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20/04/2021   20/04/21 16h25 | A+ A- | 142 visualizações

“Não existe economia sem vida humana e não existe vida humana sem economia”

Em entrevista ao Ponto de Pauta, Marcio Pochmann fala sobre a economia brasileira em meio à pandemia


Falta de política nacional gerou recessão maior e mais longa, afirma o economista.

Os índices que apontam para o caos econômico brasileiro são devastadores e não estão apenas nos noticiários ou nas análises econômicas. Pelo contrário. O drama econômico pode ser sentido no dia-a-dia, na ameaça do desemprego ou em salários que sustentam cada vez menos. E nesse cenário é comum ouvir que a pandemia é a responsável por essa tragédia. Mas será que essa questão é tão simples assim? Na nova edição do Ponto de Pauta, conversamos sobre a economia brasileira com o economista, pesquisador e escritor, ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o IPEA, e professor da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, Márcio Pochmann. Na entrevista, Pochmann falou da situação brasileira a partir da chegada do novo Coronavírus, mas também para além disto. Confira abaixo alguns trechos e no player ao final do texto, a entrevista na íntegra.

Girando em falso

Para Pochmann, é importante dizer que a economia brasileira já não vinha bem e que, por consequência, as perspectivas para 2020 não eram boas mesmo sem uma pandemia. Aliás, segundo o professor, a pandemia acelera e intensifica um processo já em curso. “A pandemia, nesse sentido, aprofunda uma trajetória que já se vinha anteriormente, que é essa fase de decrescimento”, avalia. Essa fase está evidenciada nos índices de crescimento anteriores à crise sanitária, algo próximo de 1% ao ano, o que Pochmann define como um movimento “girando em falso”. Logo, esse cenário não poderia responder bem a um desafio da dimensão de uma pandemia. E aí entra também um outro elemento. Se o cenário já não era favorável, a incapacidade de gerir o encontro entre uma fase de decrescimento e uma crise sanitária, causou um impacto ainda maior. “Nos parece um país sem um projeto nacional, sem trabalhar nesse cenário novo, que exigiria de certa maneira uma outra perspectiva de organização do país. Prevalece a avaliação do atual governo de que não precisa fazer nada, ou seja, naturalmente voltaríamos ao normal pré-2020 e que as coisas ficariam bem”, conclui.

Nada será como antes

Segundo o professor da Unicamp, a urgência de um projeto nacional para lidar com a nova realidade é fundamental, entre outros motivos, pela alta probabilidade de que essa realidade veio para ficar. “Difícil acreditar que a educação, o trabalho, a saúde possam voltar a ser o que eram antes da pandemia”, aponta. Como um dos grandes exemplos dessas transformações, Pochmann cita a implementação de experimentos tecnológicos em todos esses campos. Uma implementação veloz e intensa. E nesse sentido, acrescenta o professor, a falta de um projeto nacional, que encare a atual situação, não apenas é responsável pelo número de mortes causadas pelo novo Coronavírus até aqui, como pode acabar por condenar também o futuro. “Por exemplo na Inglaterra, o berço do neoliberalismo, o governo, que é um governo neoliberal, acaba de aprovar a criação de um banco público na Inglaterra para financiar um novo ciclo de infraestrutura naquele país”, afirma o economista.

Salvar vidas Vs Salvar a economia

É quase impossível que alguém no Brasil, desde que a pandemia se instalou, não tenha topado com a discussão que coloca a ideia de “salvar vidas” contra a de “salvar a economia”. Para o ex-presidente do IPEA, essa é uma falsa polêmica.  “Não existe economia sem vida humana e não existe vida humana sem economia”, pontua Pochmann, para quem a desastrosa gestão do governo é responsável não apenas por perder vidas, mas também pelo caos econômico. “Então o custo não apenas de vida, mas o custo econômico está sendo gigantesco, porque não tem como voltar à normalidade enquanto a contaminação e mortes estiverem alastradas da forma que estão”. Outro preço enorme que estamos pagando, segundo o professor, é por não ter apostado na vacinação em massa. “O custo menor de tudo isso seria a vacinação em massa. Sem a vacinação e com a incapacidade de os governos atuarem sobre o isolamento, nos proporcionou não apenas uma recessão profunda, mas também mais prolongada em relação a outros países”, conclui.

Por fim, Marcio Pochmann ainda pontua exemplos de países que conseguiram melhores resultados no controle da crise do novo Coronavírus – em sua faceta sanitária e também econômica – através de testes, monitoramento, isolamento e outras medidas do tipo. No Brasil, ao contrário, o professor afirma que o governo acreditou na “espontaneidade das forças de mercado”. Aliás, como mais uma faceta da falta de política para lidar com o atual contexto, Pochmann cita os créditos fornecidos pelo governo para grandes empresas, enquanto as pequenas foram abandonadas. Nesses casos, com frequência as declarações oficiais tratam da falta de recursos ou da necessidade de cortes para gerar possibilidades de investimento. Outra falácia, na opinião do economista. “O discurso é sempre ‘não há recursos’, ‘o Estado gasta demais’. Bom, bastou a primeira ameaça da pandemia com impacto na bolsa de valores que o Banco Central disponibilizou R$ 1,200 trilhão para os bancos. Ora, recursos que não existiam, apareceram”. Aliás, Pochmann manifesta preocupação com o orçamento para 2021. Nesse ano, até recursos do recenseamento foram cortados. Para o professor da Unicamp, recurso tem, mas é a pressão política que define seu destino. Como exemplo o professor cita o aumento de verbas para as forças armadas ou para as chamadas “emendas parlamentares”. “O discurso econômico dominante feito tanto pela mídia comercial quanto pelos porta vozes do dinheiro, tem sido, de forma geral, associado a chantagem ou ao terrorismo”, conclui.

Texto: Rafael Balbueno
Imagem: Divulgação
Assessoria de imprensa da Sedufsm



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