As eleições e o poder econômico SVG: calendario Publicada em 23/09/2026 SVG: views 63 Visualizações

O empresário Alexandre Grendene Bartelle, cofundador da Grendene, doou R$ 2,5 milhões para a campanha de Luciano Zucco (PL) ao governo do Rio Grande do Sul nas eleições de 2026. Trata-se da maior contribuição de pessoa física registrada no início da campanha eleitoral de 2026, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral.

A legislação eleitoral proíbe doações de empresas para campanhas políticas, mas autoriza que os proprietários e acionistas façam aportes financeiros utilizando recursos próprios como pessoas físicas. No mesmo período, Alexandre Grendene também destinou R$ 500 mil para a campanha de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará.

Detalhe: em dezembro de 2000, a Justiça Federal de Caxias do Sul (RS) condenou os empresários a três anos e seis meses de prisão (convertida em prestação de serviços comunitários) por forjarem um passivo fictício na contabilidade da empresa em 1991 para reduzir a base de cálculo de impostos. O prejuízo ao erário, ou seja, o valor determinado judicialmente para reparação do prejuízo aos cofres públicos, foi de R$ 7,7 milhões (à época, com valores atualizados) segundo a Folha de SP.

Este recorte de notícia de jornal mostra a influência do poder econômico – ou como a imprensa paulista gosta de chamar da “Faria Lima” nas eleições – apesar da farsa da permissão de doações como pessoas físicas. É inacreditável justificar a existência do “fundo eleitoral” diante da realidade. Criado, às custas de recursos que poderiam ser melhor aplicados na assistência social, este fundo não cumpre o propósito pelo qual foi criado, isto é, mediante o uso de regras de participação dos partidos segundo sua representatividade, haveria igualdade de condições na disputa eleitoral. Dá para acreditar? Deixo a resposta para o leitor!

No caso apresentado, é hipocrisia “rasgar dinheiro” para defender a democracia, quando o principal – o correto pagamento dos impostos – obrigação de todos, deixa de ser cumprido. Essa contradição também pode ser enxergada nas declarações dos candidatos de direita. A maioria, se diz defensora da democracia, mas sua principal medida, se eleito, será dar anistia àqueles que tentaram dar o golpe em 2023.

Até aqui, nenhuma novidade até que começasse a propaganda no rádio, TV e internet. Alguém duvida do uso de notícias falsas? disparo de mensagens através de robôs, etc. O poder econômico se vale desse “mercado virtual” para se expandir. Isso significa que quando duas pessoas falam sobre democracia, não quer dizer que estejam tendo a mesma opinião. É mais ou menos como a piada do sujeito que estava pleiteando um emprego e diante do dono da empresa diz o seguinte: “- aqui estão os meus princípios, mas se não gostar deles trago outros”.

 Para finalizar, destaco algumas “pérolas” das entrevistas com candidatos à presidência da República na bancada do jornal nacional. Já na primeira pergunta da apresentadora levei um susto. O jovem candidato diz que a principal meta do seu governo será fazer uma bomba atômica. Justifica dizendo que o país tem condições de desenvolver o artefato para impedir que “roubem nossas riquezas”. A princípio pensei tratar-se de uma brincadeira. Será que o candidato não aprendeu nada sobre a bomba atômica lançada sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. Foi-se o tempo em que os jovens queriam mudar o mundo para melhorá-lo! O que faltou em ideias sobrou em arrogância!

Pelo que entendi, a principal preocupação dos candidatos foi com a segurança pública. Um deles, até se comprometeu a criar um ministério para tomar conta desse setor. O líder mais admirado foi o presidente de El Salvador, minúsculo país da América Central e contumaz violador dos direitos humanos (Trump enviou imigrantes para aquele país). Todos falaram que vão resolver todos os nossos problemas, mas não disseram de onde vão sair os recursos. Aliás, o campo que mais os candidatos escorregam é o da Economia. Baixar os juros é consenso. Mas se é tão fácil, alguém poderia explicar porque eles são os mais altos do mundo?

O que mais chamou a atenção foi a falta de propostas para resolver nossos problemas estruturais, como o baixo investimento, que resulta em perda de competitividade e atraso tecnológico. Mas, infelizmente, os entrevistadores não contribuíram nesse sentido. Preferiram enfatizar temas de pouca importância (“Lulinha”) ao invés de seus planos de governo. Por exemplo, um candidato, ao ser questionado sobre meio ambiente, simplesmente negou o “aquecimento global”. Para ele, desde o princípio do mundo, existem ciclos de calor, ciclos de enchentes, ciclos de seca e por aí vai. Não dá para fazer nada, a não ser culpar a própria natureza. Essa afirmação lembra a teoria da “terra plana”. Qualquer semelhança entre os autores dessas teorias não é coincidência

Sobre o(a) autor(a)

SVG: autor Por José Maria Pereira
Doutor em Economia, professor aposentado do departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM e também da UFN

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