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27/04/2021   27/04/21 19h09 | A+ A- | 126 visualizações

Governo usa pandemia para intensificar assédio moral e perseguição a opositores

Apontamento é de participantes da live promovida pela Sedufsm na última segunda, 26


Pedro Hallal (UFPel); Erika Suruagy (UFRPE) e Ada Cristina Silveira (UFSM) foram os/as convidados/as do debate

Se o assédio moral sempre foi uma questão a ser denunciada e superada no âmbito do serviço público, em tempos de superexposição nas redes sociais – advinda das ferramentas demandadas pelo trabalho remoto – e de um governo que não se constrange em flertar com a face mais autoritária da sociedade, esse problema é colocado na centralidade das discussões.

Isso porque, aliada à pressão interna exercida para que docentes façam aderência, por exemplo, ao trabalho e ensino remotos – ou mesmo que retornem à presencialidade -, existe a perseguição política, na maioria das vezes encaminhada pelo próprio presidente da República ou por seus tentáculos em estados, municípios e instituições.

Em live promovida na tarde da última segunda-feira, 26, a Sedufsm trouxe o assédio moral e a defesa das liberdades democráticas para o palco do debate, contando, para tal, com a presença de Ada Cristina Machado Silveira, integrante do Conselho de Representantes da seção sindical e docente do departamento de Ciências da Comunicação da UFSM; Erika Suruagy, diretora da Associação dos Docentes da Universidade Federal Rural de Pernambuco e docente do departamento de Educação da Universidade Federal Rural de Pernambuco; e Pedro Hallal, ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas, docente do curso de Educação Física da UFPel e coordenador do projeto EPICOVID-19. A atividade, que teve mediação de Márcia Morschbacher, diretora da Sedufsm, faz referência ao Dia do(a) Trabalhador(a) – 1º de maio -, tendo sido deliberada em assembleia da categoria.

“Fui escolhido para essa briga”

Pedro Hallal, ao mesmo tempo em que ocupava o cargo de reitor da UFPel, também coordenava o projeto Epicovid-19, elaborado ainda em março de 2020 com o objetivo de monitorar a evolução da pandemia no estado do Rio Grande do Sul. À época, o Ministério da Saúde era comandado por Luiz Henrique Mandetta. Um dos secretários, gaúcho, teve conhecimento do projeto e propôs que fosse aplicado a todo o país, e não apenas ao estado. O grupo de epidemiologia da UFPel, então, construiu uma proposta, que foi aceita pelo órgão, de forma que a Epicovid-19 dividiu-se em duas: Epicovid-RS e Epicovid-Brasil.

“Estávamos fazendo nossa pesquisa e divulgando dados de uma maneira muito rápida. A Epicovid foi uma fonte boa de dados para a população, e a própria mídia começou a nos procurar. Nosso projeto teve muito impacto na imprensa, mas todo governo autoritário não gosta de mídia e informação”, comentou Hallal, acrescentando que, com a saída de Mandetta do Ministério, o projeto da Epicovid, embora já aprovado nacionalmente, começou a receber uma série de entraves e boicotes por parte do governo federal.

“Não tinha justificativa para cancelar o projeto. Já estava assinado, dinheiro enviado. Mas o Ministério da Saúde não queria mais. Tentamos fazer reuniões com o Nelson Teich e principalmente com o Eduardo Pazuello. Tudo piorou quando, na terceira fase da pesquisa, encontramos o resultado marcante de que as populações em vulnerabilidade socioeconômica e principalmente étnico-racial tinham muito mais risco de se infectar com a Covid-19. Esse resultado provocou um alvoroço no Ministério da Saúde, que tentou censurar a divulgação dos resultados e, logo depois, cancelou o financiamento da Epicovid”, conta Hallal. Ele ainda lembrou de uma entrevista dada por Pazuello em Porto Alegre, na qual o hoje já ex-ministro dizia que a Epicovid seria cancelada, porém que, em seu lugar, seria feito outro estudo epidemiológico. Meses depois, esse outro estudo ainda não foi apresentado.

Embora o governo federal tenha tentado censurar os resultados encontrados pela equipe da Epicovid-19, o efeito foi o inverso, pois os achados da pesquisa, à revelia do que desejava Bolsonaro e seus ministros, foram amplamente divulgados.

Mortes evitáveis

Outro resultado estarrecedor encontrado pelo projeto coordenador por Hallal é o de que três a cada quatro mortes por Covid-19 no Brasil poderiam ter sido evitadas se o governo adotasse posturas como as que o restante do mundo adotou.

“O Brasil tem 2,7% da população mundial, e tem 12% das mortes por Covid-19 no mundo - mais de quatro vezes a mais. Três de quatro mortes no Brasil poderiam ter sido evitadas se o país tivesse um desempenho igual à media mundial. Não precisava ser um desempenho igual ao da Austrália ou China, que, ao invés de criarem uma política de convívio com o vírus, adotaram a política de eliminação do vírus – que é o ideal. Não precisava. Se o Brasil tivesse adotado a media mundial, 3 de cada quatro mortes seriam evitadas”, constata Hallal, que agora foi convocado para participar da CPI da Covid.

Essa não foi a primeira vez que Hallal participou de uma atividade da Sedufsm. Em fevereiro desse ano, o professor concedeu entrevista ao programa ‘Ponto de Pauta’. Na ocasião, ele comentou sobre a Epicovid-19 e os ataques à ciência. Assista aqui

Intervenção na reitoria

Não tendo conseguido dar concretude ao seu intento proibitivo no que tange à pesquisa Epicovid-19, o governo tentou censurar outra das frentes na qual Hallal atuava: a reitoria da UFPel. Quando a instituição passou por consulta pública para escolha de novo(a) reitor(a) e vice, Bolsonaro decidiu não nomear o candidato mais votado da lista tríplice, Paulo Roberto Ferreira, e sim a terceira colocada, Isabela Andrade. Devido a uma série de ataques que já vinha sofrendo, Hallal decidiu não concorrer novamente ao cargo de reitor.  

“Quando ficamos sabendo da nomeação, imediatamente chamamos uma live aberta com toda a comunidade para discutir o que faríamos no sentido de enfrentar essa investida autoritária do governo. Nós não caímos na armadilha de renunciar, porque no momento em que se renuncia, desfaz-se a lista tríplice e ele [Bolsonaro] nomearia um interventor. Dobramos a aposta e decidimos trabalhar com uma dupla de reitores. Anunciamos essa dupla e o governo entrou em completo desespero”, lembra Hallal, que, por ter conduzido esse processo, foi processado pelo governo. O processo somente foi arquivado quando o professor assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

“A série de ataques do governo têm tido efeito rebote no meu caso. Mas meu caso não deve ser usado como exemplo, porque eu tive os meios para me defender. Meios que muitos professores, técnicos e estudantes não vão ter”, preocupa-se Hallal.

Censura à liberdade de manifestação

Erika Suruagy, outra convidada da live da última terça, também sofreu, como Hallal, perseguição do governo Bolsonaro. Ela, que é diretora da Associação dos Docentes da Universidade Federal Rural de Pernambuco, foi alvo de inquérito policial aberto a pedido do próprio presidente da República para apurar a colocação de outdoors críticos ao governo no estado de Pernambuco.

Os outdoors, frutos de campanha promovida por diversos sindicatos e por setores da sociedade civil de Pernambuco, continham os dizeres: “O senhor da morte chefiando o Brasil. Mais de 120 mil mortes por Covid-19. Fora Bolsonaro!”. Erika ressalta que, hoje, com o país atingindo a triste marca de quase 400 mil mortos pela doença, a peça gráfica mostra-se ainda mais legítima e verdadeira.

“O presidente, diante de um cenário com tantas coisas a se fazer - como procurar vacina, fazer testagem em massa e rastreamento dos casos, garantir Equipamentos de Proteção Individual para os trabalhadores ou o próprio kit entubação que está faltando em vários lugares -, preferiu se preocupar em perseguir os opositores, aqueles que discordam de sua política. É uma verdadeira caça às bruxas o que esse governo está tentando empreender”, critica Erika.

Processo arquivado

Recentemente, depois de muita mobilização de sindicatos e movimentos sociais, o inquérito que tinha Erika como réu foi arquivado, sob a justificativa de que a livre manifestação política não pode ser criminalizada.

“Está claro que existe uma tentativa de cerceamento, de censura, de calar opositores no Brasil. Essa vitória que obtive, a partir de um despacho muito bem fundamentado da promotora, é uma vitória não minha, mas da classe trabalhadora, da democracia e de todos aqueles que lutam. E se a tentativa era calar nossa voz, eles tiveram o efeito reverso, pois os outdoors estão agora espalhados pelo Brasil. É preciso denunciar essa perseguição à classe trabalhadora dentro e fora da universidade”, defende a professora e dirigente sindical.

A Sedufsm, em assembleia realizada no dia 23 de março, aprovou a construção de uma moção em apoio à Erika e à Aduferpe.

Naturalização do assédio

Ada Cristina Machado Silveira é docente do departamento de Ciências da Comunicação da UFSM e integrante do Conselho de Representantes da Sedufsm. Desde o início da pandemia, ela vem sendo crítica ao modelo de ensino remoto adotado pela instituição. Na live, ela realizou uma aproximação entre o trabalho remoto e o aumento dos casos de assédio e superexposição de docentes.

Para ela, ocorre, muitas vezes, uma naturalização das situações de assédio, especialmente quando as vítimas são trabalhadoras mulheres e pertencentes a gerações mais antigas.

“Nós, da Comunicação, que possuímos treinamento profissional [para trabalhar com o online], conhecemos com amplitude os riscos da superexposição que a atividade educacional por essa via proporciona. Muitas vezes tentei sensibilizar autoridades da nossa universidade sobre os riscos que estávamos correndo e não encontrei entendimento desse aspecto. Em nenhum momento houve preocupação de nos proteger. Tenho relatos de colegas que se sentiram expostos com memes e situações ridicularizantes por parte de uma audiência que a gente não domina”, preocupa-se Ada.

A docente lembrou que, desde quando a UFSM suspendeu as atividades presenciais e adotou o Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE), cada docente teve de se adaptar, à sua maneira, ao trabalho remoto, utilizando equipamentos pessoais e internet doméstica.

“Estamos vivendo um processo de midiatização profunda das atividades da sociedade, que é quando o ambiente midiático perpassa nosso cotidiano e isso traz profundas transformações. No aspecto moral, o mais forte disso são as perseguições, porque, com a ampla presença nas redes e mídias sociais, o registro fica, tendo sobrevivência além do momento presente”, constata a docente.

Desqualificação da atividade docente

Um dos efeitos dessas formas de lecionar e trabalhar em meio à pandemia é a própria desqualificação da atividade docente, diz Ada. “Nós passamos pelo constrangimento de pedir consentimento dos presentes para a gravação das aulas online [que depois vão para um repositório]. E todos [os alunos] com câmera e microfone desligados. Nas aulas presenciais tínhamos capacidade de exemplificação e contextualização”, explica.

Uma preocupação destacada por Ada também é com relação às condições dos estudantes para acessarem as aulas. “Não temos pesquisa sobre como nossos alunos estão estudando - se eles possuem equipamentos e ambiente restrito para suas atividades. Nossa sala de aula saiu do ambiente físico, adentrou os lares e muitas situações novas surgiram. Não temos condições de analisar no presente o impacto disso”, conclui.

Na opinião de todos os presentes à live, é preciso que as universidades fortaleçam seus organismos internos de acolhimento de denúncias e combate ao assédio moral. E, como disse Hallal, para fazer enfrentamento à política de censura, arrocho e perseguição do governo Bolsonaro, é preciso “unir o campo racional da sociedade”, sem descartar ou abrir mão de aliados.

Quem perdeu a live ao vivo, pode ver o debate na íntegra em nosso canal do Youtube ou aqui mesmo:

 

Texto e prints: Bruna Homrich

Assessoria de Imprensa da Sedufsm



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