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A canoa virou, e agora?

13/10/2021

Amarildo Luiz Trevisan
Professor Titular de Filosofia da Educação, membro do departamento de Fundamentos da Educação.

O título deste artigo é em homenagem a uma cantiga de roda dos meus tempos de criança, que serve para ilustrar muito bem a realidade que estamos vivendo hoje no Brasil, em tempos de Covid-19.

A primeira estrofe da música já diz tudo: “A canoa virou por deixar ela virar”. Lembrei dessa música no momento em que chegamos a 600 mil mortes por Covid-19 no Brasil, justamente por conta de crenças e atitudes infundadas como estas que vou relatar a seguir.

Diante dos perigos do desconhecido nos tempos de hoje, é impressionante como reage o ser humano. Antigamente buscávamos socorro nas narrativas dos grandes feitos contadas pelos antigos, feitos estes repletos de lendas e mitos. O livro de Érico Veríssimo, “O Tempo e o Vento”, é um primor nesse sentido, ao narrar a história do Rio Grande do Sul sob o ponto de vista épico. Outros preferem normalmente buscar consolo no poder divino, buscando apoio no que está além do aqui e agora.

Mais tarde entrou em cena a ciência, para mostrar que nem tudo o que brilha é ouro nesse contexto. E que muitas vezes lendas, mitos e as próprias religiões podem também servir não só de estímulo, mas como forma de fechar os olhos para encontrar as melhores saídas para os problemas. O império da ciência e da razão mostrou ser preciso escolher a melhor medicina baseada em evidências de resultados concretos. E que o restante só faria sentido na medida em que auxiliasse o ser humano a iluminar este caminho lado a lado.

Porém, em tempos de vidas aceleradas pelas tecnologias, que nos dão tudo na palma da mão com um simples clique, entrou em cena um novo elemento nesse jogo. Ele prometeu nos tirar de forma mágica novamente do “jardim das aflições”: a compra pela confiança no outro, independentemente de sua formação técnica ou científica para isso.

Parece que as pessoas estão mais pragmáticas e tomam qualquer caminho que aparece na frente desde que indicado por alguém que elas acreditam. E aí passam a consumir e propagar este remédio como se fosse verdade absoluta e única solução do problema.

Resultado: estamos ultrapassando 600 mil mortes por Covid-19 no Brasil, justamente por conta de crenças a atitudes infundadas como estas.

Conversando face a face, ou através das redes sociais com indivíduos que aderiram a esta bolha, infelizmente cheguei à mesma conclusão.  Só o diálogo não basta, ou a tentativa de esclarecimento com notícias fartamente difundidas pela mídia e a ciência.  E mesmo lançando mão de qualquer forma que valoriza a palavra para acordá-las da crise. Parece que a única coisa que funciona mesmo é a mão firme e forte da lei.

Foi isso que pensei quando li a notícia de que a  Defensoria Pública da União (DPU) propôs, dias atrás, uma ação civil pública contra o Conselho Federal de Medicina, pedindo indenização por danos morais coletivos de R$ 60 milhões em razão de sua submissão ao uso de cloroquina e hidroxicloroquina, drogas comprovadamente ineficazes para o tratamento da doença da Covid-19.

Lembremos que a Câmara Municipal de Vereadores de Santa Maria, RS, aprovou matéria semelhante em 18 de março do presente ano, com 14 votos de vereadores favoráveis ao projeto e seis contrários. Certamente com apoio de vereadores que queriam intervir nas eleições a Reitor da UFSM há pouco tempo, como ficou ilustrado em vídeos que correram na internet.

Afinal, por que será que temem tanto a ciência e quem trabalha a favor da ciência, como é o caso da Universidade? Por que será que eles preferem lutar a favor do vírus mortal, difundindo o Kit Covid que não tem nenhuma eficácia comprovada?

Creio que se a canoa virou, como disse a musiquinha infantil, foi porque deixaram ela virar. Falharam os órgãos de controle no combate a essa safadeza, pois agora estamos vendo que os atrasos na compra de vacinas, ofertas de Kit Covid e a tese da imunidade de rebanho não passava, tudo isso, de um grande negócio. Um negócio não só econômico, como também político e ideológico.

Sempre fui a favor do diálogo, do uso da palavra amiga e da comprovação da ciência como forma de convencimento nas horas difíceis, ao invés do uso da força. Porém, já estou quase jogando a toalha literalmente, nesses casos. Me pergunto se, para desfazer a crença no novo mito, só a Justiça poderá acordá-las deste mal afamado transe?

Por isso, está mais do que na hora do Ministério Público e os demais órgãos de controle, ou mesmo as pessoas que embarcaram nessa canoa virada, acionar a Justiça. Eles deveriam exigir indenizações milionárias também de Câmaras de Vereadores e outras entidades que aprovaram atos de lei e normativas liberando remédios ineficazes contra o vírus da Covid-19.

Para aqueles que enganaram o povo, seja por ingenuidade, indução consciente ou por omissão resta agora cantar o canto das sereias que consta no final dessa mesma musiquinha:

“Rema, rema, rema
Rema, rema, rema, ai-ai
Ai-ai-ai”.




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