela volatilidade internacional do mercado de capitais, o atual cenário internacional aumenta a pressão sobre o câmbio e os juros internos.

Relação com as eleições brasileiras

A inflação e o custo de vida são fatores decisivos em ano de eleições. A alta do petróleo pode se tornar tema central na campanha presidencial de 2026.  Analistas políticos e economistas preveem que a eleição será marcada por forte polarização, com candidatos debatendo políticas de energia, subsídios e controle de preços.

Numa comparação histórica com os dois choques do petróleo, ocorridos durante a ditadura militar, pode-se imaginar que, assim como nos anos 1970, choques externos podem redefinir prioridades políticas internas. A diferença é que antes o Brasil dependia inteiramente da importação da matéria-prima. Hoje, entretanto, pelo domínio da tecnologia de prospecção de petróleo em águas profundas pela Petrobras (Pré-sal), o Brasil tem maior capacidade de resposta a choques externos, o que não acontecia na década 1970.

Sobre o(a) autor(a)

SVG: autor Por José Maria Pereira
Doutor em Economia, professor aposentado do departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM e também da UFN

Veja também