Os desafios do mercado de trabalho no século XXI SVG: calendario Publicada em 13/05/2026 SVG: views 106 Visualizações

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego do primeiro trimestre deste ano foi de 6,1%, ou seja, um ponto percentual acima do último trimestre de 2025, mas ainda é a menor da série histórica para os três meses iniciais do ano. Atualmente, existem cerca de 6,58 milhões de pessoas desempregadas, sendo que a remuneração média do trabalhador é de R$ 3.722. Ao se levar em consideração esses dados, cabem várias reflexões que merecem uma análise com maior acuidade.

A primeira questão está relacionada à taxa de informalidade, que hoje representa aproximadamente 37% da população ocupada, o que equivale a 38 milhões de trabalhadores, demonstrando, inequivocamente, que um número significativo de cidadãos está sem proteção social e com forte instabilidade financeira. Essa instabilidade tem forte relação com o elevado nível de endividamento das famílias brasileiras, o qual, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), é de aproximadamente 80%. Além disso, a elevada taxa de juros faz com que o Brasil seja o paraíso do rentismo e do capital especulativo e que as perspectivas de crescimento sejam baixas, bem como torna extremamente difícil a saída da sociedade do círculo vicioso do endividamento e dos juros altos, o que precisa ser enfrentado pelo governo.

Outro ponto que merece uma discussão qualificada está relacionado à redução da jornada de trabalho, ou seja, ao fim da escala 6x1, sem redução salarial, o que, em tese, poderia trazer vários benefícios, como aumento da produtividade e da eficiência, aumento do consumo e do ócio criativo, conceito desenvolvido pelo italiano Domenico de Masi. Contudo, em função das eleições e do forte radicalismo político que a sociedade brasileira vive, essa discussão está sendo subjugada à polarização entre esquerda e direita, entre defensores dos trabalhadores e defensores da classe patronal, o que é lamentável quando se discute um tema de tamanha magnitude, com impactos no crescimento econômico e nos níveis de bem-estar da população.

Não menos importante é o debate sobre a questão da inteligência artificial, o que poderá corroborar, nos próximos anos, para um aumento significativo do desemprego e para uma mudança sem precedentes no mundo do trabalho, alijando as pessoas que não souberem utilizar essa nova ferramenta, que tem aspectos positivos, mas também excludentes.

Enfim, passamos por mais um Primeiro de Maio que deve ser saudado pela classe trabalhadora, mas, acima de tudo, com vigilância e atenção sobre os desafios que o país tem pela frente e que não podem ser deixados em segundo plano, principalmente quando se tem uma eleição que definirá o modelo de desenvolvimento, de inserção internacional e de respeito aos direitos humanos, às minorias, às instituições e à democracia que a sociedade brasileira quer para os próximos anos. “Decifra-me ou te devoro” era o desafio da Esfinge de Tebas, na mitologia grega, que perguntava aos homens o seguinte: "Que criatura tem quatro pés de manhã, dois ao meio-dia e três à tarde?" Todos que responderam erraram e foram devorados, à exceção de Édipo, que respondeu: “O homem, pois engatinha enquanto bebê, anda sobre dois pés quando adulto e recorre a uma bengala na velhice”.

A resposta da sociedade ao enigma do mundo do trabalho virá nos próximos capítulos, oxalá para que a sociedade não escolha o caminho do populismo, da irresponsabilidade, dos interesses do capital especulativo e do autoritarismo.

(* Professor Associado do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa- UFV).

Sobre o(a) autor(a)

SVG: autor Por Daniel Arruda Coronel
Professor do departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM

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