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15/04/2021   15/04/21 20h11 | A+ A- | 170 visualizações

CPI da Covid pode ser o início do fim do governo Bolsonaro?

Professores de ciência política da UFSM analisam crise que atinge o Brasil em várias áreas


Rodrigo Pacheco (presidente do Senado), confirmou na terça, 13, a instalação da CPI

Depois de semanas com a presidência do Senado Federal evitando instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o governo federal na questão da pandemia, na última terça, 13, o presidente daquela Casa, Rodrigo Pacheco (DEM), deu o pontapé para que os trabalhos possam iniciar. Isso depois que o próprio Supremo Tribunal Federal (STF), acionado por dois parlamentares, garantiu a legalidade da CPI.

O objetivo da investigação, ainda que possa respingar em malversação de recursos enviados aos estados para combate à pandemia, tem como alvo principal esquadrinhar ações (e omissões) do governo federal no combate à Covid-19, especialmente no caso da crise do Amazonas, em janeiro. Nesse episódio, bastante divulgado, pessoas morreram por falta de oxigênio, e documentos divulgados mostram que o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, foi avisado, mas não teria agido a tempo.

Em meio a essa novidade, que é uma investigação atingindo uma área fulcral do governo Bolsonaro, que é criticado pela demora na compra de vacinas, pela insistência num kit de medicamentos considerados sem eficácia comprovada, e por uma insensibilidade diante da tragédia de mortes diárias pelo novo coronavírus, o que muitas pessoas se perguntam é: a CPI do Covid pode comprovar fatos graves do atual governo, e consequentemente gerar um afastamento (impeachment)?

Para o cientista político Cleber Martins, professor do departamento de Ciências Sociais da UFSM, “a CPI é um dos caminhos possíveis para investigar e levantar dados sobre a atuação do governo na pandemia, podendo contribuir para a sua eventual responsabilização. Vai depender de como for desenvolvido o trabalho na Comissão e do seu foco ser mais específico ou mais difuso”.

Na visão do professor, ainda que pesquisas recentes mostrem uma queda na popularidade do Presidente da República, e que isso esteja associado ao descontrole no combate à pandemia, é preciso levar em conta que “o contexto que gerou a eleição de Bolsonaro em 2018 e a formação de uma base de adesão social consistente, especialmente nos setores mais conservadores politicamente, tem se mostrado, ao longo desse período, com algum grau de solidez”.

Portanto, analisa Martins (foto abaixo), “mesmo que o apoio ao governo e ao próprio presidente venha diminuindo e tenda a reduzir mais, há vários fatores a serem considerados. Um deles está na capacidade da oposição em convencer o eleitorado acerca da responsabilização do governo diante da pandemia, da economia, etc., além de apresentar alternativas convincentes também.”

Má notícia

Nenhuma CPI é bem-vinda para qualquer governo, assevera Reginaldo Perez, cientista político e professor do departamento de Ciências Sociais da UFSM. Segundo ele, “em um quadro em que todos os fatores são desfavoráveis, esse embate esperado entre governistas e oposição no âmbito do Senado Federal tende a produzir ainda mais desgastes a Bolsonaro, sem esquecermos dos riscos que corre o seu ex-ministro Eduardo Pazzuello”. E acrescenta: “Dificilmente sairá algo positivo para Bolsonaro e para o seu governo dos resultados dessa investigação”.

Dejalma Cremonese, cientista político e também professor do departamento de Ciências Sociais da UFSM, tem uma visão parecida com a dos seus colegas, mas é ainda mais duro. Em sua ótica, “o negacionismo e a incompetência de Bolsonaro em gerir a crise está lhe custando caro em termos políticos. Ações sucessivas de erros têm levado ao seu isolamento político e à perda de popularidade. O pouco que lhe resta de governabilidade advém do Centrão, grupo de parlamentares do Congresso, e de apoiadores que ficam entre 20 a 25% da população. A abertura da CPI da Covid tende a agravar este cenário”, enfatiza o docente.

Crise econômica, governabilidade e popularidade

A situação da pandemia de Covid fora de controle é apenas um dos vértices de uma crise mais ampla. Em meio a esse turbilhão, há aspectos de uma economia esfacelada, com o desemprego nas alturas, o preço da cesta básica em ascensão, o preço de derivados do petróleo com sucessivos aumentos, pressionando a cadeia produtiva, e a constante valorização do dólar, que também afeta os preços internamente. Até que ponto esse emaranhado de problemas pode achatar ainda mais a popularidade do governo de Jair Bolsonaro?

Para Reginaldo Perez (foto abaixo), é difícil prognosticar o que irá ocorrer com o governo federal diante do somatório de fatos negativos, desde a pandemia até a economia. Contudo, diz o professor, “seria algo impressionante a manutenção do apoio a Bolsonaro em níveis equivalentes ou superiores a 25%/30% com tantos fatores negativos associados a ele, ou ao seu governo. A teoria, a mesma que falhou quando das eleições de 2018, indica que o viés é de baixa na popularidade, pelo menos um pouco”.

Na análise do professor Cleber Martins, uma queda ainda maior no apoio ao governo nos próximos meses é uma possibilidade, mas não uma certeza. Contudo, destaca o cientista político, é relevante considerar que há uma parcela significativa da população que parece não ser afetada, no seu apoio ao presidente e ao governo, pelo desempenho ruim em várias áreas, especialmente no caso da pandemia. Diz ele que, até agora, “essa parcela vem se mantendo entre 20% e 30%, que é um índice alto, levando em conta o tipo de ações do governo em várias áreas e seus resultados precários”.

Martins avalia ainda que “há uma parte do eleitorado com pouca identificação ideológica, ou mesmo personalista, decidindo o seu voto de forma mais pragmática”. E exemplifica: “uma parcela considerável do eleitorado que em 1994 e 1998 votou em Fernando Henrique Cardoso, em 2002 e 2006 optou por Luiz Inácio Lula da Silva. Da mesma forma, essa parte do eleitorado votou em Bolsonaro. Portanto, é possível considerar que o chamado ‘voto retrospectivo’, aquele no qual o eleitor observa a sua situação - se está empregado ou não, se seu poder aquisitivo melhorou ou piorou, etc.-, possa ter um peso importante na avaliação do governo e na sua decisão de voto na eleição de 2022”.

Dejalma Cremonese observa todos esses fatores negativos somados comprometendo a popularidade do governo de Jair Bolsonaro. Na visão do professor da UFSM, “é difícil um presidente se manter no cargo quando a população vê seu poder de compra e seu dinheiro indo para o ralo”. O cientista político faz uma analogia com o que aconteceu com a ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016. “Lembrem que, além da base política perdida, a ex-presidente Dilma enfrentou a crise econômica, levando a um aumento da dívida pública, crise fiscal e desemprego crescente, o que desencadeou o seu processo de impeachment”. Portanto, diz Cremonese, “Bolsonaro está cercado por um uma série de fatos desfavoráveis que podem comprometer sua capacidade de governar”.

Oposição e a eleição de 2022

Os números mostram a queda gradativa na popularidade do presidente Bolsonaro, mas ainda o mantem num patamar que, neste momento, ainda parece colocá-lo em um eventual segundo turno, em 2022. E a oposição?

Para Dejalma Cremonese (foto abaixo), ainda é cedo para um prognóstico sobre as eleições de 2022. Contudo, frisa o professor, “a tendência é Bolsonaro ir minguando sua popularidade, o que pode comprometer a sua reeleição. Se o ex-presidente Lula se tornar definitivamente elegível, acredito que tenha boas chances de ir ao segundo turno”. O cientista político complementa: “Segundo as últimas pesquisas, Lula amplia a vantagem sobre Bolsonaro no segundo turno (2022) e venceria por 52% a 34% (*). Não acredito que um candidato de centro tenha reais chances de vencer as eleições de 2022. A tendência é a manutenção da polarização”, finaliza.

A oposição tem enfrentado obstáculos aos quais não têm conseguido superar. A constatação é do professor Reginaldo Perez. Para o cientista político, um desses limites é a dificuldade de interpelar politicamente parte do público bolsonarista. Ele explica melhor: “tentar algum tipo de comunicação que faça sentido àquele grupo social. As atitudes prevalecentes das oposições ao governo Bolsonaro sugerem que os apoiadores do presidente possuem perfil semelhante, ou mesmo igual”. Na ótica do cientista político, existem diferenças importantes. “Há, realmente, um grupo de ‘fiéis’ seguidores que parece ter uma relação messiânica com o seu ‘mito’. Ocorre que não são somente esses que têm sido tratados como imbecis (com a licença do forte adjetivo), mas outros grupos também têm sido desconsiderados. Parece-me que deveria haver alguma ‘calibragem’ por aí”, ressalta.

Sobre as chances da oposição, Perez avalia que levando-se em conta as condições político-eleitorais de hoje, e lembrando a grande probabilidade de ocorrer segundo turno nas eleições presidenciais (em 2022), Bolsonaro “parece ser um candidato forte ao alcance do segundo turno”. Da mesma forma, destaca “a alta probabilidade de Lula ser candidato pelo PT e Bolsonaro personificar não somente o antipetismo, mas sobretudo a retórica anticorrupção”.

O cientista político também vislumbra o que considera a quase impossibilidade de haver apenas um candidato de ‘centro’, o que ele considera um “eufemismo para uma candidatura de direita ‘moderada’.” Nesse caldo todo, o fato quase certo de Ciro Gomes se tornar candidato, cenário que, conforme Perez, representa “alguma dispersão de candidaturas”, favoreceria, no entendimento dele, “aqueles que se apresentam nas pontas do espectro, ou seja, Lula e Bolsonaro”.

Cleber Martins também percebe a oposição cindida em várias. “É possível se observar uma fragmentação e a existência de várias ‘oposições’. Portanto, é difícil avaliar se as oposições estão cumprindo seu papel diante do governo federal. Me parece que alguns partidos têm atuado, especialmente no parlamento e acionando o judiciário, de maneira consistente no sentido de fiscalizar e mesmo confrontar as ações do governo e do presidente. Há, todavia, problemas no exercício da oposição, sendo, talvez, um dos principais, a impossibilidade de realização de atos públicos e, por consequência, de adesão de segmentos sociais”.

Para o docente, uma outra dificuldade importante, ocasionada pela fragmentação, está em articular as ações nas instâncias político-institucionais com as instâncias sociais. “Ao mesmo tempo em que as oposições agem em relação ao governo em si, é necessário estabelecer estratégias de convencimento do eleitorado em relação a um projeto de governo, ou seja, oferecer uma alternativa sólida e eleitoralmente viável, situação que não é uma tarefa fácil, ainda mais no contexto atual”, avalia Martins.

O cientista político ressalta ainda que “não basta apenas ter uma postura crítica ao governo federal”. Segundo ele, “o êxito eleitoral passa pela capacidade de constituir, além da oposição propriamente dita, uma base eleitoral ampla e, por característica, variada, isto é, agregar em torno de uma candidatura segmentos sociais diversos”.

Considerando os múltiplos aspectos envolvidos, apontar favoritos, a mais de um ano da eleição e diante de um cenário com muitas incertezas, não é muito indicado, frisa o professor da UFSM. Para Martins, “uma das variáveis-chave para o processo eleitoral de 2022 está na percepção que o eleitorado construirá sobre a atuação do governo federal. Ou seja, a quem o eleitorado atribuirá responsabilidade sobre a economia, queda na renda e as políticas de enfrentamento da pandemia? A resposta poderá ter um caráter decisivo em 2022”, encerra. 


(Leia abaixo, em anexo, a íntegra das questões feitas aos entrevistados e as respectivas respostas).


(*) A pesquisa a que se refere o professor Dejalma Cremonese foi publicada na última quarta, 14 de abril, pelo site ‘Poder 360’: https://www.poder360.com.br/poderdata/lula-tem-34-contra-31-de-bolsonaro-no-1o-turno-diz-poderdata/

 


Entrevista e texto: Fritz R. Nunes
Fotos: Agência Senado e arquivo
Assessoria de imprensa da Sedufsm

 

 



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